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Representante do México na corrida pelo Oscar, 'A Camareira' ganha e perde pelo comedimento

Drama marca a estreia de estreia Lila Avilés na direção de longas

São Paulo

A Camareira

  • Classificação 14 anos
  • Elenco Gabriela Cartol, Agustina Quinci e Teresa Sánchez
  • Produção México, 2018. 12 min
  • Direção Lila Avilés

O quarto mostra uma bagunça total, signo do descaso de quem sabe que não vai recolher os vestígios. A encarregada dessa missão é Evelia. Em sua estreia na direção de longas, Lila Avilés acompanha o cotidiano da jovem Eve, como é conhecida, camareira num hotel de luxo na Cidade do México.

Vemos como ela deixa os travesseiros lisinhos e se interessa pelos rastros de quem neles se deitou. Conhecemos também suas ambições. Quer um posto num andar mais caro, o que lhe garantiria salário melhor. E, numa concessão a sua individualidade, cobiça um vestido esquecido por uma hóspede.

Entendemos que ela mal consegue ver o filho e que precisa trabalhar mais para pagar a moça que cuida do filho para que ela trabalhe.

Aprendemos que é reservada, tentando se manter apartada do convívio daqueles que, como ela, trabalham para refazer a atmosfera de conforto que os hóspedes desfazem.

É no retrato dos hóspedes que Avilés pesa um pouco a mão. Haverá uma mãe tão sem noção ou em algum hotel mundo afora alguém que consuma tantos vidrinhos de xampu quanto o VIP do 2.146? 

É muito pouco que o filme escorrega para longe da contenção quase total que pretende e exala —e pela qual tem sido elogiado pela crítica por onde passou. “A Camareira” é o representante mexicano na corrida pelo Oscar de filme internacional, vencido na última edição pelo compatriota “Roma”.

Caberia, aliás, indagar se, fosse o diretor homem e não latino, a austeridade e a negação das emoções estariam no centro da apreciação do longa. Avilés, embora o cômputo geral seja favorável, faz uma opção arriscada. Há um fio tênue entre a sobriedade e o tédio. 

Eve não solta mais do que um suspiro resignado diante do desmazelo ou da frieza dos clientes, e vale dizer que sua intérprete, Gabriela Cartol, capta com brilho o espírito que o filme quer imprimir. Mesmo nos momentos em que algum sentimento aflora, o gestual é comedido.

Lá fora, a cidade se descortina pelas grandes janelas dos quartos. A cada vez que aparece sua imensidão, nos lembramos de como é mirrado o dia a dia de Evelia. 

Quando o ar por fim entra, não é como um tufão ou com o ímpeto de um grito represado, mas apenas como uma leve lufada entre um abrir e fechar de portas.

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