Descrição de chapéu Crítica cinema
Cinema

Cheia de ambições, comédia com Leandro Hassum gera frustração

Ator é prejudicado pelas piadas fracas do filme 'Não se Aceitam Devoluções'

Naief Haddad
São Paulo

Não se Aceitam Devoluções

  • Classificação 12 anos
  • Elenco Leandro Hassum, Guilherme Rodio e Laura Ramos
  • Produção Brasil, 2018. 113 min
  • Direção André Moraes

Veja salas e horários de exibição.

“Não se Aceitam Devoluções” é um filme cheio de ambições. Quer levar o público aos risos e quer emocioná-lo. Pretende ainda reinventar a imagem do bem-sucedido Leandro Hassum —antes um ator de veia cômica, agora um galã também capaz de fazer rir. 

Trata-se de um remake de “No Se Aceptan Devoluciones” (2013), comédia dramática mexicana que faturou mundo afora mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 370 milhões), graças especialmente ao desempenho na bilheteria dos Estados Unidos.

Outra ambição da versão brasileira é, no rastro do original mexicano, ganhar muito dinheiro. É um desejo legítimo, claro. O cinema brasileiro se fortalece com a diversidade de tendências, o que inclui um filão comercial bem estabelecido.

O problema se dá quando o objetivo de alcançar o grande público vem acompanhado de falta de inventividade da direção e interpretações limitadas. É o que acontece em “Não se Aceitam Devoluções”.

O filme mostra um mulherengo (Hassum) que recebe na porta de casa um bebê, deixado por uma ex-namorada americana (Laura Ramos). A partir daí, ele se desdobra para oferecer à filha (Manuela Kfouri) a melhor infância possível até que a mãe reaparece. 

Hassum não convence como um Don Juan. Tampouco se sai bem nas cenas mais dramáticas, para as quais constrói uma caricatura de pai zeloso e inseguro. Aliás, o sentimentalismo excessivo domina a segunda metade do filme.  

Hassum poderia oferecer compensação ao espectador no seu território de origem, a comédia, mas ele acaba prejudicado pelas piadas fracas.

A direção de André Moraes (“Entrando numa Roubada”) e a fotografia de André Lavenére também não ajudam. De modo geral, os movimentos de câmera seguem uma cartilha que aproxima o filme de um modo convencional de fazer teledramaturgia.

Há a presença carismática de Manuela Kfouri, uma garota promissora. Mas não é suficiente para salvar o filme. 

Com tantas ambições, “Não se Aceitam Devoluções” resulta em frustração. 

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem

Últimas

Ver mais