Crítica: Novo filme de Richard Linklater tem festas, paqueras e zoeiras sem fim

Richard Linklater é um diretor que se sai melhor em filmes despretensiosos, em que os detalhes ganham peso e oferecem o tipo de beleza que se esconde nas pequenas coisas, nos gestos mais econômicos dos atores, nas variações das inflexões de voz.

É assim com a trilogia formada por "Antes do Amanhecer" (1995), "Antes do Pôr-do-Sol" (2004) e "Antes da Meia Noite" (2013), em "Escola de Rock" (2003), e também no seu primeiro filme de sucesso crítico, "Jovens Loucos e Rebeldes" (1993).

Este último ganha, 23 anos depois, uma continuação: "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes!!". Linklater andou dizendo que é também uma continuação de "Boyhood" (2014). Pode ser, mas este se ancora na pretensão, enquanto, no tom, o mais recente lembra mesmo o de 1993.

Cena do longa "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes!!"
Cena do longa "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes!!" - Van Redin/Divulgação

Agora, em vez de se voltar aos anos 1970 de Led Zeppelin e do glam-rock, ele capta o ano de 1980, o desbunde da disco music e a energia do punk.

Vemos jovens universitários com as preocupações que nos afligem nessa fase da vida: festas, paqueras e zoeiras sem fim. Até que a corda aperta e temos de estudar como doidos para não ficarmos para trás.

Seja nos EUA, no Brasil ou na Turquia, jovens são sempre iguais: cheios de energia e vazios de foco. Existem as exceções, claro, e elas hoje dominam o mundo por meio da informática e dos games.

Naquela época, quem se concentrava nos estudos tinha papelzinho grudado nas costas e levava pontapés no traseiro.

Não há exatamente uma história. Vemos episódios levemente conectados dos jovens em meio a um mundo de possibilidades e descobertas.

Cena de "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes!!"
Cena de "Jovens, Loucos e Mais Rebeldes!!" - Van Redin/Divulgação

A câmera é leve, atenta, pronta para flagrar vacilos ou flertes. A montagem imprime o ritmo da disco, quebrando-se, por vezes, quando energizada pela música agressiva dos punks.

É o retrato de uma época gostosa. Não os anos 80 propriamente, mas a época em que somos, geralmente, jovens irresponsáveis e bobões.

O filme nunca faz uma crítica dessa juventude. Tampouco busca um tom nostálgico. É apenas um divertimento leve, delicioso de se ver, do qual saímos com um inevitável sorriso no rosto.

Avaliação: muito bom
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