Após 11 anos, 'O Ilha do Tesouro' sai de cartaz; leia entrevista com o diretor

Poucos esperavam que esse dia fosse chegar. Mas, depois de 11 anos, "O Ilha do Tesouro", peça em que crianças e adultos se aventuram juntos, fará sua última temporada até 11/12, sempre aos domingos.

"Muitas crianças que passaram por lá hoje são adultos e voltaram com seus irmãos menores", conta o diretor, Ricardo Karman. "É o fim de um ciclo. O Ilha cumpriu sua trajetória", diz.

Como a montagem requer uma instalação própria (um alçapão se abre, convidando os participantes a uma caça ao tesouro), não pode ser levada tão facilmente a outra cidade. A estrutura tem caminhos com barro, água e escadas de troncos de árvore.

Além disso, precisa de manutenção. "Criamos uma instalação gigante, mas não imaginávamos que duraria tanto tempo."

Teatro do Centro da Terra - R. Piracuama, 19, Perdizes, região oeste, tel. 3675-1595. 30 lugares. Dom.: 11h. Até 11/12.Ingresso: R$ 60 a R$ 120, p/ compreingressos.com. 

Espetáculo 'O Ilha do Tesouro'
Espetáculo 'O Ilha do Tesouro' - Marcelo Lemer/Divulgação


Leia a entrevista com Ricardo Karman, autor e diretor da peça:

'Guia': Por que "O Ilha do Tesouro" vai acabar?

Ricardo - Acho que tudo acaba um dia. O "Ilha" está praticamente há uma geração em cartaz, muitas crianças que passaram por lá hoje são adultas e estão voltando com seus irmãos menores. Ele cumpriu sua trajetória.  Achamos que estava no momento de dar uma parada –o teatro tem disso, tem ciclos, não pode continuar só por inércia. Queremos andar para frente.

Vocês sempre viveram da bilheteria?

Sim, estreou sem nenhum patrocínio e viveu 11 anos só da bilheteria. Este é outro ponto: a peça é uma instalação gigante, que foi feita para durar alguns anos, e ninguém imaginou que fosse durar uma década. Ela precisa de uma reforma grande, não adianta só fazer a perfumaria.

Não existiram outras peças neste formato de aventura. Por que, mesmo depois de tanto tempo, o "Ilha" continua atual?

Esse tipo de teatro é a pesquisa que eu faço há 30 anos, desde "Viagem ao Centro da Terra", que eu chamava de "expedição multimídia". O princípio é que o público seja o ator principal, seja o protagonista. Mas é muito difícil fazer isso, sobretudo quando pensamos no roteiro, já que você não vai ensaiar com o público, não sabe como ele vai reagir. Claro que a essa altura eu tenho um "know-how", sei como funciona. Mas lidar com essa imprevisibilidade é muito difícil, e é uma marca minha, bem autoral.

As crianças mudaram muito desde que o espetáculo estreou?

Tem uma coisa que mudou claramente nestes anos: o posicionamento das meninas. O espetáculo tem lutas de espada e brincadeiras que era mais clássicas para os meninos, que eles se identificavam mais. Hoje não existe mais isso, todos se envolvem perfeitamente –essa persona da menina delicadinha mudou. Elas estão se entregando igualmente ao jogo, e isso é ótimo.

Qual o segredo para manter uma peça por tantos anos em cartaz?

Por ser uma montagem que lida com a relação entre pais e filhos, acho que existe uma verdade muito grande nela. Eu fiz esse espetáculo quando meus filhos eram pequenos e procurei colocar tudo o que eu gostaria de fazer com eles. Além disso, o "Ilha" tem provas, travessias que as crianças superam e que acaba criando heróis.

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