CRÍTICA: Francês 'O Melhor Professor da Minha Vida' trata de conflitos em sala de aula 

Cena do filme francês 'O Melhor Professor da Minha Vida'
Cena do filme francês 'O Melhor Professor da Minha Vida' - Divulgação


O MELHOR PROFESSOR DA MINHA VIDA (bom)
(Les Grands Esprits) 
DIREÇÃO Olivier Ayache-Vidal 
PRODUÇÃO França, 2017. 106 min. 12 anos
ELENCO Denis Podalydès, Léa Drucker e Zineb Triki
Veja salas e horários de exibição.


Filme de escola é um gênero que os franceses, e não somente eles, praticam há décadas como meio de enxergar em escala reduzida e concentrada seus conflitos sociais.

"O Melhor Professor da Minha Vida" segue o mesmo caminho do premiado "Entre os Muros da Escola" (2008), em que o embate de um professor com alunos rebeldes ou apáticos simboliza uma relação fraturada entre, de um lado, brancos, ricos e europeus, e, do outro, negros, árabes, pobres e oriundos das ex-colônias.

Olivier Ayache-Vidal, diretor e roteirista do longa, concebe um filme-mensagem, pautado por tópicos da agenda positiva.

O protagonista, imagem pronta do francês arrogante, passa por uma transformação quando sai de um liceu parisiense ultraelitista e vai dar aulas numa escola pública de periferia que reúne imigrantes de múltiplas origens.

Seu nome, senhor Foucault, refere-se obviamente ao filósofo que pensou as formas insidiosas do controle, da dominação e da repressão.

A convivência com essa outra França, excluída, recusada e, no entanto, presente, leva-o a reconsiderar sua visão, a suavizar a rigidez que ele impõe à turma.

À medida que amplifica seu conceito de educação, o professor deixa de se impor aos alunos e esforça-se para aprender com eles, criar comunicações e evitar a punição como solução única.

Essa virada do personagem é a mensagem política mais calculada, portanto mais limitada, do filme. Já o grupo disforme e multifacetado de alunos oferece opções mais vivas, que aliviam o peso do sermão.

O modo como Foucault e Seydou, um aluno-problema, tornam-se cúmplices, descobrindo que podem ser diferentes, mas não inimigos, e o olhar receptivo, avesso à ideia de ameaça, que o filme lança aos jovens traduzem as intenções positivas de maneira mais concreta e eficaz.

Além disso, a habilidade de retratar a sala de aula não como um campo de batalha torna "O Melhor Professor da Minha Vida" um filme salutar num momento em que resolver problemas passou a ser confundido com eliminá-los.

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