Crítica: Peça infantil transforma utensílios em personagens

O espetáculo "Pequena Coleção de Todas as Coisas", da Cia. Dani Lima, cuja diretora, Dani, integrou a carioca Intrépida Trupe, recombina objetos ao acaso em performance gestual e sonora.

Destitui os utensílios cotidianos de sua função original e lhes atribui personagens que contam histórias fragmentadas.

O espaço de movimentação de quatro atores dançarinos é a caminhada entre sofá e embalagem de ovos, garrafa térmica e árvore de Natal.

Em "Pequena Coleção de Todas as Coisas", quatro atores dançarinos transformam utensílios em personagens.
Em "Pequena Coleção de Todas as Coisas", quatro dançarinos transformam utensílios em personagens - Crédito: Renato Mangolin/Divulgação

A não linearidade e encadeamento narrativo favorece uma espécie de enredo ao contrário, um "desenredo", dada a profusão de objetos no chão, em poucos móveis e outros suportes.

Um aspirador de pó se transforma em elefante, do mesmo modo que uma atriz usa o garfo para pentear os cabelos —metáforas também presentes em números circenses e contos de fada.

Em diferentes cenas, os bailarinos fazem música ao soar um chaveiro, brincam de picula (espécie de pega-pega) e imitam um cachorro. As peripécias nascem a partir de falas que se conectam com fragilidade semântica.

Cada um dos quatro artistas híbridos tem sua vez de falar. Como se declamasse, um deles diz o que levaria numa viagem à Lua: "Piano, salgadinho, fita métrica, martelo".

Avaliação: bom.
Indicação do "Guia": a partir de 5 anos.

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