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Conheça dez cineastas para ficar de olho em 2021 e saiba onde ver seus filmes

Nomes incluem Ladj Ly, que dirigiu 'Os Miseráveis', e o brasileiro Matias Mariani, de 'Cidade Pássaro'

São Paulo

Depois do que aconteceu de o mundo ficar paralisado por causa da pandemia, é arriscado fazer projeções sobre qualquer assunto. No cinema, o calendário ficou confuso e ainda é cedo para marcar na agenda as estreias das principais produções deste ano.

Uma alternativa para acompanhar o que vem por aí é conhecer o trabalho de cineastas que têm ganhado destaque nos últimos tempos e beliscando seus primeiros prêmios, com produções que prometem deslanchar nos próximos anos.

Abaixo, conheça dez novos diretores e saiba como assistir aos seus principais trabalhos.

*

Alice Rohrwacher

Conhecida por retratar a vida de pessoas de origem simples na Itália, a cineasta italiana de 39 anos vem ganhando projeção desde seu primeiro filme, "Corpo Celeste", de 2011, sobre uma adolescente em conflito com a família e a religião. Seu segundo longa "As Maravilhas", de 2014, venceu o prêmio de júri em Cannes e retrata uma família de apicultores que participa de um reality show. O mais recente, "Lazzaro Felice", de 2018, foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e levou o prêmio de melhor roteiro.

Lazzaro Felice
Itália/França/Suíça/Alemanha, 2018. Com: Adriano Tardiolo, Alba Rohrwacher e Tommaso Ragno.
Inspirado em passagens bíblicas, o filme acompanha um jovem bondoso que faz de tudo para ajudar e agradar as pessoas à sua volta —para isso, se submete a horas de trabalho e passa por situações constrangedoras. Ao acordar depois de um acidente, Lazzaro percebe que tudo mudou.
Na Netflix


Alma Har'El

Aos 44 anos e com uma carreira consolidada como diretora de videoclipes e comerciais, a israelense começou no cinema com curtas e documentários. Na não ficção, dirigiu os premiados "Bombai Beach", de 2011, que retrata uma comunidade pobre localizada em uma praia artificial na Califórnia, e "LoveTrue", de 2016, sobre como pessoas de diferentes culturas percebem o amor. "O Preço do Talento", também encontrado como "Honey Boy", de 2019, é seu primeiro longa de ficção, com roteiro de Shia LaBeouf, que já havia colaborado com ela na produção "LoveTrue". Pela direção de seu filme mais recente, Har'El foi premiada pelo DGA, o sindicato dos diretores de cinema dos Estados Unidos.

O Preço do Talento
EUA, 2019. Com: Shia LaBeouf, Lucas Hedges e Noah Jupe.
Otis é um ator mirim que tem uma infância difícil ao lado do pai alcoólatra e violento. Quando cresce e começa a fazer terapia, ele percebe os danos provocados pela sua criação conturbada e tenta se reconciliar com o pai, de quem ainda guarda muitas mágoas.
No Apple TV+, Now, Vivo Play e YouTube Movies

Cena de "O Preço do Talento (2020), de Alma Har'El
Cena de "O Preço do Talento (2020), de Alma Har'El - Divulgação

Ari Aster

Os fãs de filmes de terror podem se sentir injustiçados com Ari Aster numa lista de nomes para se ficar de olho, uma vez que o americano já faz grande sucesso. Mas o fato é que o cineasta de 34 anos despertou interesse ao refrescar o gênero com os longas "Hereditário", de 2018, sobre uma família que precisa lidar com o destino macabro após a morte da matriarca, e "Midsommar", de 2019, que acompanha as celebrações de uma comunidade fictícia na Suécia. Ambos foram sucesso de crítica e de bilheteria —e a expectativa é que novos filmes do diretor sigam o mesmo padrão.

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite
EUA, 2019. Com: Florence Pugh, Jack Reynor e Will Poulter.
Depois de viver uma tragédia familiar, uma estudante aceita o convite do namorado para viajar com um grupo de amigos para viver em uma comunidade na Suécia e participar das festividades locais. Mas o passeio que tinha o objetivo de espairecer acaba se tornando um pesadelo.
No Amazon Prime Video, Apple TV+, Google Play, Now, Vivo Play e YouTube Movies
Leia a crítica.


Bi Gan

Com só dois longas no currículo, o cineasta chinês de 31 anos tem despertado o interesse da crítica ao apresentar sequências longas sem cortes e enredos intrigantes. Seu primeiro longa, "Kaili Blues", de 2015, foi premiado em Locarno e acompanha a viagem de um ex-condenado em busca do sobrinho que foi vendido pelo pai. O mais recente, "Longa Jornada Noite Adentro", de 2018, foi premiado com o Cavalo de Ouro em Taiwan.

Longa Jornada Noite Adentro

China/França, 2018. Com: Tang Wei, Huang Jue e Sylvia Chang.
Um homem retorna à cidade de onde fugiu 12 anos antes e começa a ter lembranças de uma mulher que conheceu no passado. As memórias se misturam com o presente e futuro em uma jornada que revela detalhes da vida do homem. O longa usa técnicas de filmagem em 3D.
Na Netflix e Now
Leia a crítica.

Carol Benjamin

Documentários são a praia da roteirista e cineasta brasileira, que já produziu títulos como "As Mil Mulheres", de 2018, sobre o ativismo de artistas feministas, "Capoeira, um Passo a Dois", de 2017, que retrata a percepção da capoeira fora do Brasil, e "Divinas Divas", de 2016, com direção de Leandra Leal, que conta a história da geração de travestis brasileiras que despontaram nos anos 1960. Seu mais recente longa, "Fico Te Devendo uma Carta Sobre o Brasil", mostra como a ditadura militar no país afetou e continua a influenciar a família da cineasta. O filme ganhou menção especial do júri no Festival de Documentários de Amsterdã.

