"Um Sonho Possível" critica conservadores americanos em meio a melodrama

"Um Sonho Possível", à primeira vista, pode desanimar: leva a crer que se trata apenas de mais um melodrama norte-americano. Vale despender, no entanto, atenção a este filme, que estreia nesta sexta-feira (19) e constitui uma interessante crítica à conservadora sociedade dos EUA.

- Crédito: Divulgação

Originalmente intitulada "The Blind Side", a produção tem, como um de seus pilares, o futebol americano, um dos esportes mais populares no país. Com seu porte, a atividade é a única prática que Michael Oher (Quinton Aaron) domina. O afro-americano tem de lidar com a mãe alcoólatra e com o abandono. A ajuda de um vizinho, porém, o leva a uma escola frequentada pela classe média e alta da região, onde é aceito por seu potencial talento para o futebol americano.

Sem ter onde dormir, Oher perambula pelas ruas à noite e acaba por encontrar Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock), uma mãe de família dondoca afeita à caridade. Ela leva o rapaz para casa e lhe oferece o acolhimento físico e emocional que ele não tem.

O filme não se limita, porém, ao roteiro de inspiração clichê. Baseado em história verídica, o longa surpreende com pontuais sacadas irônicas relacionadas ao conservadorismo norte-americano. Em uma das cenas, por exemplo, Leigh Anne e seu marido comentam, após conhecer uma professora particular mais descolada, que nunca imaginavam conhecer algum democrata. Outro dos momentos revela que a mulher não abre mão de sair com uma pistola dentro da bolsa.

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Premiada com o Oscar

O personagem de Sandra Bullock, que rendeu à atriz um Oscar por sua atuação, encarna uma imagem caricaturesca da mulher média norte-americana. A relação maternal que estabelece com o frágil Oher, porém, revoluciona sua perspectiva de vida, colocando-a em choque com seu grupo de amigas igualmente dondocas e com os familiares.

É interessante como, ao longo do filme, o temor e o preconceito de Leigh Anne e sua família constroem uma aura de tensão em torno do rapaz. O receio de que Oher faça uma besteira e perca a nova vida se faz presente, ainda que ganhe contornos surpreendentes.

Não nos esqueçamos, porém, que "Um Sonho Possível" é um filme estreitamente alinhado com a era Obama e debruçado sobre a superação. Com um pouco de esforço, pode até levar às lágrimas.

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