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Cinema

Filme italiano 'Minha Filha' discute papel de mãe com sensibilidade feminina

Laura Bispuri assina a direção do longa, com Alba Rohrwacher e Valeria Golino

Bruno Ghetti
São Paulo

Minha Filha

  • Classificação 14 anos
  • Elenco Valeria Golino, Alba Rohrwacher e Sara Casu
  • Produção Alemanha/Itália/Suíça, 2018. 100 min
  • Direção Laura Bispuri

É discutível a ideia de que, só de assistir, já é possível saber se um filme foi dirigido por um homem ou uma mulher. Mas “Minha Filha” parece tão incontestavelmente um produto originário de uma sensibilidade feminina que nem precisava que o nome da diretora italiana Laura Bispuri estivesse nos créditos.

O longa é sobre a garota Vittoria (Sara Casu), filha de uma mãe irresponsável, hedonista (Alba Rohrwacher), mas que é adotada ainda bebê por outra mulher, mais sisuda e maternal (Valeria Golino). A mãe que cria tenta ao máximo providenciar boas condições de vida à menina, tanto materialmente quanto em termos de afeto.

Quanto mais cresce, porém, Vittoria mais se afasta da mãe de criação. Por uma espécie de predisposição natural, uma afinidade genética, aproxima-se da biológica. Afinal, a mãe meio maluca, beberrona e ultrassexualizada traz uma série de dados (físicos, inclusive) que a de criação não possui. O poder de atração via DNA é forte demais para conter a garota, e o foco do longa é na crise entre as duas mães causada por essa aproximação.

A relação entre essas duas mulheres adultas perpassa sentimentos como ciúme, ódio e uma forte cumplicidade, e o filme mostra isso revelando nuances que um homem jamais seria capaz de detectar; é fruto de uma compreensão puramente feminina do tema. 

Assim como alguém do sexo masculino dificilmente poderia criar a cena em que Vittoria pergunta à mãe biológica: “Você me abandonou porque eu era feia e burra?”. Ao que ela responde: “Isso mesmo. Se bem que, com o tempo, você melhorou um pouco”. É um tipo de ironia que raramente se vê entre uma mãe e um filho homem (enquanto a menina entende prontamente o sarcasmo, um garoto talvez ficasse traumatizado).

“Minha Filha” se passa na Sardenha e tem aquele tipo de fisicalidade que só a luz mediterrânea permite. É um filme sensorial, instintivo. Tem, por isso, desacertos, mas a visão da diretora é marcante o suficiente para se impor. E traz um formidável duelo entre Rohrwacher e Golino, excelentes em seus papéis.

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