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'Família Addams' faz crítica à normalidade e às felicidades postiças da vida perfeita

São Paulo

Na origem dos personagens de “A Família Addams”, criados em 1938 pelo cartunista Charles Addams (1912-1988), fermentava a ambição de fazer uma crônica da vida americana em polo invertido. Os valores que sustentavam a sociedade de consumo dos Estados Unidos —tradição, família e propriedade, entre eles— ganharam tradução divertida em que as luzes davam lugar às sombras, e a felicidade era ser infeliz. Um universo fantástico, mas de traços cômicos, funcionando como um negativo da sociedade.

Essa pegada alimenta também a versão em animação que chegou aos cinemas, produção da MGM em associação com a produtora Bron —que está por trás do recente “Coringa”, também em cartaz na cidade.

Pense em um assunto relevante da pauta social, e é provável que ele esteja, de forma direta ou indireta, no filme. Fake news causando estragos em redes sociais? Está lá. Especulação imobiliária movida pelo desejo de obter máximos lucros no prazo mais curto possível, um dos mantras do capitalismo no século 21? Idem.

Os fãs do seriado dos anos 1960 e da versão para cinema de 1991, bem como das animações para televisão e da reencarnação do seriado nos anos 1990, terão prazer especial ao checar o que se manteve e o que se acrescentou à configuração clássica da família chefiada por Gomez (voz de Oscar Isaac na versão original) e sua mulher, Mortícia (Charlize Theron) —algumas salas de São Paulo exibem o filme legendado, com as vozes originais (veja salas e horários). 

Agora, eles decidem se recolher a um castelo num lugar pavoroso —sobrou para Nova Jersey, estado natal de Charles Addams— onde, acreditam, poderão viver infelizes sem ninguém normal por perto.

Eis que uma assumida perua de reality shows da TV (Allison Janney) resolve investir ali perto, e lá se vai a tranquilidade dos Addams, com direito a ironias sobre um certo modo de vida que inclui sorrisos pré-fabricados, felicidade postiça, shopping centers, a predileção pelo cor-de-rosa e outras coisinhas da sociedade de consumo. 

No fim, prevalece a ideia libertadora de que estranho mesmo é querer ser normal.

A Família Addams

  • Classificação Livre
  • Produção China/Reino Unido/EUA. 96 min.
  • Direção Greg Tiernan e Conrad Vernon

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