'Guia' testa serviços de casas de shows em São Paulo; confira

Charge capa do 'Guia': Um show e a conta *** ****
Ilustrações de Caco Galhardo simulam situações em casas de shows - Caco Galhardo

É difícil achar alguém que saia para assistir a um show e não acabe comprando uma bebida ou um petisco enquanto rola a apresentação.

Para testar essa experiência completa, o "Guia" visitou oito das principais casas de espetáculos da cidade e avaliou o cardápio e o atendimento de cada uma. Há opções e preços variados, tanto para quem só quer beliscar alguma coisinha quanto para os que buscam um jantar completo.

A maratona pelos locais, que recebem shows em formato de mesa ou plateia (ou os dois), rendeu contratempos. Nas duas visitas ao Citibank Hall, por exemplo, houve cobrança indevida no valor da conta.

No Espaço das Américas, o pedido (carpaccio, sanduíche e caipirinha) demorou 50 minutos para chegar à mesa, em um show que durou uma hora e meia. Enquanto isso, no Bourbon Street, um petisco de camarões empanados no coco e uma piña colada levaram apenas seis minutos.

O roteiro também apresenta "segredos" das casas, como a mesa de café e docinhos que o Tom Brasil oferece de graça na saída dos espetáculos, pela qual muita gente passa batido. Ou os dois menus com preços diferentes para os mesmos produtos do Carioca Club.

Testamos ainda a Audio Club (com food trucks na área externa), o Cine Joia (que só tem empanadas) e a Casa de Francisca, que suspende o serviço durante as apresentações. Bom show e bom apetite!

Charge Guia Um show e a conta ***  ****

Citibank Hall 
Em uma das principais casas de show da cidade, se for assistir a uma apresentação com a plateia em mesas e serviço de garçons, é bom ficar atento à conta.

Em duas visitas feitas pelo "Guia" nos últimos dois meses, o valor cobrado foi bem mais alto do que o consumido de fato.

Em 4/11, durante o show de Zeca Pagodinho, o garçom chegou à mesa para solicitar o pagamento de R$ 100 (por uma porção de fritas e duas caipirinhas).

Avisado de que o valor estava errado, o funcionário checou a conta, escrita à mão, e disse que, na verdade, tinha ficado R$ 92. Mas não. A reportagem teve que fazer o cálculo na frente do garçom: R$ 88 (já com 10% de serviço).

Em outro show, em 6/10, a diferença entre o valor consumido (R$ 98) e o cobrado (R$ 130) foi maior. Por isso, a dica é anotar o que pedir e calcular tudo antes. Procurado, o Citibank Hall não quis se pronunciar sobre os erros nas contas.

O cardápio traz oito porções, como as de calabresa defumada (R$ 45), minicheesebúrguer (R$ 40; nove unidades) e fritas com bacon e queijo (R$ 40), que chegam crocantes à mesa.

Para beber, o público tem à disposição caipirinha (R$ 20), espumante e uma carta de vinhos com 13 rótulos.

Quando o show é de pista, balcões para venda de bebidas são instalados dentro da sala e no hall de entrada, para evitar filas na hora do pedido.

Citibank Hall: av. das Nações Unidas, 17.955, Vila Almeida, região sul, tel. 4003-5588; clique aqui e confira o site do estabelecimento

Charge Guia Um show e a conta ***  ****

​Espaço das Américas 
Na casa de shows da Barra Funda, o garçom levou 12 minutos para ir à mesa após ser chamado e, quando chegou, disse que já não havia mais tempo de solicitar algo da cozinha: o cantor italiano Peppino di Capri, atração da noite (10/11), solicitara que o serviço fosse suspendido durante a apresentação para evitar o vaivém.

Questionado pela reportagem, já que os clientes não haviam sido avisados da mudança (a norma da casa é servir até o fim do show), o garçom acabou anotando de última hora. O pedido (carpaccio, sanduíche e caipirinha) só chegou 50 minutos depois, já na metade final da apresentação.

