Guia testou bicicletários de espaços culturais de São Paulo; confira onde parar sua bike

Locais foram avaliados com base nos padrões da União Ciclística Brasileira

Bicicletário na Pinacoteca

Bicicletário na Pinacoteca Ricardo Ampudia/Folhapress

Ricardo Ampudia
São Paulo

Domingo de sol, Paulista aberta. É dia de aproveitar a ciclofaixa e ver o que há de bom nos museus e centros culturais de São Paulo. Chegando lá, surge a indefectível pergunta ao segurança: “Tem onde parar a bike?”.

Nem sempre. O Guia testou 19 bicicletários de aparelhos culturais do Centro expandido, usando uma metodologia baseada nos guias de boas práticas da União Ciclística Brasileira e da Associação Americana de Pedestres e Ciclistas Profissionais. Observou-se a segurança, o modelo e a sinalização dos estacionamentos. 

O resultado mostra que ainda há muito a se avançar. Algumas instituições da região não têm espaço para estacionar bicicletas, mesmo locais relativamente novos e na própria av. Paulista; apenas quatro têm sinalização apropriada e só três conseguiram a nota máxima no quesito segurança.

A sinalização leva em conta se os estabelecimentos possuem placas indicando a presença e a direção dos bicicletários na fachada ou bilheterias. Já os modelos vão do paraciclo, o ideal, ao desajeitado e inseguro gancho de açougue.

A segurança varia de ótima —quando os estacionamentos são em áreas internas, vigiadas e com cadastro—, a ruim, quando os bicicletários ficam na rua ou muito expostos, sem vigilância.

Uma lei municipal de 2005 exigia que todo “museu e outros equipamentos de natureza cultural” tivessem, obrigatoriamente, um local para estacionar bicicletas, mas a lei foi revogada no ano passado e fica a critério da instituição priorizar os visitantes de magrela.

Bicicletário disponível no Sesc Pompeia tem entorta-roda mal-conservado
Bicicletário disponível no Sesc Pompeia tem entorta-roda mal-conservado - Ricardo Ampudia/Folhapress

Como é o bicicletário ideal?

  Fica numa área interna do prédio ou estacionamento, vigiada;
  Os ciclistas têm de fazer um cadastro e só podem retirar as bikes após apresentar um documento;
  A localização é sinalizada na fachada, visível a partir da rua;
  O modelo ideal é o paraciclo, que permite prender a roda e o quadro da bicicleta
 

Fatores considerados na avaliação

O Guia avaliou três critérios para atribuição de notas de uma  ( * ) a cinco estrelas ( *****) para os bicicletários

SEGURANÇA
Ideal: área interna, monitorada e com cadastro    
Bom: área interna, monitorada
Razoável: área interna, com fluxo de pessoas e funcionários
Ruim: área externa, com fluxo de pessoas e funcionários
Péssimo: exposto à rua, sem vigilância

MODELOS
Paraciclo: estrutura em formato de U invertido, fixado ao chão; é a mais segura, pois possibilita prender o quadro da bicicleta
Entorta-roda: estrutura presa ao chão, onde só se encaixa a roda dianteira; é menos segura, pois só prende a roda e pode causar danos à bicicleta em caso de esbarrões
Gancho: o pior modelo possível; exige que o ciclista levante a bicicleta e prenda a roda em um gancho. Dificulta a vida de quem tem bicicletas pesadas ou baixa estatura

SINALIZAÇÃO
​Presença de placas na fachada ou bilheterias que indiquem a presença e direção dos bicicletários

Casa das Rosas
***
Segurança: boa
Modelo: entorta-roda
Sinalização: não
No estilo francês, o casarão projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo tem agenda repleta de eventos. O projeto que implementou um bicicletário no pátio interno, próximo ao café, garantiu uma preocupação a menos ao ciclista.
Av. Paulista, 37, Bela Vista, região central, tel. 3285.6986. Ter. a sáb.: 10h às 22h. Dom.: 10 às 18h.

CCSP
***

Segurança: razoável
Modelo: paraciclo
Sinalização: não
O centro cultural foi idealizado nos anos 1980, com espaço expositivo, biblioteca, teatro e cinema. Por ali, o bicicletário é localizado muito próximo à rua e placas de “não nos responsabilizamos” preenchem o espaço, o que não transmite confiança.
R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, região central, tel. 4000-1139. Seg. a dom.: 9h às 22h.

