Crítica: 'Um Homem Chamado Ove' aposta no carisma do mau-humor


Os atores Bahar Pars e Rolf Lassgard interpretam os vizinhos Parvaneh e Ove no longa - Divulgação

Em "Um Homem Chamado Ove", filme sueco de Hannes Holm, Ove (Rolf Lassgard) é um viúvo de 59 anos cuja única diversão é tratar mal as pessoas ao redor. É um rabugento de primeira classe, daqueles que assustam só de olhar.

Acontece que o mau humor, no cinema, é uma das coisas mais carismáticas que existem. São muitos os personagens mal-humorados que conquistam o público, como atestam, por exemplo, as diversas versões cinematográficas do Conto de Natal, de Charles Dickens como resistir aosr. Ebenezer Scrooge?

Como exemplos bem trabalhados e mais ou menos recentes vêm logo à mente o personagem de Jack Nicholson em "Melhor É Impossível" (1997), de James L. Brooks, o de Eddie Marsan em "Simplesmente Feliz" (2008), de Mike Leigh, e o melhor de todos, o de Clint Eastwood em seu antológico "Gran Torino" (2008).

Embora por vezes pareça mais um monstro do que propriamente um mal-humorado, Ove pode muito bem entrar para essa galeria de rabugentos.

Quando perde o emprego, resolve botar fim à sua própria vida, mas os novos e turbulentos vizinhos sempre aparecem para frustrar seus planos. Eles funcionam como um sinal de que esse mal-humorado ainda não está em sua hora derradeira.

A vizinha iraniana, Parvaneh (Bahar Pars), que com ele tenta aprender a dirigir carros; as pequenas e adoráveis filhas dela, que sentem falta de um avô para contar histórias de maneira performática; uma senhora que pede ajuda para um conserto. Todos precisam de Ove, que vive como um gerente do pequeno condomínio onde mora.

Nesse tipo de filme, há sempre uma espécie de humanização do personagem bruto. Uma adaptação a uma nova configuração de vida. Aqui, temos também flashbacks que mostram felicidades e tragédias na vida de Ove, incluindo cenas de forte intensidade dramática.

Mesmo com seu caráter pouco sociável, Ove afeta de algum modo a vida de todos ao seu redor. Trata-se de um pequeno e simpático filme, com um personagem marcante.

Avaliação: bom

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem

Últimas

Ver mais