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Cinema

Longa argentino 'O Futuro Adiante' trata com leveza história de amizade entre mulheres

Constanza Novick dirige roteiro próprio com segurança

Sérgio Alpendre
São Paulo

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O Futuro Adiante

  • Classificação 12 anos
  • Elenco Pilar Gamboa, Dolores Fonzi e José Maria Yazpik
  • Produção Argentina, 2017. 85 min
  • Direção Constanza Novick

Confira salas e horários.

Eis um filme leve, sem contraindicações, ideal para os tempos tensos em que vivemos. “O Futuro Adiante” é o longa de estreia da diretora argentina Constanza Novick, roteirista de certo sucesso na televisão. Conta a história de uma longa amizade, entre Romina (Dolores Fonzi) e Florencia (Pilar Gamboa), em três momentos marcantes de suas vidas.

No primeiro, elas são adolescentes, estão descobrindo o interesse sexual e fortalecem uma amizade em que o senso de competição não atrapalha a cumplicidade entre elas; no segundo, reencontram-se enquanto Florencia, mais atirada, separa-se de seu namorado e pede abrigo para Romina, que mora com o marido e tem uma pequena filha.

Finalmente as reencontramos quando as filhas de ambas, Inês (Sofía Podlischevsky) e Anita (Violeta Narvay), estão na adolescência, mais ou menos com a mesma idade que Romina e Florencia tinham no início do filme. E testemunhamos o fortalecimento da amizade das filhas, num ciclo que se repete atravessando gerações.

Filme leve, pois o maior conflito está no que a intimidade provoca de pequenas brigas, coisas resolvidas com uma ligação. Nem mesmo o envolvimento amoroso de Romina com um amigo de Florencia, planejado por esta, é ameaçado de não acontecer. Tudo está sempre destinado a entrar nos eixos. 

É um tanto telegrafado também, com alguns ganchos desnecessários: as amigas discutem levemente na primeira parte e essa mesma discussão será revivida, palavra por palavra, pelas duas, entre risadas, anos depois do acontecido, já na segunda parte.

Esse é o tipo de insegurança de estreia, em que o medo de perder parte do público inspira a redundância e a necessidade de mostrar que o elo entre elas é forte.

Mas são os acertos que impressionam. A começar pelo elenco, enxuto, mesmo que tanto Dolores Fonzi exagere na introversão de Romina quanto Pilar Gamboa na inconsequência de Florencia. Já Constanza Novick dirige seu próprio roteiro com segurança. Não procura ângulos bizarros ou movimentos forçados da câmera. Sabe o tom que quer alcançar e o alcança com certa facilidade.

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