Matthew McConaughey é o maior trunfo do novo filme de Gary Ross

Faz um tempo que Matthew McConaughey tem se revelado um ator de primeira grandeza. Seu jeito meio cafajeste e seu olhar sempre cínico impediram esse reconhecimento por um bom tempo, mas não dá mais para negar que se trata de um dos maiores atores de sua geração.

Sua presença sustenta Um Estado de Liberdade, longa dirigido com certo academicismo por Gary Ross (o diretor do primeiro longa da franquia Jogos Vorazes).

McConaughey é um soldado sulista que, após ver uma série de barbaridades, se torna um desertor
McConaughey é um soldado sulista que, após ver uma série de barbaridades, se torna um desertor - Divulgação

Voltamos à Guerra Civil americana (1861-1865) e suas consequências. McConaughey é um soldado sulista que, após ver uma série de barbaridades, questiona sua participação na guerra e se torna um desertor.

Como tal, precisa fugir das autoridades sulistas, loucas para colocar uma corda no pescoço daqueles que se recusam a defender a bandeira escravagista dos confederados.

Exilado no pântano, junta-se a escravos fugitivos e a fazendeiros locais para lutar contra a opressão dos oficiais (que exploram quem puder para tirar proveito da guerra).

Esses conflitos e a intensa relação amorosa com Rachel (Gugu Mbatha-Raw), uma escrava, terão repercussão anos mais tarde, numa costura que o filme não realiza muito bem. Aliás, é de se perguntar o que o filme realiza bem.

Cena de "Um Estado de Liberdade"
Cena de "Um Estado de Liberdade" - Divulgação

A reconstituição de época, talvez. Mas isso é o mínimo numa narrativa que se pretende realista e baseada em história real (não que isso valha alguma coisa esteticamente).

O bom aproveitamento dos atores coadjuvantes certamente contribui para acreditarmos estar no século 19, auxiliados por um roteiro razoável, ainda que pouco imaginativo, do próprio Gary Ross.

Talvez o maior trunfo de Um Estado de Liberdade seja mesmo aproveitar o talento de McConaughey. Ele está ótimo como o rebelde humanista e consciente, amigo dos escravos e defensores dos direitos humanos.

E seu maior problema é que, no geral, sentimos já ter visto suas cenas mais impactantes em outros filmes.

Avaliação: regular

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