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Cinema

Comédia romântica 'Talvez uma História de Amor' surpreende com toque de ousadia

Filme propõe narrativa formada por um quebra-cabeças bem-humorado

Marina Galeano
São Paulo

Talvez uma História de Amor

  • Classificação 16 anos
  • Elenco Mateus Solano, Thaila Ayala e Bianca Comparato
  • Produção Brasil, 2018. 101 min.
  • Direção Rodrigo Bernardo

Veja salas e horários de exibição.

Poderia ser apenas mais uma comédia romântica brasileira buscando seu lugar ao sol. Mas “Talvez uma História de Amor” estreia nos cinemas com certa vantagem ao inverter a ordem dos fatores e lançar um ponto de interrogação logo na abertura.

Baseado no livro homônimo do francês Martin Page, o filme do diretor Rodrigo Bernardo propõe uma narrativa formada por um quebra-cabeças bem-humorado, que reconstrói um romance a partir do desfecho.

Virgílio (Mateus Solano) tem tanto pavor de mudanças que rejeita uma promoção no trabalho para não precisar alterar o imposto de renda. Ainda usa celular-tijolo, videocassete, rádio-relógio e secretária eletrônica. 

E é o equipamento jurássico de gravação de recados o culpado por virar a vida do rapaz de cabeça para baixo.

Numa noite qualquer, Clara deixa uma mensagem melancólica terminando o relacionamento com o publicitário. A questão é que ele não faz a menor ideia de quem seja essa tal de Clara. O público, tampouco.  

Sempre na cola de Mateus Solano —que compõe um personagem cheio de nuances e transita do riso à aflição com grande naturalidade—, o espectador é instigado a refazer os passos do protagonista, em uma jornada que respira os ares de “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança” (2004). 

Metódico e solitário, Virgílio também carrega ingredientes de Melvin, papel de Jack Nicholson em “Melhor É Impossível” (1998).

Durante sua saga, ambientada na paisagem paulistana, o desmemoriado conta com uma coleção de coadjuvantes para ajudá-lo a encaixar as peças soltas. 

Tirando os excessos, esses encontros incrementam a trama e rendem momentos divertidos. É o caso de Gero Camilo, Bianca Comparato e Cynthia Nixon (a Miranda do seriado “Sex and the City”). 

Com uma produção cuidadosa —da trilha sonora à fotografia—, “Talvez uma História de Amor” se rende aos clichês do gênero na parte final, mas isso não tira seu charme. Até chegar na água com açúcar, a plateia é mantida em um estado de suspense e surpreendida por um toque de ousadia e originalidade. 

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