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Cinema

Longa de narrativa não linear traz o que existe de conflituoso na vida

'Marvin' tem direção de Anne Fontaine e Isabelle Huppert no elenco

Sérgio Alpendre

Marvin

  • Classificação 16 anos
  • Elenco Finnegan Oldfield, Grégory Gadebois, Vincent Macaigne e Isabelle Huppert
  • Produção França, 2017. 114 min
  • Direção Anne Fontaine

Veja as salas e horários de exibição.

​Marvin Bijoux é um jovem cujo maior sonho é ser ator de teatro. Esse sonho é uma forma de superar percalços da infância e da adolescência, sobretudo relativos a sua sexualidade.

Deste modo, “Marvin”, novo longa de Anne Fontaine, alterna diversas fases da vida do protagonista com rara felicidade, e assim acerta onde muitos erram: na construção de uma narrativa alinear.

Aqui, ao contrário, o espelhamento entre o Marvin jovem, vivido magistralmente por Finnegan, e o Marvin adolescente, interpretado com igual brilho por Jules, faz com que alguns momentos da vida do personagem sejam dramatizados com força incomum.

A paixão momentânea por uma colega de escola, a ignorância dos familiares, o envolvimento com um homem mais velho, a troca de nome, a encenação de uma peça autobiográfica, o reencontro com uma antiga professora, a desilusão com o meio teatral, as palavras tocantes de um professor de artes cênicas, a morte de um mentor.

O espelhamento, didaticamente reforçado pela direção, deixa claro o que se perdeu em Marvin. O que era pacato tornou-se apagado. O indeciso transformou-se em desiludido. O brilho da adolescência deu lugar a uma descrença consigo que o mina aos poucos.

Tudo é filmado com uma delicadeza que não esconde o que existe de conflituoso na vida. O elenco é muito bem escolhido, com destaque para Finnegan e Jules, além de Isabelle Huppert, como ela mesma, e Charles Berling, no papel de Roland, com quem Marvin teve um caso.

É necessário ressaltar também a montagem precisa de Annette Dutertre (que já havia trabalhado com Fontaine em “Agnus Dei”) e a direção de fotografia do veterano Yves Angelo.

É certo que o jovem Marvin é menos interessante que o adolescente. Talvez porque seu meio reflete um pouco da pompa artística francesa, enquanto o da adolescência merece um retrato mais vivo. E nesse caso a alternância entre tempos, e a radical alinearidade interna deles, ajuda o filme a se movimentar com fluidez, num ritmo envolvente entre as crises de cada etapa da vida, e de cada contexto em que o protagonista está inserido.

Anne Fontaine confirma sua evolução como diretora após o belo “Agnus Dei”. Ela que parecia fadada a repetir filmes insossos como “Natalie X” (2003) e “Coco Antes de Chanel” (2009), entre outros ainda menos animadores.

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