CRÍTICA: 'Terra Selvagem' usa analogias batidas para abordar investigação de assassinato



TERRA SELVAGEM (regular) 
(Wind River) 
DIREÇÃO Taylor Sheridan 
PRODUÇÃO EUA, 2017. 108 min. 16 anos. 
ELENCO Elizabeth Olsen, Jeremy Renner e Kelsey Asbille
Veja salas e horários de exibição.


É sobre um equilíbrio incessante entre frieza e emoção que "Terra Selvagem", segundo longa-metragem do ator e roteirista americano Taylor Sheridan, está estruturado.

Natalie (Kelsey Asbille), uma adolescente índia, é cruelmente violentada e assassinada. Seu corpo é encontrado pelo caçador de predadores Cory Lambert (Jeremy Renner), já congelando, no meio da neve.

Como é um caso de assassinato dentro de uma reserva indígena, Wind River, pertencente a um Estado dos EUA (Wyoming), o FBI é chamado. O descaso das autoridades é tamanho, que mandam uma única agente inexperiente para o caso.

Não é culpa de Jane Benner (Elizabeth Olsen), que se envolve de corpo e alma em seu trabalho, tendo que aprender a lidar com o machismo de uma região dominada por homens aparentemente brutos, e, num segundo estágio, aprender que esses brutos também têm sentimentos.

É curioso o caso de Taylor Sheridan. Ator de séries de TV, estreou na direção em 2011 com um exercício de horror chamado "Vile". Em 2015, iniciou carreira de roteirista profissional com "Sicário: Terra de Ninguém", dirigido por Denis Villeneuve.

Por seu segundo roteiro, "A Qualquer Custo", de David Mackenzie, foi indicado ao Oscar. Tornou-se, curiosamente muito cedo, uma espécie de roteirista-autor, com obsessões e temas de sua preferência.

O passo seguinte foi voltar à realização, desta vez com um roteiro de sua própria autoria. Chegamos então a este "Terra Selvagem", reputado como o terceiro da chamada "Trilogia da Fronteira".

Sheridan faz aqui um filme "em branco", podemos dizer, uma vez que há neve por toda a parte. Até mesmo o figurino de Cory durante boa parte do filme é branco, para se camuflar na neve e surpreender a presa.

Esse branco, claro está, representa a pureza, a inocência, manchada pelo vermelho do sangue, da violência. Nada nova essa analogia, mas Sheridan se agarra a ela na tentativa de tingir seu filme de alguma profundidade (lembrar, por exemplo, das conversas sobre a dor do luto entre Cory e o pai de Natalie).

Seria interessante que atentasse mais ao comportamento da câmera, ferramenta ainda essencial para a realização cinematográfica (pelo menos para aquela que não está sob a classificação de experimental).

Pois a câmera do filme, em grande medida, parece operada por um amador, o que ameaça o equilíbrio inicialmente pretendido e provoca uma aparência sutil, mas sensível, de falta de controle.



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