Francês 'Um Banho de Vida' bebe na mesma fonte de 'Ou Tudo ou Nada'

Filme de Gilles Lellouche acompanha time de nado sincronizado masculino

Úrsula Passos
São Paulo

Um Banho de Vida

  • Classificação 14 anos
  • Produção França/Bélgica, 2018. 122 min
  • Direção Gilles Lellouche

Em 1997, a comédia britânica "Ou Tudo ou Nada" fez muito sucesso, e marcou muitas memórias, com homens comuns desempregados dançando ao som de "Hot Stuff", de Donna Summer. Impossível não lembrar do longa ao assistir a "Um Banho de Vida", filme que agora chega aos cinemas brasileiros.

Na comédia dirigida pelo também ator Gilles Lellouche ("Os Infiéis"; 2012), com elenco cheio de estrelas do cinema francês, porém, ninguém faz strip tease, mas é de sunga que estão boa parte do tempo.

Mathieu Amalric ("O Escafandro e a Borboleta"; 2007) vive Bertrand, um depressivo na casa dos 40 que não consegue trabalhar há dois anos e que passa seus dias a jogar Candy Crush no sofá de casa. Um dia, na piscina pública da cidade, descobre que há uma equipe de nado sincronizado masculino que treina ali, e da qual, claro, resolve fazer parte.

O grupo reúne um bando de homens de meia-idade fora de forma com perfis de perdedores, como um dono de uma loja de piscinas falido (Benoît Poelvoorde, de "O Novíssimo Testamento"; 2015) —sublinhe-se que o filme se passa numa cidade cheia de montanhas cobertas de neve—, um faxineiro de cantina de escola que toca guitarra em bingos de igreja e não consegue se dar bem com a filha adolescente, um grosseirão que fala tudo o que pensa, ofende as pessoas e numa dessas é abandonado pela mulher e filho —vivido por Guillaume Canet ("Na Próxima, Acerto o Coração"; 2014)— ou até mesmo a treinadora, uma ex-atleta alcoólatra que persegue um antigo namorado obrigado a se proteger dela na justiça.

Como este é um filme de superação, o que ele não esconde desde a introdução, com um discurso em voz off sobre o redondo que tenta entrar num buraco quadrado, está óbvio desde o começo que a trupe vai ser, de alguma forma, triunfante.

E este é também um filme edificante, cheio de lições. Ele segue a fórmula daqueles, como "Ou Tudo ou Nada", sobre equipes cheias de problemas que vencem no final, que mostram que é possível superar as barreiras individuais com a ajuda de um grupo. Brinca também com as expectativas de gênero, como um reverso de filmes sobre equipes femininas de futebol, por exemplo.

Afinal, por que homens de meia-idade fora de forma numa cidade pequena da França, a maioria deles depressivos e na pior, não podem praticar nado sincronizado?

O filme é despretensioso e um tanto pueril, mas vale a pena ser assistido. Além de por Canet de sunga, pelas risadas e sorrisos que faz surgir no espectador (que não são poucas) e por aquele sentimento de bem-estar que nos enche ao final. Esperança e diversão, afinal de contas, não fazem mal a ninguém. 

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