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Cinema

Suspense 'Buscando...' perde a chance de refletir sobre a pobreza das relações sociais

Primeiro longa de Aneesh Chaganty tem mediação constante de telas de computador ou celular

Alexandre Agabiti Fernandez
São Paulo

Buscando...

  • Classificação 14 anos
  • Elenco John Cho, Debra Messing e Joseph Lee
  • Produção EUA, 2018. 112min
  • Direção Aneesh Chaganty

O primeiro longa do jovem Aneesh Chaganty —um suspense de investigação— não se destaca pela trama, tão antiga como o cinema e objeto de inúmeras variações. Uma adolescente não volta para casa uma noite, o pai vasculha suas últimas ações e zonas obscuras de sua vida —constatando que não a conhecia tanto quanto imaginava—, embarca em algumas pistas falsas e termina achando-a, mas não se sabe se está viva ou morta.

O roteiro tenta compensar a banalidade da história e suas reviravoltas previsíveis contando-a com a mediação constante de telas de computador ou celular —recurso tampouco original, mas ao menos atual. Mesmo quando os personagens interagem frente a frente, isso é oferecido ao espectador por meio de telas.

Como não poderia deixar de ser, o filme começa com uma tela —de Windows— e um clique do mouse em “iniciar”. Os personagens principais —David Kim (John Cho), sua mulher Pamela (Sara Sohn) e a filha Margot (Michelle La)— são apresentados por meio de vídeos caseiros e fotos. Essa introdução acelerada mostra o crescimento de Margot e culmina com a morte de Pamela, de câncer.

Meses depois, Margot desaparece e David começa sua investigação fuçando postagens da filha e de seu círculo de amigos em diferentes redes sociais, arquivos de vídeo e até na conta bancária dela. Enquanto isso, a investigação da polícia não avança. Até os contatos de David com a policial (Debra Messing) encarregada do caso são filtrados por telas.

Chaganty trabalha o mistério a partir dessa plástica multifacetada que combina uma grande variedade de imagens e textos —conversas digitadas em aplicativos, pesquisas no Google, emails. 

Apesar das possibilidades abertas por tais recursos, a narrativa não tem personagens com um mínimo de densidade, são figuras muito mais virtuais do que reais, afogadas num mar de pixels. Outro problema é a ausência de uma reflexão sobre a pobreza das relações sociais —majoritariamente digitais— dos personagens e o mundo permanentemente conectado em que vivem, meditação ensejada pelo próprio dispositivo que o filme adota.

Veja as salas e horários de exibição. ​

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