Wagner Moura atrai 440 mil com "VIPs"; leia conversa com diretor

Não é a biografia do golpista Marcelo Nascimento da Rocha que você verá no cinema. O que Wagner Moura mostra nas telas é a história de um rapaz que engana não apenas os outros, mas a si próprio, a todo o momento, em busca de uma identidade.

Crédito: Milena Mendes/Divulgação

O fascínio por aviões, a malandragem para conseguir passagem de ônibus de graça e o famoso episódio no qual o "verdadeiro" Marcelo se passa por filho do dono da Gol estão lá, mas isso tudo só serviu como base para "VIPs", filme de ficção dirigido por Toniko Melo --e premiado no Festival do Rio.

Na produção, vista por mais de 440 mil pessoas em três semanas, o protagonista Wagner Moura aparece loiro, de cabelo liso, enrolado e cada hora com um nome. Ele faz até um "cover" caprichado de Renato Russo, com a música "Será".

Veja quais salas de SP exibem "VIPs"
Assista ao trailer do filme

No bate-papo abaixo, o diretor Toniko Melo, premiado por seus filmes publicitários, fala sobre a possível continuação desse seu primeiro longa-metragem e a confusão entre ficção e realidade:

Crédito: Divulgação Cena do longa-metragem "VIPs", na qual Wagner Moura (foto) faz um caprichado cover de Renato Russo


Guia Folha - Você pensa em fazer uma continuação de "VIPs"?
Toniko Melo - Nunca pensei nisso. Mas já me perguntaram tantas e tantas vezes sobre esse "VIPs - Parte 2" que, no mínimo, isso merece uma atenção.

Muita gente vai ao cinema (e sai) achando que o filme é a história real do Marcelo. Isso atrapalha em algo?
Sim e não. Explico: gosto desse trânsito entre o real e o ficcional. Trabalho com esse tema desde o tempo do "Olhar Eletrônico" [produtora independente], lá nos anos 80. Um exemplo bem conhecido desse tipo de experiência que tive são os documentários que fiz com o repórter/personagem Ernesto Varela. Acho que o público do "VIPs" pode acompanhar um personagem na tangência entre a ficção e a realidade, produz uma sinergia muito interessante, especial e, por que não dizer, profunda. Assim vem acontecendo diariamente nos cinemas do Brasil. Mas há uma forma ética de se tratar isso: o público deve saber que eles estão vendo uma obra de ficção, pensada como tal, e não a biografia do farsante Marcelo, que hoje se encontra preso em Cuiabá. A "brincadeira" é se deixar levar por uma trama onde realidade e ficção se tocam, mas que isso só acontece de fato dentro de nós.

Mais de 440 mil pessoas já viram "VIPs". É o que vocês imaginavam?
"Too much is never enough"! Infelizmente, não ganho um centavo se o filme fizer um espectador ou 1 milhão, mas acho a trama proposta no "VIPs" tão importante que estou lutando diariamente para que o filme seja visto pelo maior número de pessoas. Aliás, você que está lendo essa entrevista agora, vá ver ou rever o filme e, se gostar, divulgue: essa é a única forma de divulgação com a qual o filme conta.

Crédito: Roge Gobeth/Divulgação Diretor Toniko Melo (esq.) e Wagner Moura (dir.) durante as gravações de "VIPs", já visto por 420 mil pessoas

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