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Um dos favoritos ao Oscar de filme estrangeiro, 'Cafarnaum' narra luta pela sobrevivência

Filme da libanesa Nadine Labaki acompanha criança que processa os próprios pais

Sérgio Rizzo
São Paulo

Cafarnaum

  • Classificação 16 anos
  • Elenco Zain Al Rafeea, Yordanos Shiferaw e Boluwatife Treasure
  • Produção Líbano/EUA, 2018. 120 min
  • Direção Nadine Labaki

O calvário de fundo autobiográfico a que François Truffaut submete seu personagem Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) em “Os Incompreendidos” (1959), clássico da infância no cinema, parece coisa de pequeno-burguês parisiense perto do que o menino Zain (Zain Al Rafeea) enfrenta em “Cafarnaum”. Um dos favoritos ao Oscar de filme estrangeiro (as indicações saem na próxima terça, 22), o longa recebeu os prêmios do júri oficial, do júri ecumênico e o de Cidadania no Festival de Cannes em 2018.

A diretora, roteirista e atriz libanesa Nadine Labaki (“Caramelo”) levou também, entre muitos outros, o prêmio do público na Mostra Internacional de São Paulo do ano passado por esse drama, que guarda relação mais direta com outros filmes em que crianças lutam pela sobrevivência —sob os olhares indiferentes ou sob a sanha aproveitadora de adultos.

Os cenários de miséria material e moral se replicam em obras como “Alemanha, Ano Zero” (1948), de Roberto Rossellini, “Os Esquecidos” (1950), de Luis Buñuel, e “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1981), de Hector Babenco.

 

“Cafarnaum” (caos) é ambientado em uma área da região metropolitana de Beirute, capital do Líbano, que mais parece uma sucursal do inferno. Zain nasceu em uma família numerosa e precisa ajudar em casa. Além de trabalhar, ele funciona como um esteio precoce para alguns irmãos, preocupado com o que pode lhes acontecer na primeira esquina, e assume responsabilidades que seriam dos pais.

A certa altura, uma fagulha incendeia as relações já esgarçadas da casa e Zain dá um salto no abismo: o que já era um cotidiano pesadíssimo vai se tornando um martírio que seria insuportável até mesmo para muitos adultos. Mas o menino tem uma chama que o faz resistir bravamente às dificuldades, e o filme extrai dessa capacidade inesgotável de continuar a se mover o principal trunfo para envolver o espectador.

Labaki combina denúncia sociopolítica — que inclui a pauta dos refugiados— com uma abordagem dolorosa de laços familiares, em que viver se configura como uma aventura solitária e ameaçadora.

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