Romance de Lygia Fagundes Telles ganha os palcos paulistanos

A adaptação da dramaturga Maria Adelaide Amaral para o livro homônimo "As Meninas", premiado romance da escritora Lygia Fagundes Telles, chega à cidade de São Paulo neste sábado (31), no Teatro Eva Herz-- região central da capital paulista--, às 21h.

Sob a direção de Yara de Novaes ("O Caminho para Meca" e "A Serpente"), a ideia da montagem começou quando os produtores Clarissa Rockenback e Fernando Padilha tomaram contato com o livro da escritora após um trabalho de faculdade e convidaram Maria Adelaide Amaral para a adaptação.

Mais conhecida pelo público por seus trabalhos para a TV Globo, como as minisséries "A Casa das Sete Mulheres" e "Queridos Amigos", Maria Adelaide transporta para o teatro a história de três jovens universitárias em transição para a vida adulta, que convivem em um pensionato de freiras no auge da ditadura militar.

O livro

A escritora Lygia Fagundes Telles, cujo livro "As Meninas" ganhou adaptação para o teatro - Crédito: Divulgação

"Não sabia que o livro tinha tantas qualidades dramáticas. A Lygia [Fagundes Telles] é ótima em ação dramática e diálogos. Ela me deu de mão beijada esse trabalho", afirma a dramaturga, que manteve o contexto histórico na adaptação. "Minhas interferências foram mínimas e foram aprovadas pela Lygia. Pincei trechos do romance e sintetizei alguns personagens. Como dizia o crítico Sábato Magaldi, teatro é a arte da síntese, e eu trabalho com isso o tempo todo. Fiz uma edição, buscando elementos no próprio texto."

Terceiro romance da escritora Lygia Fagundes Telles, "As Meninas", que lhe rendeu os prêmios Jabuti e APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), tem como pano de fundo as atrocidades cometidas durante a ditadura militar. Esse foi o primeiro assunto abordado em reunião entre a equipe do espetáculo e a escritora, que recebeu diretora, atores e produtores em sua casa para relatar o processo de criação do livro, publicado em 1973 e que ganhou reedição no início desse ano pela Companhia das Letras, com o acréscimo de três ou quatro linhas, e capa ilustrada pela artista plástica Beatriz Milhazes.

Lygia Fagundes Telles declarou ter adorado ver "As Meninas" nos palcos, mas não aprovou a coincidência de ter seu trabalho adaptado com o mesmo nome de uma peça escrita por Maitê Proença, que esteve em cartaz no Rio de Janeiro até o fim de setembro. Na época, a escritora deu declarações à imprensa dizendo ter se sentido roubada, e Maitê pediu desculpas à escritora, mas não mudou o nome de seu espetáculo.

A peça

A trama, que se passa no final dos anos 1960, em São Paulo, traz a aristocrática e romântica Lorena, interpretada por Clarissa Rockenbach, que deseja viver um grande amor com um homem mais velho e casado. Vivida por Silvia Lourenço, a idealista e guerrilheira Lia tranca a faculdade para lutar pela liberdade e sonha em reencontrar o namorado, preso político. Já a modelo Ana Clara (Luciana Brites) mergulha no mundo das drogas, mas acredita que um casamento com um homem rico possa libertá-la da dependência.

"A peça dá a possibilidade de reflexão, escancara a realidade e mexe em feridas que muitos querem esconder, mas não cai no melodrama", diz a atriz Tuna Dwek, que interpreta a freira Priscila, que, perplexa com a mudança dos costumes, se entrelaça à história principal das três garotas. "Apesar de retratar um contexto político, a obra trata de questões fundamentais, atemporais", completa a diretora Yara de Novaes.

No elenco, estão também a atriz convidada Clarisse Abujamra, no papel da fútil e atormentada Mãezinha, a mãe de Lorena, e Julio Machado, que dá vida a três personagens (Max, Guga e M.N), homens que são o apoio de todas essas mulheres. O espetáculo fica em cartaz até 13 de dezembro.

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