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Cinema

Cheio de reviravoltas, suspense 'Um Pequeno Favor' se apoia em humor ácido e boas atrizes

Filme é do mesmo diretor de "Caça-Fantasmas" (2015)

Marina Galeano
São Paulo

Um Pequeno Favor

  • Classificação 14 anos
  • Elenco Anna Kendrick, Blake Lively e Henry Golding
  • Produção EUA, 2018. 119 min
  • Direção Paul Feig

As primeiras cenas de “Um Pequeno Favor” dão poucas pistas de para onde o filme dirigido por Paul Feig pretende desembocar. Tampouco revelam que uma comédia cheia de acidez vai se assumir um suspense policial bizarro, mas sem perder seu humor áspero.

Talvez a surpresa seja menor aos espectadores que já conhecem o trabalho do cineasta norte-americano. Responsável por “As Bem-Armadas” (2013), “A Espiã que Sabia de Menos” (2015) e “Caça-Fantasmas” (2015), Feig é chegado num suspense espirituoso, sempre conduzido por mulheres de expressão.

A mistura hábil dos dois gêneros, somada à sintonia de Anna Kendrick e Blake Lively resumem as maiores qualidades dessa história que gira em torno de uma amizade improvável entre duas personagens totalmente opostas.

Stephanie (Kendrick), viúva, representa o protótipo de mãe sonsa e irritante. Daquelas que querem participar de todas as atividades da escola e possuem um canal careta no Youtube que ensina (outras mães, claro) a fazer biscoito, origami e sopa de gaspacho.

Emily (Lively), casada com Sean (Henry Golding), simboliza a profissional bem-sucedida que não tem tempo de buscar o filho no colégio e nem paciência para os mimimis da maternidade. Linda, sedutora e enigmática, atrai todas as atenções à sua volta.

Regadas a doses de Martini, elas esquecem as diferenças e passam a compartilhar segredos íntimos. É o começo de uma trama embolada e misteriosa, que inclui o sumiço de Emily, um cadáver no lago e uma peregrinação de Stephanie em busca da verdade.

Enquanto isso, do lado de cá da tela, uma sensação persistente de que alguma coisa está fora do lugar. As perguntas se amontoam, ao mesmo tempo em que os podres das melhores amigas vêm à tona por meio de flashbacks.

O jogo de desconstrução das personagens enriquece a narrativa e deixa o clima meio indigesto, desconcertante, tomado por um sarcasmo quase cruel. Cenários e figurinos acentuam contradições de forma competente.  

Ainda que abuse de oscilações e de reviravoltas na reta final —uns 15 minutos a menos não fariam falta—, “Um Pequeno Favor” se resolve muito bem com toda a sua histeria. 

Veja as salas e horários de exibição. ​

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