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'Chaves - Uma Aventura no Circo' desperdiça a nostalgia da série entre um malabarismo e outro

Espetáculo em cartaz em SP faz mistura desconexa do seriado mexicano com o mundo circense

Chaves - Uma Aventura no Circo

  • Quando Qui. e sex., às 20h; sáb., às 15h, 17h30 e 20h30; dom., às 15h e 18h. Até 28/8
  • Onde Mooca Plaza Shopping - r. Cap. Pacheco e Chaves, 313, Vila Prudente, região leste
  • Preço R$ 50 a R$ 140
  • Elenco Luiz Rodrigues, Renan Souza e Vivi Bertocco
  • Direção Zé Henrique de Paula
  • Link: https://www.ticketson.com.br/circo-do-chaves

Uma garotinha se alegra ao ver que Chaves, personagem que ela adora, aparece de repente no seu quarto. Depois de um papo, os dois param para observar uma mulher se pendurar num trapézio.

A cena não faz muito sentido. E quem está na plateia do espetáculo "Chaves - Uma Aventura no Circo" começa a se empolgar de verdade só depois, quando surgem no palco os personagens Quico, Dona Florinda, Seu Madruga e outras figuras do seriado mexicano. Num cenário que imita a clássica vila, eles se juntam para cantar a música de abertura da série, trazida ao Brasil pelo SBT na década de 1980.

Em 'Chaves - Uma Aventura no Circo', personagens do seriado mexicano se misturam com elementos circenses no palco
Em 'Chaves - Uma Aventura no Circo', personagens do seriado mexicano se misturam com elementos circenses no palco - Stephan Solon/Divulgação

Mas essa nostalgia logo dá lugar ao tédio nas quase duas horas de duração do espetáculo, em cartaz no Mooca Plaza Shopping, na zona leste de São Paulo. Misturando personagens a atrações circenses, o resultado, como era de se esperar, é a sensação de que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Na peça, Chaves e a tal garotinha se juntam aos outros moradores em esquetes curtas e engraçadinhas. Isso é o que interessa e o que o público quer ver, mas as cenas aparecem recheadas de longas performances de malabaristas, contorcionistas e equilibristas, em sequências desconexas com a história. Tanto que os artistas circenses precisam pedir por aplausos o tempo todo, enquanto a turma do Chaves é ovacionada.

É o caso de Dona Florinda e Professor Girafales, por exemplo, que têm na trama um daqueles seus encontros apaixonados. Quando parece que a coisa vai engrenar, o clímax é cortado —e eles param sua encenação para observar um casal se balançar em pedaços de pano, enquanto uma música romântica toca ao fundo.

É claro que o problema está no contexto, e não nos artistas circenses, que, aliás, têm mesmo habilidades impressionantes e promovem números muito bem executados.

Em 'Chaves - Uma Aventura no Circo', personagens do seriado mexicano se misturam com elementos circenses no palco
Dona Florinda e Professor Girafales observam artistas balançarem pendurados em pedaços de pano - Stephan Solon/Divulgação

Os atores que interpretam a turma do Chaves também surgem bem, sem forçar a barra para imitar os bordões e os trejeitos dos personagens. Pena que na apresentação de sábado, dia 9, os fãs da Chiquinha saíram decepcionados, já que ela foi a única do seriado que não apareceu.

A produção explicou que a atriz que vive a menina chorona recebeu diagnóstico positivo para Covid-19, enquanto sua substituta também estava doente no dia.

A ausência gerou um ruído nos espectadores, mas diversos outros personagens clássicos desfilaram para a plateia, numa espécie de multiverso de Roberto Bolaños, o criador de "Chaves" –sem dar muitos spoilers, até Chapolin Colorado faz uma rápida participação.

Apesar disso, a história confusa faz lembrar outro clássico do programa, a frase dita por Chaves num dos episódios mais famosos: "Teria sido melhor ir ver o filme do Pelé".

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