Público sorteia papéis que atores devem interpretar em peça infantil

A fábula política "Chiquita Bacana no Reino das Bananas", escrita em 1977 por Reinaldo Maia, um dos fundadores do grupo Folias, tem texto provocador que dialoga bem com a atualidade.

Com direção de Dagoberto Feliz, os atores têm seus papéis escolhidos por sorteio pela plateia.

A peça questiona como se constrói uma história na figura do Narrador, que aborda o quanto é possível ser neutro (ou alienado) ao narrar um acontecimento —real ou imaginário.

Espetáculo Chiquita Bacana no Reino das Bananas
Na peça, todo o elenco veste preto, com camisa, calça e saia por cima; figurino é de Fause Haten - Crédito: Divulgação

Com um tom de absurdo à la Lewis Carroll, o Narrador chega ao Reino das Bananas, onde quem manda é Rei Leonino, um déspota charadista que proíbe o povo de comer a fruta que por lá dá em abundância. Chiquita Bacana desobedece o rei e acaba na prisão.

Até então "maioria silenciosa", a bicharada resolve fazer algo para mudar a situação nesse reino onde o elefante já vendeu sua memória e um coelho apressado só marca a hora conveniente ao rei. A música acentua o texto irônico.

No figurino homogêneo de Fause Haten, todo o elenco veste preto, com camisa, calça e saia por cima, o que destaca ainda mais expressões e gestos, deixando a criança livre para imaginar.
O espetáculo termina num tribunal em que a plateia tem de decidir o fim da história. Para quem duvida do entendimento das crianças sobre as camadas políticas do texto, vale ficar atento às observações que elas tecem no final.

Avaliação: muito bom.

Indicação: a partir de 6 anos.

Galpão do Folias - r. Ana Cintra, 213, Santa Cecília, tel. 3361-2223. 80 lugares. Sáb. e dom.: 11h. Até 12/6. Ingr.: R$ 20.

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