'Parasita' e mais 14 premiados em festivais ganham destaque na Mostra

Sul-coreano de Bong Joon-ho foi Palma de Ouro no Festival de Cannes

São Paulo

“Parasita”, vencedor deste ano da Palma de Ouro no Festival de Cannes, é, à primeira vista, um filme sobre luta de classes. Sua abordagem das sombras anunciadas pelo atual estágio do desmantelamento social prolonga e amplifica os dramas retratados por “Assunto de Família”, do japonês Hirokazu Kore-eda, e por “Eu, Daniel Blake”, do britânico Ken Loach, que conquistaram o prêmio máximo de Cannes em 2018 e 2016.

O sul-coreano Bong Joon-ho retorna a seu país, depois de duas experiências internacionais, e retoma seu objeto favorito, a família, para indagar como sobreviveremos a um tempo cada vez mais selvagem.

Cena do filme 'Parasita', de Bong Joon-ho
Cena do filme 'Parasita' (2019), de Bong Joon-ho - Divulgação

“Parasita” não oferece uma dramatização esquemática da luta de classes, uma representação apoiada no conflito maniqueísta entre ricos e pobres. Em vez de caricaturar oposições, Bong constrói a história em torno de simetrias, em torno da equivalência de cada um dos integrantes das famílias e das relações espaciais. Desse modo, ele ultrapassa a limitação dos filmes que só trazem discursos e alcança um cinema no qual a política está na estética, no xadrez dos personagens, nos movimentos de câmera, na ênfase dos contrastes a partir da arquitetura e da cidade.

Embaixo, mãe, pai, filho e filha sobrevivem de improvisos. São representantes do “precariado” tão contemporâneo, mas não têm o perfil de quem nasceu na miséria. Parecem mais emergentes numa sociedade de pernas para o ar. Em cima, outra família com a mesma composição vive em uma bolha de conforto, seus filhos são ultramimados e ninguém se importa com o que há além do jardim.

A primeira parte do longa apresenta, de modo deliciosamente venenoso, a ocupação do andar de cima pelo grupo que vem de baixo. Não há, porém, indícios de alguma intenção perversa ou revolucionária que possa resultar da proximidade. Aos poucos, o parasitismo enunciado no título ganha pleno sentido, mostrando como a relação dos dois grupos é feita tanto de exploração como de dependência. A revolução, porém, não demora. Quando ela acontece, —zás!— “Parasita” dá uma cambalhota que nos deixa estatelados.

Dias 18, às 21h10 (Petra Belas Artes 1); 19, às 21h20 (Cinearte 1); e 27, às 21h15 (Espaço Itaú de Cinema - Augusta 1).

Dos festivais para a Mostra

BERLIM

Sinônimos (Urso de Ouro)
Synonymes. França/Israel/Alemanha, 2018. Direção: Nadav Lapid. Com: Tom Mercier, Quentin Dolmaire e Louise Chevillotte. 123 min. 16 anos.
Imigrante israelense em Paris tenta esconder sua nacionalidade com a ajuda de um dicionário. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim.

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System Crasher (Urso de Prata)
Systemsprenger. Alemanha, 2019. Direção: Nora Fingscheidt. Com: Helena Zengel, Albrecht Schuch e Gabriela Maria Schmeide. 118 min. 18 anos.
Premiado no Festival de Berlim, acompanha uma menina sob a tutela do Estado que quebra todas as regras para retornar à guarda de sua mãe biológica.

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Cavalos Roubados (Urso de Prata por contribuição artística notável)
Ut Og Stjaele Hester. Noruega/Suécia/Dinamarca, 2019. Direção: Hans Petter Moland. Com: Stellan Skarsgard, Bjorn Floberg e Tobias Santelmann. 122 min. 18 anos.
Ao reencontrar uma amizade antiga, um homem tem de lidar com as memórias de seu pai, que o abandonou 30 anos antes para fugir com a mulher por quem ele próprio era interessado na época. Do mesmo diretor de “Conspiração da Fé”, exibido na 40ª Mostra.

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Uma Colônia (Urso de Cristal)
Une Colonie. Canadá, 2019. Direção: Geneviève Dulude-De Celles. Com: Émile Bierre, Irlande Côté e Jacob Whiteduck-Lavoie. 102 min. 10 anos.
Uma adolescente com dificuldades de adaptação tem a rotina balançada ao conhecer um jovem indígena, morador de uma reserva ambiental próxima. 

