Descrição de chapéu Análise
Cinema

Festival de documentários É Tudo Verdade segue como espelho da realidade em 30º edição

Evento vai até dia 13 e oferece títulos que abordam temas atuais, como os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio

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São Paulo

"O cinema mostra uma realidade da vida, né?", diz com certa inocência, já nos créditos, uma das vítimas registradas em "Rua do Pescador, Nº 6", longa de Bárbara Paz que acompanha parte da tragédia provocada pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Mas se é esperado que o cinema espelhe o que acontece na sociedade, quem sai na frente nesta busca é o gênero documentário, razão de ser do É Tudo Verdade, principal festival da América Latina dedicado aos filmes de não ficção e que chega à marca de 30 anos de muita verdade —e acontece até dia 13 de abril.

Cena de 'Sob as Bandeiras', filme em exibição no festival 'É Tudo Verdade' de 2025
Cena de 'Sob as Bandeiras', filme em exibição no festival 'É Tudo Verdade' de 2025 - Divulgação

Como habitualmente acontece, grandes temas da atualidade estão integrados à grade do evento. Neste ano (de novo), o conflito da Ucrânia ganha nova perspectiva em "A 2.000 Metros de Andriivka", de Mstyslav Chernov, e "A Invasão", de Sergei Loznitsa.

"Esperando Por Liat", de Brandon Kramer, retrata uma família israelense-americana em busca de informações sobre Liat e seu marido, sequestrados do kibutz na invasão do Hamas, em 2023.

Já "Culpar", de Christian Frei, apresenta três cientistas que previram o coronavírus muito antes da pandemia —mas, além da Covid, precisam lutar contra a desinformação.

No nosso quintal, além da tragédia gaúcha retratada por Bárbara Paz, temos as questões indígenas em xeque diante da eleição presidencial, em 2022, no longa "Minha Terra Estrangeira", de João Moreira Salles, em parceria com o Coletivo Lakapoy e Louise Botkay; ou estudantes falando de feminicídio e racismo em "Hora do Recreio", de Lúcia Murat.

Há também espaço no festival para perfis prosaicos, como o do mexicano César Fierro, em "A Liberdade de Fierro", de Santiago Esteinou, sobre o homem que passa 40 anos na prisão alegando inocência e, ao sair, enfrenta um isolamento devido à covid enquanto procura seu lugar no mundo.

Mas, diante de tanta fartura, engana-se quem acha que é fácil montar a programação. Ao contrário, "ficou mais difícil", confessa Amir Labaki, fundador do evento. Nesses 30 anos, o avanço do digital ampliou o acesso às produções, o que se reflete no número de inscritos no festival. "Mas é muito desafiador e, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade e um enorme prazer."

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