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Cinema

Tatá Werneck é chave do êxito de despretensiosa comédia 'Uma Quase Dupla'

Bom desempenho de Cauã Reymond equilibra filme do diretor Marcus Baldini

Naief Haddad
São Paulo

Uma Quase Dupla

  • Classificação 12 anos
  • Elenco Cauã Reymond, Tatá Werneck e Valentina Bandeira
  • Produção Brasil, 2018. 90 min
  • Direção Marcus Baldini

Veja salas e horários de exibição.

No cinema americano, as comédias protagonizadas por uma dupla de policiais formam um subgênero consolidado. O bem-sucedido “Homens de Preto” (1997), com Tommy Lee Jones e Will Smith, e suas duas sequências são prova disso.  

Embora o cinema brasileiro registre nas últimas duas décadas uma produção contínua de comédias, de longe o gênero mais rentável, esse filão que une humor, parceiros de temperamentos opostos e investigação de crimes praticamente inexiste por aqui. Ao se arriscar nesse terreno, o recém-lançado “Uma Quase Dupla” se sai bem.

O êxito do filme dirigido por Marcus Baldini (“Bruna Surfistinha”) se deve, em grande parte, a Tatá Werneck. Ela interpreta Keyla, uma investigadora do Rio convocada para esclarecer um assassinato na sossegadíssima Joinlândia. Durona, é obrigada a trabalhar junto com o inexperiente policial Cláudio (Cauã Reymond), amigos de todos na pequena cidade e fã de Maria Gadú.

Tatá se esbalda em piadas potencializadas por sua agilidade verbal. Também mostra desenvoltura em cenas de comédia física, brincando com os cacoetes dos filmes de ação de Hollywood.

Em “Uma Quase Dupla”, roteiro e fotografia estão a serviço dos atores. Ou seja, o filme depende principalmente deles, e só o talento de Tatá seria insuficiente para conduzir a produção. Mas é também admirável o desempenho de Cauã, atento ao tom necessário para dar equilíbrio à comédia. Seu humor é mais discreto, quase ingênuo, um contraponto eficiente ao histrionismo da atriz. Aliás, a afinidade entre eles fica evidente na tela, o que também é mérito da direção de Baldini.

O filme também cresce com os coadjuvantes. Difícil não rir da histeria do delegado vivido por Ary França, nome de destaque no teatro paulistano. Outra boa participação é de Daniel Furlan como um dos suspeitos do crime. Ator de filmes como “La Vingança” (2017), ele domina o timing da comédia e brinca com Tatá na eloquência verbal.

Aparecem críticas, travestidas de piadas, à atuação da polícia no Brasil, mas são esparsas. Que não se espere, portanto, de “Uma Quase Dupla” mais do que entretenimento. Nessa proposta de divertir despretensiosamente, a comédia está acima da média da produção nacional.

O desfecho deixa no ar a possibilidade de uma sequência. Será bem-vinda.

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