'Cine Holliúdy 2' faz diagnóstico preciso da imbecilidade que tomou conta do Brasil

Sequência acompanha produção de filme de ficção científica no interior do Ceará

São Paulo

Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral

  • Classificação 12 anos
  • Elenco Edmilson Filho, Sophia Abrahão e Roberto Bomtempo
  • Produção Brasil, 2018. 101 min
  • Direção Halder Gomes

Quase seis anos após o surpreendente “Cine Holliúdy”, e após duas comédias menos imaginativas (“O Shaolin do Sertão” e “Os Parças”), surge “Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral”, novo longa do cearense Halder Gomes.

No enredo, estamos em 1980, época em que os cinemas de rua começam a entrar em declínio. Francisgleydisson (Edmilson Filho) vê seu cinema ser fechado por perder a concorrência com a TV.

Após testemunhar um amigo sendo abduzido por extraterrestres, resolve fazer um filme de ficção científica com o apoio dos habitantes da cidade de Pacatuba, no Ceará.

A ideia é colocar Lampião para enfrentar alienígenas. Inicialmente, sua mulher Maria das Graças (Miriam Freeland), desconfia. Mas a paixão de seu marido e a ajuda do filho (Ariclenes Barroso) fazem com que apoie o projeto.

No elenco estrelado ainda estão Roberto Bomtempo como o prefeito corrupto, Samantha Schmütz como Justina, sua mulher e sucessora, Milhem Cortaz como Zé Coveiro, Chico Diaz como um artista excêntrico e o cantor brega Falcão como o Cego Isaías.

É inevitável darmos algumas risadas com o humor amalucado de Halder Gomes. Mas a verdade é que o filme sofre do fator gangorra, com inúmeros altos e baixos.

Comecemos com os baixos: a direção por vezes é pouco imaginativa; a montagem tem cortes apressados; há piadas tolas que não harmonizam tão bem na trama.

Entre os altos estão as piadas que funcionam, a harmonia do elenco e o preciso diagnóstico da imbecilidade que tomou conta do Brasil nesta década.

Há momentos em que fica evidente que o longa fala de nossos dias, e não só de 1980. Porém, o gancho em que o filme dentro do filme antecipa “E.T.” (1982), de Spielberg, além de ótima ideia cômica, ajuda a disfarçar a ofensa àqueles que acham que tudo está bem.

Se pode parecer estúpido uma trama dessas nos tempos em que vivemos, devemos lembrar que se trata de uma comédia besteirol, mais inofensiva ao bem-estar do que o noticiário.

Todos precisamos de humor. É o que “Cine Holliúdy 2” tem de sobra, mesmo que nem sempre seja bem-sucedido.

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