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Atentado na Índia inspira filme de ação irretocável e sem preocupação política

Dev Patel e Armie Hammer protagonizam trama baseada em fatos reais

Thales de Menezes
São Paulo

Atentado ao Hotel Taj Mahal

  • Classificação 16 anos
  • Elenco Dev Patel, Armie Hammer e Nazanin Boniadi
  • Produção Índia/EUA/Austrália. 125 min
  • Direção Anthony Maras

Baseado em um episódio verídico de 2008, quando terroristas atacaram alguns pontos turisticos de Mumbai, na Índia, “Atentado ao Hotel Taj Mahal” é um filme de ação irretocável. O principal alvo foi o luxuoso Taj Hotel, invadido por  terroristas suicidas.

O filme é dirigido pelo estreante em longa-metragem Anthony Maras, também roteirista, que soube aproveitar a história real, que já era espetacular. A narrativa se concentra em dois heróis do caso, o chef e um garçom de um dos restaurantes do hotel, responsáveis pela fuga de dezenas de hóspedes e funcionários.

São quatro terroristas dentro do prédio, carregados de armas e muita munição. O plano de ação é simples: matar o maior número de pessoas, sem poupar ninguém. E eles têm tempo para isso. A polícia local não tem soldados suficientes para o enfrentamento, e as forças especiais levam horas para vir de Nova Déli.

O ator inglês Dev Patel, revelado em “Quem Quer Ser um Milionário?” (2008), interpreta o garçom Arjun. No papel do chef está o indiano Anupam Kher. Os dois têm um desempenho vigoroso como aqueles que tomaram a missão de tentar proteger pessoas no meio do caos.

A grande qualidade do filme é não criar personagens heroicos. No roteiro fiel aos relatos dos sobreviventes, as ações são críveis, muita gente morre pelos erros cometidos por quem tenta fugir e o desespero toma conta de todos. Num filme americano convencional do gênero, logo apareceria um Dwayne Johnson ou um Mark Wahlberg para resolver a parada.

Quem tem mais pinta de mocinho é Armie Hammer, americano que se hospeda ali com a mulher, uma indiana milionária (a atriz iraniana Nazanin Bodiadi), o filho recém-nascido e a jovem babá (a inglesa Tilda Cobham-Hervey).

Mas Hammer não está ali para lutar com os vilões. É apenas um pai tentando esconder o bebê, enquanto sua mulher tenta conseguir alguma vantagem diante dos terroristas por ser indiana. São personagens complexos, conduzidos pela situação angustiante.

Não há discussão política. A origem da célula terrorista e suas motivações não são mostradas à plateia. O que interessa ao filme é o impacto da ação contínua. Sobreviver é o que importa. E isso basta para fazer bom cinema.

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