Busca por tradutora de 'Alice no País das Maravilhas' guia documentário leve

Primavera das Neves, a desconhecida tradutora portuguesa que inspirou Jorge Furtado
Primavera das Neves, a desconhecida tradutora portuguesa que inspirou Jorge Furtado - Divulgação
Primavera das Neves, a desconhecida tradutora portuguesa que inspirou Jorge Furtado

Primavera das Neves, a desconhecida tradutora portuguesa que inspirou Jorge Furtado

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Avaliação: muito bom

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Ao folhear um exemplar de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, o diretor Jorge Furtado deteve-se no crédito de tradução do livro, onde se lia "Primavera das Neves".

Fascinado pela beleza do nome, ele se dispôs a descobrir quem havia sido essa tradutora. Da busca, nasceu o documentário "Quem É Primavera das Neves".

Nas últimas três décadas, o cineasta gaúcho dirigiu curtas como "Ilha das Flores" (1989) e longas como "Houve uma Vez Dois Verões" (2002). Entre seus trabalhos como roteirista na TV, está "Mister Brau", cuja terceira temporada é exibida pela Globo.

Nas mãos dele, contador de histórias de criatividade incomum, um filme sobre uma mulher pouco conhecida e discreta já seria um projeto a ser aguardado com expectativa. Afinal, Primavera não se encaixa no padrão de personagens com sagas capazes de despertar o entusiasmo do público.

No entanto, "Quem É...", também dirigido por Ana Luiza Azevedo, dá um passo adiante. Mais do que história de uma tradutora, é uma homenagem à língua portuguesa.

Primavera dominava inglês, francês, italiano, alemão e espanhol. Traduziu mais de 80 livros de autores clássicos, como Emily Dickinson, Vladimir Nabokov e Júlio Verne.

Recurso simples, mas aqui eficiente, o documentário cresce com as interpretações sensíveis da atriz Mariana Lima de textos traduzidos por Primavera.

São as leituras de Mariana que nos conduzem a uma antiga questão da literatura: até que ponto a beleza de um texto depende do talento do tradutor? A dúvida não é exposta assim, explícita. Não se trata de um filme de tese. Pelo contrário.

Como nos melhores trabalhos de Furtado, caso de "O Homem que Copiava" (2003), "Quem É..." dá aparência de ligeireza a uma trama de camadas diversas. Na obra dele, um cineasta da palavra, em geral mais afeito aos diálogos que às imagens, a leveza definitivamente não se confunde com a banalidade.

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