Peter Berg faz longa intenso sobre vazamento de petróleo no Golfo 

Fazer um filme sobre um vazamento gigante de petróleo no Golfo do México parece receita de uma produção engajada, até panfletária. Mas escalar atores que costumam aparecer em tramas de ação machonas, como Mark Wahlberg e Kurt Russell, pode indicar um resultado final encharcado de testosterona.

"Horizonte Profundo - Desastre no Golfo" é uma das boas surpresas da temporada porque não é uma coisa nem outra. Trata-se de um filme sério e intenso, no qual boas intenções se convertem em espetáculo cinematográfico.

Mark Wahlberg (de cinza) conduz a trama no papel de um técnico de extração petrolífera
Mark Wahlberg (de cinza) conduz a trama no papel de um técnico de extração petrolífera - Divulgação

O filme é a dramatização da tragédia real de 2010, quando a plataforma Deep Horizon explodiu e causou o maior vazamento de óleo em mar aberto da história dos EUA. O enredo compra a ideia de que a causa foi a ganância da empresa petrolífera, representada na tela pelo executivo sem escrúpulos interpretado por John Malkovich.

O diretor Peter Berg tem 20 filmes no currículo (além de outros 48 como ator). Entre eles, acertos como "Hancock" (2008), com Will Smith, e "O Grande Herói" (2013), nervoso drama de guerra com o mesmo Mark Wahlberg, que desta vez faz o papel de um técnico de extração petrolífera, Mike Williams.

Berg realmente deposita confiança em Wahlberg, porque Williams é o fio condutor da trama. Na parte inicial, é com ele que o espectador trava contato com o dia a dia numa plataforma bem distante da costa. É um modo de vida incomum, que o filme consegue tornar atraente.

O filme é a dramatização da tragédia real de 2010, quando a plataforma Deep Horizon explodiu
O filme é a dramatização da tragédia real de 2010, quando a plataforma Deep Horizon explodiu - Divulgação

Depois, quando os incêndios deixam a plataforma entre os riscos de explodir totalmente ou de simplesmente afundar, Williams tem intervenções essenciais nos episódios de resgate de seus colegas.

O grande mérito de Berg é não exagerar nas tintas. Seus personagens não fazem peripécias sobre-humanas, ninguém ali é um James Bond. Eles escalam estruturas tomadas pelo fogo porque simplesmente não há outra alternativa para tentar sobreviver.

"Horizonte Profundo tem parentesco" direto com a safra de filmes-catástrofe dos anos 1970, que teve Aeroporto, Inferno na Torre e Terremoto. Acrescenta uma dose de engajamento ecológico que não compromete sua missão de entretenimento.

Avaliação: muito bom
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