Crítica: 'Punhos de Sangue' tem boa interpretação de Liev Schreiber

Liev Schreiber vive Chuck Wepner, conhecido após protagonizar luta racial com Muhammad Ali *** ****
Liev Schreiber vive Chuck Wepner em 'Punhos de Sangue' - Divulgação


Quem vê a figura do ator grandalhão Liev Schreiber no pôster ou em fotos de divulgação de Punhos de Sangue vai imaginar que o filme não passa de mais uma dessas histórias edificantes sobre boxeadores em busca de sucesso ou redenção.

Nada disso. Lançado nos Estados Unidos no ano passado, sem muito estardalhaço e pouca bilheteria, é uma grande surpresa. Reúne um bom intérprete (Schreiber fez fama na série de TV Ray Donovan) e um personagem real com ótima história para contar, Chuck Wepner.

Seu nome não diz nada ao grande público, mas Wepner teve sua história de vida transformada num dos tipos mais conhecidos do cinema americano: o lutador Rocky Balboa. Sua trajetória inspirou Sylvester Stallone a escrever o roteiro do primeiro "Rocky" (1976). Stallone sempre contou que Wepner era o modelo para o personagem, mas nunca pagou a ele um centavo por isso.

Em 1975, o campeão mundial dos pesos-pesados Muhammad Ali decidiu enfrentar um oponente branco, para atrair público dando um tom de batalha racial à disputa do cinturão.

O ranking mundial era dominado por negros, e o branco mais bem colocado na lista era Wepner, lutador mediano que jamais chegaria, em outras condições, a um confronto desses. Inicialmente uma zebra, ele protagonizou uma duríssima luta de 15 assaltos com Ali. Isso deu a ele seus minutos de fama, uma amizade com Stallone e um casamento arruinado por bebida, cocaína e casos extraconjugais.

Mas a luta toma pouco tempo do filme. "Punhos de Sangue" é, na verdade, a narrativa dos anos seguintes na vida de Wepner e de todos os efeitos negativos que a fama repentina e desmedida pode causar a um homem simplório.

Schreiber está muito bem, tanto no deslumbramento do personagem diante do sucesso quanto em sua posterior descida ao fundo do poço. Naomi Watts, mulher do ator e coprodutora do filme, aparece linda e irreconhecível, com cabelos ruivos e longos, em corte típico dos anos 1970.

"Punhos de Sangue" não entra em nenhuma lista de filmes que mudam a vida de alguém, mas é uma história fascinante e bem contada na tela. Um projeto pessoal de Schreiber, que vinga como filme sincero e atraente.


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