CRÍTICA: 'Tal Mãe, Tal Filha' desperdiça talento de Juliette Binoche



TAL MÃE, TAL FILHA (regular)
(Telle Mére, Telle Fille) 
DIREÇÃO Noémie Saglio.
ELENCO Juliette Binoche, Camille Cottin e Lambert Wilson
PRODUÇÃO França, 2017. 14 anos 
Veja salas e horários de exibição.

Será que Juliette  Binoche respirou fundo e olhou para seu Oscar e seu César na prateleira antes de dizer sim para fazer uma comédia popularesca? Ou pensou em sua personagem em "Tal Mãe, Tal Filha" como uma ousadia que mostraria seu desprendimento do ego?

O espectador da comédia francesa nunca saberá. Mas deve sair do cinema se perguntando por que diabos ela topou entrar nessa empreitada.

No filme, Binoche é Mado, uma cinquentona desempregada, enxuta, que usa uma jaqueta de couro como uniforme e mora de favor com a filha caxias, Avril (Camille Cottin) –uma mulher ansiosa que tenta subir na carreira de perfumista enquanto banca a vida do marido, o clássico acadêmico pateta.

A vida das duas segue na mais perfeita desarmonia até que a filha descobre estar grávida, e a mãe passa a não ter mais lugar na casa do casal. Meses depois, é a vez da futura vovó descobrir que em breve será mamãe. Instaura-se o caos enquanto a sociedade (e a própria família disfuncional) reage à gravidez serial.

Parece que o roteiro foi escrito por um moleque da quinta série B –há mais piadas fálicas por segundo do que num episódio de "A Praça É Nossa", ainda que uma dúzia delas arranquem risos. De resto, é como material de "Sessão da Tarde".

É preciso se lembrar o tempo todo de que essa é a mesma atriz que fez "O Paciente Inglês" e, mais recentemente, "Acima das Nuvens", de Olivier Assayas. La Binoche não está péssima, bem como o filme não é um desastre completo, mas usá-la num roteiro bobo desses é matar mosquito com bala de canhão.



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