Procurado, o local disse, via assessoria de imprensa, que o padrão é entregar os pedidos em até 30 minutos; a casa vai apurar o ocorrido.

O cardápio conta com quatro sanduíches (R$ 13 cada um), nos sabores peito de peru, rosbife, linguiça e atum, além de porções de batatas fritas (R$ 25), bolinho de bacalhau (R$ 40; 12 unidades), coxinha (R$ 40; 16 unidades) e filé aperitivo (R$ 55).

A seleção de frios (R$ 45) e o carpaccio (R$ 40), que vem com molho à base de mostarda, alcaparras e parmesão, são boas pedidas para quem está em grupo.

Na seção de bebidas, a caipirinha de vodca (R$ 30) divide espaço com cervejas (Skol e Brahma: R$ 10; Budweiser: R$ 12), cachaças, vinhos e espumantes.

Quando os shows são no formato pista, o público até enfrenta fila nos caixas, já que o local pode abrigar até 8.000 pessoas, mas o atendimento costuma ser rápido.

Espaço das Américas: rua Tagipuru, 795, Barra Funda, região central, tel. 3864-5566; clique aqui e confira o site do estabelecimento 

Charge Guia Um show e a conta ***  ****

Tom Brasil 
Quem vai a um show no Tom Brasil precisa preparar o bolso: se a ideia for pedir a tradicional tábua de frios e queijos para dividir com os amigos, vai ter que desembolsar R$ 72, mesmo preço da porção de filé-mignon aperitivo.

A porção de minipastéis sai por R$ 50 (oito unidades) e a de bolinhos de bacalhau, por R$ 45 (com 12). No menu, ainda há frango a passarinho com polenta (R$ 65) e dadinhos de tapioca com queijo de coalho e geleia de pimenta (R$ 42).

As alternativas mais em conta são o mix de frutas secas e a miniquiche de palmito com salada verde (cada um sai por R$ 30). 

Quem chegar antes e quiser poupar os 10% de taxa de serviço pode pedir os mesmos petiscos no balcão do hall de entrada e comer por lá. O menu é igual nos dois lugares.

No dia da visita do "Guia", no show de Zé Ramalho, o atendimento foi rápido, e a caipivodca (R$ 25) chegou em quatro minutos.

A casa ainda oferece doces de sobremesa, como o waffle com frutas vermelhas e sorvete de creme e o bolo gelado de brigadeiro com calda de caramelo (R$ 20 cada um). 

Na carta de bebidas há vinhos, espumantes, uísques e cervejas. 

A conta veio descrita em uma nota fiscal que detalhava o pedido, facilitando a conferência.

Ao final das apresentações, o Tom Brasil oferece um agrado aos clientes. Em shows de mesa, na hora da saída, muita gente nem repara na bancada de docinhos e café instalada no hall de entrada. É tudo grátis. A cortesia é realizada pela casa desde a inauguração.

Tom Brasil: rua Bragança Paulista, 1.281, Vila Cruzeiro, região sul, tel. 3052-0547; clique aqui e confira o site do estabelecimento

Charge Guia Um show e a conta ***  ****

Carioca Club 
No Carioca Club, se você estiver do lado oposto ao bar, pode ser difícil ultrapassar o aglomerado de gente para conseguir um drinque.

Uma vez no local, é necessário comprar um cartão de consumação no caixa, por R$ 2, antes de fazer os pedidos. No dia da visita (11/11), no show de Péricles, uma funcionária informou que a cobrança era feita porque o cliente poderia levar o cartão para casa e usá-lo em outras ocasiões.

Procurada, a administração da casa disse que o valor pode ser devolvido no fim do show e que ele serve como uma espécie de caução.

Ao lado do caixa, também no dia da visita, um funcionário se oferecia para realizar os pedidos sem o uso do cartão. Um chamariz para quem não queria pagar os R$ 2. No entanto, os itens do menu alternativo oferecido por ele, similar ao oficial, eram mais caros. A batata frita, por exemplo, passava de R$ 19 para R$ 21, e a caipirinha com vodca Orloff, de R$ 20 para R$ 21. A casa não se pronunciou sobre a divergência de preços.