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CANNES

Parasita (Palma de Ouro)

O Paraíso Deve Ser Aqui (menção especial do júri)
It Must Be Heaven. França/Qatar/Alemanha/Canadá/Palestina/Turquia, 2019. Direção: Elia Suleiman. Com: Gael García Bernal, Elia Suleiman, Ali Suliman. 97 min. Livre.
O diretor interpreta a si mesmo, um palestino que foge de sua terra natal, mas encontra vestígios de seu país de origem aonde quer que vá. Recebeu menção especial do júri no Festival de Cannes.

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O Jovem Ahmed (direção)
Le Jeune Ahmed. Bélgica/França, 2019. Direção: Jean-Pierre e Luc Dardenne. Com: Idir Ben Addi, Olivier Bonnaud e Myriem Akheddiou. 84 min. 14 anos.
Vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes, acompanha um garoto muçulmano de 13 anos que, convencido de que sua professora é uma pecadora, decide matá-la. Vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes. Dos mesmos diretores de “A Garota Desconhecida” (40ª Mostra).

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A Vida Invisível (Um Certo Olhar)
Brasil, 2019. Direção: Karim Aïnouz. Com: Fernanda Montenegro, Carol Duarte e Gregório Duvivier. 139 min. 16 anos.
No Rio de Janeiro dos anos 1950, duas irmãs acreditam —equivocadamente— que a outra leva a vida dos sonhos. Vencedor do prêmio Um Certo Olhar em Cannes e representante do Brasil no Oscar de melhor filme estrangeiro.

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Joana D'Arc (menção especial Um Certo Olhar)
Jeanne. França, 2019. Direção: Bruno Dumont. Com: Lise Leplat Prudhomme, Annick Lavieville e Justine Herbez. 138 min. 14 anos.
Sequência do musical de 2017 “Jeannette: A Infância de Joana d’Arc”, mostra a captura da heroína francesa pelos ingleses e o subsequente julgamento por heresia. Menção especial na mostra Um Certo Olhar, em Cannes.

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VENEZA

Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou (documentário Venice Classics)
Brasil, 2019. Direção: Bárbara Paz. 75 min. 12 anos.
Filmado nos últimos anos de vida de Héctor Babenco (1946-2016) por sua mulher, Bárbara Paz, este documentário traz reflexões e momentos marcantes da vida e da obra do diretor, conhecido por filmes como “Pixote - A Lei do Mais Fraco” (1980).

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Dente de Leite (melhor jovem ator - Toby Wallace)
Babyteeth. Austrália, 2019. Direção: Shannon Murphy. Com: Eliza Scanlen, Toby Wallace e Ben Mendelsohn. 117 min. 14 anos.
O primeiro amor de uma adolescente em estado terminal é o menino dos piores pesadelos dos pais dela: um traficante sete anos mais velho.

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SUNDANCE

Honeyland (Grande Prêmio do Júri na categoria documentário mundial)
Idem. Macedônia do Norte, 2019. Direção: Ljubomir Stefanov e Tamara Kotevska. 90 min. 12 anos.
O cotidiano da última apicultora nômade da região da Macedônia é o tema deste documentário. As dificuldades e a beleza de sua profissão são apresentadas enquanto ela tem que lidar com a chegada de uma família itinerante turca. Representante da Macedônia do Norte por uma vaga ao Oscar de filme internacional.

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Viajante da Meia-noite (Prêmio especial do júri na categoria documentário mundial)
Midnight Traveler. EUA/Reino Unido/Qatar/Canadá, 2019. Direção: Hassan Fazili. 87 min. 12 anos.
Refugiado afegão mostra os percalços que ele e sua família têm passado desde a fuga de sua terra natal por perseguição do Talibã.

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GRAMADO

Pacarrete (melhor filme, direção, atriz, roteiro, atriz e ator coadjuvante, desenho de som e júri popular)
Brasil, 2019. Direção: Allan Deberton. Com: Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e João Miguel. 97 min. 10 anos.
Inspirado na história real, uma bailarina aposentada encontra resistência para continuar a exibir sua arte ao voltar à sua cidade natal no interior do Ceará.

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Raia 4 (melhor fotografia e júri da crítica)
Brasil, 2019. Direção: Emiliano Cunha. Com: Brídia Moni, Kethelen Guadagnini e Cauã Furtado. 92 min. 12 anos.
Uma adolescente tímida descobre o amor, a sexualidade e o corpo na piscina dos treinos de natação.

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