Centro Cultural Fiesp
***

Segurança: boa
Modelo: entorta-roda
Sinalização: não
O espaço recebe diversas mostras e abriga o Teatro do Sesi. Os ciclistas devem consultar 
a segurança sobre onde guardar as bikes. Será indicado um portão lateral no estacionamento. Apesar do grande fluxo de bicicletas na Paulista, o local só tem duas vagas. O suporte, instalado em uma rampa, não estava bem preso.
Av. Paulista, 1.313, Bela Vista, região central, tel. 3549-4499. Ter. a sáb.: 10h às 22h. Dom.: 10h às 20h.


Cinesesc
*

Segurança: péssima
Modelo: gancho
Sinalização: não
Eleito pelo Guia como a melhor sala especial 
de cinema da cidade, o Cinesesc une preços baixos a programação diferenciada. Porém, a satisfação com o local diminui no quesito bicicletário. Por ali, ganchos são expostos na calçada sem segurança.
R. Augusta, 2.075, Cerqueira César, região central, tel. 3087-0500. Se. a dom.: 13h15 às 21h30.

Conjunto Nacional
*****

Segurança: ideal
Modelo: paraciclo
Sinalização: não
O centro comercial, que abriga o Cinearte, 
tem ótimas instalações para guardar as bicicletas, que ficam presas em uma gaiola, com tíquete para retirada. Não se preocupe com as rampas; é possível descer de elevador com a bicicleta.
Av. Paulista, 2.073, Consolação, região central, tel. 3179-0000.  Seg. a sex.: 6h às 22h. Sáb. e dom.: 6h às 19h.

Espaço Itaú de Cinema - Augusta
****

Segurança: razoável
Modelo: paraciclo
Sinalização: não
Cinema de rua tradicional, tem um paraciclo localizado no espaço anexo. Se o ciclista pretende assistir a um filme do outro lado da rua, convém consultar o horário de fechamento para não ficar com a bike presa.
R. Augusta, 1.475, Consolação, região central, tel. 3288-6780. Seg. a dom.: 13h30 às 22h.

Estação Pinacoteca
**

Segurança: boa
Modelo: gancho e paraciclo
Sinalização: não
Próximo da Sala São Paulo, o local recebe mostras. Para chegar de bike, é preciso se preparar para uma aventura. Após descobrir onde fica o bicicletário, o visitante passa por baixo de uma cancela e desce rampas radicais.
Lgo. General Osório, 66, Luz, tel. 3335-4990. Qua. a seg.: 10h às 17h30.

IMS Paulista
****

Segurança: boa
Modelo: paraciclo
Sinalização: não
No prédio moderno, que sedia debates, exibições de filme e mostras, há um paraciclo novinho. Ali, dá para aproveitar as atividades com a tranquilidade de saber que a magrela está sendo cuidada por um segurança.
Av. Paulista, 2.424, Bela Vista, região central, tel. 2842-9120. Ter. a dom. 10h às 20h. Qui. 10h às 22h. 

Itaú Cultural
****

Segurança: ideal
Modelo: paraciclo
Sinalização: não
O espaço reúne mostras, espetáculos de dança, teatro e shows. O bicicletário segue a qualidade da programação. Seguro, o local exige RG para cadastro e tem um segurança fixo, além de atendentes na entrada.
Av. Paulista, 149, Bela Vista, região central, tel. 2168-1777. Ter. a sex.: 9h às 20h. Sáb. e dom.: 11h às 20h.

MIS
*

Segurança: péssima
Modelo: paraciclo
Sinalização: não
Responsável por mostras como “Quadrinhos”, que reúnem pequenas multidões, o MIS poderia tratar os ciclistas melhor. Escondido atrás do estacionamento das motos, o paraciclo estava mal preso ao chão.
Av. Europa, 158, Jardim Europa, região oeste, tel. 2117-4777. Ter. a sáb.: 10h às 20h. Dom. 9h às 18h. 

