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Cinema

Boa surpresa, 'Tudo que Quero' comprova talento de Dakota Fanning

Filme narra história de garota autista que viaja 600 km para participar de concurso

SÉRGIO ALPENDRE
São Paulo

Tudo que Quero

  • Classificação 10 anos
  • Elenco Dakota Fanning, Toni Collette e Alice Eve
  • Produção Estados Unidos, 2017. 93 min
  • Direção Ben Lewin

Veja salas e horários de exibição.

É interessante ver o progresso das talentosas irmãs e atrizes Dakota e Elle Fanning, que começaram a brilhar nas telas quando crianças.

A mais nova, Elle (nascida em 1998), parece ter finalmente chegado a um ponto de virada em sua carreira com “O Estranho que Nós Amamos” (Sofia Coppola, 2017).

Esse ponto havia chegado antes para Dakota (1994). Foi com “The Runaways: Garotas do Rock” (2010), em que interpreta a vocalista da banda Runaways. Nenhum dos filmes citados deve ficar nos anais da história. E “Tudo que Quero”, de Ben Lewin, que comprova o talento de Dakota, não atingirá patamar superior.

É, contudo, um filme agradável de se ver, muito graças a ela, aqui num papel desafiador: Wendy, moça autista de 21 anos que escreve um roteiro para mais um episódio de “Star Trek”, como parte de um concurso.

Sabemos que o problema de uma pessoa autista não é de inteligência ou aptidão, e sim de comunicabilidade. Mas, mesmo dizendo com todas as letras que tem um roteiro que precisa ser enviado a Hollywood, ninguém parece lhe dar ouvidos. Ou seja, é problema de atenção também, mas dos que a amam.

Até que ela resolve levar o roteiro por conta própria, saindo de San Francisco (quase 600 quilômetros ao norte) na companhia de seu cachorrinho. O filme então cresce, tornando-se um road movie, espécie de primo mais modesto do “História Real” de David Lynch.

Num papel desses, há sempre o risco da comiseração e do sentimentalismo, algo na linha “Rain Man”, em que nem o habilidoso Barry Levinson conseguiu superar a contento algumas armadilhas impostas pela trama.

Sabiamente, preferiu-se o tom menor, uma produção pequena, com um diretor mais habituado a séries de TV e já distante de seu maior sucesso no circuito indie:  “O Favor, O Relógio e o Peixe Muito Grande” (1991).

“Tudo que Quero” é também um reencontro com Toni Colette, atriz quase sempre mal aproveitada, em um papel digno de seu carisma. Há ainda a relação conflituosa, mas de amor, entre Wendy e a irmã Audrey. A cena em que Audrey vê imagens das duas, ainda crianças, brincando ao piano é talvez a mais tocante, sem cair na chantagem emocional. 

Lewin ainda consegue dosar os momentos em que Wendy sai dos trilhos com aqueles em que ela se mostra brilhante e, principalmente, entende o tamanho de seu filme. O longa é uma singela surpresa. Longe de ser imperdível, mas bem acima do insignificante.

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