O cardápio traz quatro opções salgadas: pote de batata chips (R$ 19) e porções de miniquibe de carne (R$ 22), empanados de frango (R$ 23,50) e fritas, saborosas e bem servidas, mas que demoraram 34 minutos para ficar prontas.

Para beber, há drinques como a espanhola (R$ 24,50), o gim-tônica (R$ 16,50) ou o sex on the beach (R$ 28,50), além de uísque, licor, tequila, jurupinga, vinho e espumante.

Carioca Club: rua Cardeal Arcoverde, 2.899, Pinheiros, região oeste, tel. 3813-8598; clique aqui e confira o site do estabelecimento

Charge Guia Um show e a conta ***  ****

Cine Joia  
Tomara que você goste de empanada caso vá assistir a algum show no Cine Joia e esteja com fome. É a única opção salgada vendida por lá (em apenas dois sabores: carne ou carne de soja). Mas vem quentinha e saborosa.

Já para quem quer beber, a lista é vasta. O negroni, o aperol spritz e o Limonelo (uísque, limão-taiti, licor de amêndoas, angostura e abacaxi) custam R$ 26 cada um. O Silverino, um pouco mais caro (R$ 30), é uma mistura de gim, Red Bull Lime e hortelã.

O cardápio da casa, instalada no local em que funcionava um antigo cinema, também inclui espumante, vodcas, uísques e cervejas (Skol: R$ 11; Stella Artois: R$ 14).

O destaque do menu fica para os combos oferecidos, caso das seis latas de Red Bull (R$ 90) vendidas separadamente, elas custariam R$ 114.

O público, que precisa passar pelo caixa para colocar crédito no cartão usado para fazer os pedidos, não costuma passar muito tempo na fila, já que há cinco cabines para atendimento. No dia da visita, em 12/11, no show da banda Onze:20, como a casa não estava tão cheia, só três estavam funcionando.

Mas fique atento: se sobrar dinheiro no cartão, a casa não devolve ao fim do show. O cliente terá que gastar o valor em outro dia.

Por ficar quase no centro da pista, o bar facilita a vida dos clientes, que não precisam se deslocar muito para fazer os pedidos.

Cine Joia: rua Carlos Gomes, 82, Centro, tel. 3101-1305; clique aqui e confira o site do estabelecimento 

Charge Guia Um show e a conta ***  ****

Audio Club 
A casa resolveu adotar uma estratégia diferente para oferecer mais opções de comida ao público: food trucks variados a cada show.

Eles ficam instalados na área ao ar livre, antes da entrada da sala de espetáculo.

Na visita do "Guia" (4/11), no Baile do Abrava, quem estava por lá era o Merenda de Rua, que servia sanduíches como o hambúrguer de cordeiro com queijo gouda e maionese de hortelã (R$ 25). Em 15/11, no show do Air, estavam por lá o Veggies na Praça e o McCoys.

Dentro do clube, funcionários com o símbolo do cifrão verde sobre a cabeça vendem fichas para agilizar os pedidos de drinques.

Algumas das opções são a caipirinha (R$ 30), o gim-tônica (R$ 40) e o Paloma (R$ 40), feito com tequila El Jimador e Citrus.

Para pedir as bebidas não há sufoco. São três bares na pista, local mais cheio, além de um na área externa e outro no mezanino. Lá dentro, só ocasionalmente há venda de comida: tem cachorro-quente ou hambúrguer (R$ 15) e porções de fritas, coxinha e pastel (R$ 20).

Audio Club: av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, região oeste, tel. 3862-8279; clique aqui e confira o site do estabelecimento

Charge Guia Um show e a conta ***  ****

Bourbon Street 
"A gente se vê como um bar e restaurante com música ao vivo, e não uma casa de espetáculos", diz Edgard Radesca, sócio-diretor do Bourbon Street.