Masp
**

Segurança: ruim
Modelo: paraciclo
Sinalização: não
Desde março, o tradicional museu recebe a exposição “Tarsila Popular”, o que tornou um desafio acessá-lo com suas longas filas. Recentemente, ganhou um bicicletário, localizado na parte de trás do vão livre —o lugar fica fora do alcance da vista dos funcionários.
Av. Paulista, 1.578, Bela Vista, região central, tel. 3149-5959. Ter.: 10h às 20h. Qua. a dom.: 10h às 18h.

Memorial da América Latina
*

Segurança: péssima
Modelo: paraciclo
Sinalização: não
O espaço, além de museu, sedia eventos aos fins de semana. Porém, é um clássico exemplo de local em que é quase melhor não usar o bicicletário. Ele fica longe do movimento, perto do portão e exposto ao sol.
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, região central, tel. 3823-4600. Ter. a dom.: 9h às 18h.

Museu da Casa Brasileira
****

Segurança: boa
Modelo: entorta-roda
Sinalização: sim
Apesar de ter bicicletário, o museu estadual mantém as bikes e as motos no mesmo lugar, o que não é ideal. Seria ótimo se o espaço para as bicicletas fosse tão bem cuidado quanto o estacionamento com valet.
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705, Jardim Paulistano, região oeste, tel. 3032 3727. Ter. a dom.: 10h às 18h.

Pina Luz
***

Segurança: boa
Modelo: entorta-roda
Sinalização: sim
Mesmo sendo um dos principais museus da cidade, normalmente cheio, a Pinacoteca tem poucas vagas para bikes. O local usa um modelo em que o encaixe para a roda é muito curto, o que pode causar danos.
Pça. da Luz, 2, Bom Retiro, região central, tel. 3324-1000. Qua. a seg. das 10h às 17h30. 

Reserva Cultural
***

Segurança: boa
Modelo: sala
Sinalização: não
O cinema da av. Paulista passou muito tempo sem bicicletário. Hoje, o espaço oferece uma sala improvisada para guardar as magrelas durante a sessão.
Av. Paulista, 900, Bela Vista, região central, tel.: 3287-3529. Seg. a dom. 10h às 22h30.

Sesc Avenida Paulista
***

Segurança: boa
Modelo: gancho
Sinalização: sim
Apesar de ser uma unidade nova do Sesc, o espaço usa o sistema mais simplório de bicicletário. Os ganchos são sempre uma má ideia. 
Av. Paulista, 119, Bela Vista, região central, tel. 3170-0800. Ter. a sáb.: 10h às 22h. Dom.: 10h às 19h. 

Sesc Consolação
*

Segurança: péssima
Modelo: gancho
Sinalização: não
O local, que abriga um dos espaços cênicos mais importantes do Sesc, tem o pior modelo possível de bicicletário. Os ciclistas são obrigados a deixar as bikes na calçada, presas a ganchos.
R. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, região central, tel. 3234-3000. Seg. a sex. 10h às 22h. Sáb. 10h às 19h. 

Sesc Pompeia
**

Segurança: razoável
Modelo: entorta-roda
Sinalização: sim
O bicicletário destoa do belo prédio projetado por Lina Bo Bardi e tem sistema entorta-roda mal-conservado.
R. Clélia, 93, Água Branca, região oeste, tel. 3871-7700. Ter. a sáb.: 9h às 22h. Dom.: 9h às 20h.

Ibirapuera decepciona com bicicletário

O parque Ibirapuera também foi visitado para a avaliação, mas os equipamentos para ciclistas foram decepcionantes. Apesar de o lugar abrigar vários museus, espaços de exposição e um grande auditório, não oferece nenhum bicicletário seguro. A própria equipe do local indicou que era melhor “não deixar por lá” a bicicleta.
Outro centros culturais bem visitados no Centro expandido não contam com bicicletários. É o caso da nova Japan House, mesmo estando em frente a uma das ciclovias mais movimentadas da cidade.

Espaço em frente ao MAM não é muito seguro, segundo a própria equipe do local
Espaço em frente ao MAM não é muito seguro, segundo a própria equipe do local - Ricardo Ampudia/Folhapress

Lugares ainda sem bicicletário

  CCBB
  Caixa Cultural
  Japan House
  Galeria Olido
  Sesc 24 de Maio

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