Autor de "Salomé", Richard Strauss teve berço de ouro

Muitas vezes confundido por leigos com o famoso sobrenome vienense, o alemão Richard Strauss, autor de "Salomé", ópera que será tocada e encenada esta noite na Sala São Paulo, nasceu em berço de ouro musical. Seu pai, Franz, era um virtuose trompista, que tocou com o já então mitológico Richard Wagner. Desde cedo, o pai dirigiu o pequeno Strauss para que o resultado fosse inequívoco. Aos dez anos o menino já era exímio flautista e harpista. Foi educado para ser uma pessoa vencedora.

Para mundana e contemporânea comparação: entre os séculos 17 e 19, os pais que sabiam ser agraciados com pequenos gênios investiam nos rebentos com o mesmo empenho que empresas hoje investem em obras preciosas. Como na Europa não havia, digamos, "licitação" para a contratação de músicos, a ação paterna era dirigida e o resultado, inequívoco.

Foi essa a estratégia dos pais de Mozart e Beethoven, por exemplo. O genitor deste último, inclusive, diminuía a idade do filho criança em dois anos, para que a platéia se impressionasse mais com o talento do precoce pianista e violinista. O resultado: podia ser doce ao pai, mas, aos filhos era eventualmente (sic) amargo.

Já músico prolífico, Strauss reforçou a correia musical tecida pelo mestre Joseph Haydn. Seu auge musical foi longo. A fama do alemão cresceu espantosamente entre seus 22 e 34 anos. Mais tarde, na casa dos 60, já consagrado, deu concertos no Rio e em São Paulo (isso final da década de 20).

Assim como o mestre, Strauss elevou a sinfonia a um nível superior de arte. Deixou obra refinada, que respira, quase uma fotossíntese romântica. Se sua linha melódica tivesse uma cor, seria verde. Já seus poemas sinfônicos, para muitos amantes da música soam tão sólidos como trilho e concreto.

Entre músicos, cantores e toda a equipe de produção, são cerca de 190 pessoas envolvidas na apresentação de "Salomé". Strauss tem milhões de fãs em todo o mundo, mas pouco mais de 4.000 pessoas terão o privilégio de assistir às três récitas, hoje, sábado e segunda-feira na Sala São Paulo. Os ingressos, de até 100 reais, estão esgotados.

Furo

O resultado da licitação para a construção da via permanente 2-Verde do Metrô foi antecipado pela Folha Online oito horas antes da abertura dos envelopes, ontem, em São Paulo. O nome da vencedora e detalhes do processo foram ocultados neste texto sobre a ópera "Salomé", que entrou em cartaz ontem na Sala São Paulo.

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