O local, que cobra 15% de serviço, e não os tradicionais 10%, conta com garçons gentis e prestativos. Segundo Radesca, o valor é dividido entre outros funcionários da casa, como caixas e gerente. Lembrando que o cliente paga se (e quanto) quiser.

O cardápio do chef Luiz Fernando Sanguini oferece 30 tipos de petiscos e nove opções de pratos, além de sopas, saladas e omeletes.

Os mais pedidos são a porção de pasteizinhos de brie com chutney de frutas vermelhas (R$ 39) e o jambalaya (R$ 79), típico de Nova Orleans, inspiração da casa, que é uma paella com camarão, frutos do mar, linguiça e frango, com pimenta à parte.

Prove o KoKo Shrimp (R$ 59), que vem com seis camarões (gigantes!) empanados no coco e acompanhados de molhos de gengibre e tarê. No dia da visita (11/11), com show da Big Time Orchestra, o prato chegou à mesa seis minutos após o pedido.

A carta de bebidas traz mais de 50 drinques, caso da strawberry piña colada (R$ 31), com rum, sorvete de baunilha, purê de morango, creme de coco e suco de abacaxi.

Bourbon Street: rua. dos Chanés, 127, Indianópolis, região sul, tel. 5095-6100; clique aqui e confira o site do estabelecimento

Charge Guia Um show e a conta ***  ****

Casa de Francisca 
Na diminuta casa dos Jardins, pouco antes de o show começar, o garçom passa para anotar os últimos pedidos e avisar que o serviço de cozinha será interrompido.

O cofundador da casa Rubens Amatto diz que não servir durante as apresentações é um princípio da casa em respeito à música e aos artistas. "É também um convite para o público experimentar o silêncio e se relacionar com os trabalhos artísticos apresentados de uma maneira mais intensa e menos impessoal."

No dia da visita do "Guia", no show de Mauricio Pereira (9/11), os pedidos, feitos meia hora antes de o som rolar, chegaram à mesa em menos de 15 minutos.

O saboroso nhoque com molho de tomate e laranja, prato mais pedido, divide espaço com polenta cremosa com ragu de lentilha (R$ 35 cada um). De entrada, dá para provar o musseline de mandioquinha com cogumelos acompanhado de pão folha tostado com zaatar (R$ 26).

Para beber, tem vinhos, uísque, cerveja e drinques como gim-tônica (R$ 35).

Os clientes têm até 23/12 para curtir a programação da casa, que reabrirá as portas no fim de janeiro no Palacete Tereza Toledo Lara, no centro. No novo local, que passará de 44 para pouco mais de 100 lugares, a ideia é manter o ritual e suspender o serviço durante os shows.

Casa de Francisca: rua. José Maria Lisboa, 190, Jardim Paulista, região oeste, tel. 3052-0547; clique aqui e confira o site do estabelecimento


Quanto vale o show?

Confira preços, capacidade e outras curiosidades dos espaços visitados:

R$ 65 é o preço da Caipirinha Exótica do Bourbon Street (com 480 ml, leva vodca super premium, licor Triple Sec, morango, abacaxi, maracujá, kiwi, uva itália, licor de laranja e açúcar)

R$ 50 é o valor do valet do Citibank Hall, do Tom Brasil e do Espaço das Américas; o mais barato é o do Bourbon, R$ 25

R$ 85 é o preço da garrafa de jurupinga no Carioca Club, única casa visitada que vende a bebida

R$ 10 é o valor mais alto cobrado pelo refrigerante, na Audio Club; o menor preço da bebida, R$ 6, é o do Bourbon Street

R$ 8 é quanto custa a empanada no Cine Joia, única opção salgada à venda

8.000 é o número de lugares para shows em pé no Espaço das Américas, maior casa da lista; a menor, a Casa de Francisca, tem 44 assentos

1993 é o ano de inauguração do Bourbon Street, casa mais antiga do roteiro; a Audio, a mais nova, abriu em 2014

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