Fico Te Devendo uma Carta Sobre o Brasil
Brasil, 2019.
O documentário acompanha três gerações de uma família com história marcada pela ditadura militar no Brasil. Exibido no ano passado no festival É Tudo Verdade.
No Globo Play, Oi Play e Vivo Pay
Leia a crítica


Ladj Ly

O cineasta nascido em Mali estreou com um dos maiores prêmios do cinema. Seu primeiro longa de ficção, "Os Miseráveis", de 2019, dividiu o prêmio do júri em Cannes com "Bacurau", de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. O filme é inspirado num curta de 16 minutos com o mesmo nome dirigido e coescrito por Ly em 2017. Antes do longa, o artista de 42 anos já havia dirigido outros curtas e colaborado com produções para a televisão.

Os Miseráveis
França, 2019. Com: Damien Bonnard, Alexis Manenti e Djibril Zonga.
Nos primeiros dias de um policial com sua nova equipe, que atua no combate ao crime nas periferias de Paris, acontecimentos pouco convencionais provocam uma intensa onda de violência. A relação entre as gangues rivais é intermediada pelos oficiais, que agem de maneira duvidosa. O filme é inspirado nos protestos de 2005 e 2006 nos subúrbios parisienses.
No Apple TV+, Google Play e YouTube Movies
Leia a crítica


Mati Diop

Antes de escrever e dirigir seu primeiro longa de ficção, "Atlantique", em 2019, Mati Diop trabalhou com curtas e documentários —caso de "Mil Sóis", de 2013, sobre um popular ator senegalês que se afastou das telas e se tornou fazendeiro, além de ter sido atriz. Ao vencer o prêmio do júri em Cannes, a cineasta francesa de origem senegalesa se tornou a primeira mulher africana premiada pelo festival.

Atlantique
França/Senegal/Bélgica, 2019. Com Mama Sané, Abdou B. e Ibrahima Mbaye.
Ada é uma adolescente senegalesa prometida em casamento para um homem rico. Quando seu verdadeiro amor, um pedreiro, desaparece no oceano, ela faz de tudo para descobrir seu paradeiro e demandar justiça. O filme discute a questão da migração pela percepção dos jovens.
Na Netflix

Cena de "Atlantique" (2019), de Mati Diop
Cena de "Atlantique" (2019), de Mati Diop - Divulgação

Matias Mariani

Antes do drama "Cidade Pássaro", de 2020, o cineasta paulistano dirigiu o documentário "A Vida Privada dos Hipopótamos", de 2014, sobre um americano que viaja à Colômbia para procurar os hipopótamos de Pablo Escobar. Aos 41 anos, ele também produziu filmes como "O Cheiro do Ralo", de 2006, de Heitor Dhalia, e o drama "Sonhos de Peixe", de 2006, de Kirill Mikhanovsky.

Cidade Pássaro
Brasil/França, 2020. Com: OC Ukeje, Indira Nascimento e Paulo André
Ao receber a notícia do desaparecimento do irmão em São Paulo, Amadi viaja da Nigéria para o Brasil para o tentar encontrá-lo e entender o que aconteceu, mas acaba se surpreendendo com as descobertas. Exibido na 44ª Mostra Internacional de São Paulo.
Na Netflix
Leia a crítica


Sam Levinson

Nome conhecido entre os mais jovens pela direção da série "Euphoria", da HBO, Sam Levinson também tem histórico promissor com longas de ficção. Além de "País da Violência", de 2019, dirigiu "Bastidores de um Casamento", de 2011, sobre uma mulher que vai ao casamento do filho, com quem mantém uma relação distante. O americano de 35 anos foi ainda um dos responsáveis pelo roteiro de "O Mago das Mentiras", de 2017, com Robert De Niro e Michelle Pfeiffer. Durante a quarentena, escreveu e dirigiu o drama "Malcolm e Marie", protagonizado por John David Washington e Zendaya e previsto para estrear na Netflix em fevereiro.

País da Violência
EUA, 2019. Com: Odessa Young, Suki Waterhouse e Hari Nef.
Uma pequena cidade americana vira de cabeça para baixo quando um hacker expõe a intimidade de um grupo de jovens. Furiosas, quatro amigas planejam uma violenta vingança contra aqueles que se aproveitaram delas.
No Apple TV+, Google Play, Looke e YouTube Movies

Cena de "País da Violência" (2018), de Sam Levinson
Cena de 'País da Violência' (2018), de Sam Levinson - Divulgação

Sean Baker

Apesar de assinar produções desde o início dos anos 2000, como a série de televisão "Greg The Bunny", de 2005, são os trabalhos mais recentes do cineasta americano que chamam a atenção. Além do premiado "Projeto Flórida", de 2017, dirigiu "Tangerina", de 2015, sobre uma prostituta que passa a véspera de Natal procurando seu cafetão, e "Uma Estranha Amizade", de 2012, que retrata a relação entre uma jovem de 21 anos e uma idosa.

Projeto Flórida
EUA, 2017. Com: Brooklynn Prince, Bria Vinaite e Willem Dafoe.
Moonie, de seis anos, passa seus dias brincando com outras crianças no estacionamento do hotel de beira de estrada em que mora com a mãe, uma adolescente rebelde. A vida das duas é marcada por fast food, poucas regras e dificuldades para pagar o aluguel, uma realidade que passa despercebida pelos turistas que visitam os parques da Disney, que ficam ali perto.
No Amazon Prime Video, Apple TV+, Google Play e YouTube Movies
Leia a crítica

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