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Cinema

Dirigido por brasileiro, 'Comboio de Sal e Açúcar' aborda guerra civil em Moçambique

Filme é essencialmente um olhar moçambicano para a história recente da jovem nação

Cena do filme mostra um soldado de pé e outro agachado, com uma arma na mão
Filme retrata área de conflito entre cidade no norte de Moçambique e o Maláui - Divulgação
Naief Haddad
São Paulo

Comboio de Sal e Açúcar

  • Classificação 14 anos
  • Elenco Thiago Justino, Matamba Joaquim e Melanie de Vales Rafael
  • Produção Portugal/França/Brasil/África Do Sul/Moçambique, 2016. 100 min
  • Direção Licinio Azevedo

Veja salas e horários de exibição.

Ainda muito incipiente, o cinema de Moçambique exibe vigor em “Comboio de Sal e Açúcar”. Festivais têm recebido bem o filme. Além da escolha como melhor longa pela crítica em Locarno, conquistou prêmios em mostras de países como EUA, Marrocos e Tunísia.

Dirigida por Licínio Azevedo, brasileiro que vive há mais de quatro décadas no país africano, a produção mobilizou equipes e investimentos de outros lugares, como Portugal, Brasil, França e África do Sul.

Apesar desse viés multinacional, “Comboio” é essencialmente um olhar moçambicano para a história recente da jovem nação.

Em 1977, dois anos depois de se tornar independente de Portugal, o país foi tomado por uma guerra civil. De um lado, o governo socialista conduzido pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), do outro, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo). 

Pelo menos 1 milhão de pessoas morreram nessa guerra, que se estendeu até 1992. ​

É esse o contexto do filme, que acompanha um trem a cruzar áreas de conflito entre Nampula, cidade no norte de Moçambique, e o Maláui, país vizinho. Estão a bordo civis em fuga e militares. 

“Comboio” concilia bem a tensão crescente ao longo da viagem e a exposição de traços da política, da economia e da cultura do país. 

O medo e, mais adiante, a aflição dos passageiros trazem à tona manifestações de espiritualidade, que transitam entre o catolicismo, o islamismo e, sobretudo, as religiões locais. 

Não há só agonia, porém. Em meio ao avanço do trem, surge um romance entre o tenente Taiar (Matamba Joaquim) e a enfermeira Rosa (Melanie de Vales).

São personagens de certa complexidade, o que não acontece com tipos como o sargento Salomão (Thiago Justino), um vilão cuja força se esvai no maniqueísmo. Não é um problema que leve o filme a desandar. “Comboio” compõe um retrato instigante de um país e de um cinema em formação.

No mais, existe o prazer de ouvir a língua portuguesa ao estilo moçambicano, com suas expressões próprias e um sotaque que se impõe a meio caminho entre as pronúncias de Portugal e do Brasil. 

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