Descrição de chapéu Crítica
Cinema

'A Grande Jogada' retrata história de princesa do pôquer com diálogos metralhados

Jessica Chastain vive Molly Bloom, empresária que reunia apostadores ao redor do mundo 

LUIZ CARLOS OLIVEIRA JR.
São Paulo

A GRANDE JOGADA (MOLLY'S GAME)

  • Quando estreia nesta quinta (22)
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Jessica Chastain, Idris Elba e Kevin Costner
  • Produção EUA/China, 2017
  • Direção Aaron Sorkin

A história é real: Molly Bloom foi uma esquiadora que, prestes a se classificar para os Jogos Olímpicos, sofreu um acidente por conta de um graveto esquecido na pista de gelo. Após desistir do esporte e trocar o Colorado pela Califórnia, se tornou a "princesa do pôquer".

Bloom se transformou numa empresária que reunia apostadores profissionais, bilionários e celebridades de Hollywood ao redor de uma das mesas de pôquer mais exclusivas do mundo.

Rapidamente, ela virou uma lenda e os negócios foram bem por certo tempo, até a máfia russa e o FBI se interessarem por ela.

A aventura rendeu um livro autobiográfico, que Aaron Sorkin decidiu levar às telas, com Jessica Chastain no papel principal.

No filme, enquanto a empreitada dá certo, Bloom exercita toda a atenção aos detalhes que o esporte de alto rendimento exigira dela.

Três tempos narrativos se entremeiam. O primeiro é o dos flashbacks da infância/adolescência de Molly, quando seu pai (Kevin Costner) a submetia a uma disciplina de ferro para se aperfeiçoar no esqui. O segundo é o relato sobre como ela montou todo seu esquema de jogatina clandestina em quartos de hotel de luxo. O terceiro corresponde ao momento em que ela, com o advogado de defesa, interpretado por Idris Elba, enfrenta as acusações do FBI.

Há, contudo, algo de vertiginoso e confuso. A voz de Molly vai induzindo a narrativa a saltar de um estrato temporal a outro com aceleração anfetamínica, um pouco na linha que Scorsese costurou com maestria em "Cassino" e depois revisitou, já sem o mesmo êxito, em "O Lobo de Wall Street".

Sobra pouco tempo para o intrigante teatro de olhares da mesa de pôquer ou as interações mais nuançadas entre os personagens. Entre uma cena veloz e outra, grandes blocos de diálogo se impõem. Algumas trocas verbais são metralhadas, com réplicas e tréplicas se amontoando. Não é a verborragia inteligente das comédias românticas de tribunal dos anos 1940: está mais para os diálogos disruptivos de "A Rede Social" (de que Sorkin é roteirista).

A parte psicanalítica da trama é rasa, resume-se a um conflito edipiano tirado de alguma má receita de drama familiar. Mas a moral da história é questionar, de modo pertinente, as regras do jogo. Molly opera fora da lei, mas não abre mão de sua convicção ética. Quando se permite que o capital financeiro opere dentro da lei, mas fora da ética, como fica o jogo de Molly?

Se Sidney Lumet estivesse vivo, desconfio de que um grande filme sobre a mesma personagem pudesse sair de suas mãos.

Veja salas e horários de exibição.

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