Bares, baladas e restaurantes misturam efervescência ao clima tranquilo da Barra Funda

Antigos casarões e galpões ganham vida nova nas mãos de empresários

Marina Consiglio Úrsula Passos
São Paulo

Nos idos dos anos 1920, os contos reunidos em “Brás, Bexiga e Barra Funda”, de Antônio de Alcântara Machado, narravam a vida de Carmelas e Gaetaninhos em bairros que traduziam a transformação de São Paulo, de vila em metrópole, com fábricas e operários de ascendência italiana.

Quase cem anos depois, a casa da família Melli virou um estacionamento na rua Barra Funda. E Machado se impressionaria com as novidades que movimentam o bairro de mesmo nome, ainda residencial, de resistentes e baixas construções do século passado.

O rock é a trilha sonora de bares recém-abertos na Barra Funda, como o Scar e o A Dama e os Vagabundos, assim como tem sido há anos no veterano Bar do Val. Para estender a noite sem atrapalhar a vizinhança, a baixada do viaduto Pacaembu, menos habitada, se encheu de baladas, como o V.U. e o Fabrique.

Do outro lado da linha do trem, se instalou a alta cozinha, com dois dos mais destacados restaurantes da capital, o Capivara e o Komah. E o espaço cultural Breu foi se juntar ao centenário Theatro São Pedro e ao moderno Memorial da América Latina. Aprofunde-se.

 

ESPAÇOS CULTURAIS

Casa Mário de Andrade
Em um dos poemas da “Lira Paulistana”, o escritor Mário de Andrade (1893-1945) diz: “Nesta rua Lopes Chaves/ Envelheço, e envergonhado/ Nem sei quem foi Lopes Chaves”. Em outro, faz uma espécie de testamento em que indica lugares em São Paulo onde devem ser enterradas partes de seu corpo: “Na Lopes Chaves a cabeça/ Esqueçam”. E é com sua cabeça, em bronze, feita a partir de molde de sua máscara mortuária, que o visitante da casa de número 546 dessa rua se depara logo na entrada. A residência de Mário de 1921 até sua morte hoje abriga um museu dedicado à vida e à obra do poeta. Ali, é possível conhecer mais sobre um dos moradores mais ilustres que a Barra Funda já teve. O local promove ainda oficinas, cursos e palestras. Logo ao lado, uma rua leva o nome do modernista.
Casa Mário de Andrade - R. Lopes Chaves, 546, Barra Funda, região central, tel. 3666-5803. Ter. a dom.: 10h às 18h. Livre. GRÁTIS

Espaço Breu
Ocupando um galpão no bairro há pouco mais de um ano, o Breu é uma mistura de galeria, ateliê e espaço para performances e oficinas. No vão livre do primeiro andar, recebe exposições, cursos e debates. No segundo piso estão localizados os ateliês de experimentação de seis artistas: Gabriel Pitan Garcia, Júlio Lapagesse, Pedro Ivo Verçosa, Rafaela Foz, Renata Casagrande e Virgílio Neto. Até o dia 7/8, o local apresenta a série de pinturas “Arquétipos”, de Renato Rios, em diálogo visual com o conjunto de esculturas “Cubo”, de Laura Vinci. No próximo dia 8/8, começa um curso sobre criação artística e as ideias do filósofo francês Henri Bergson com o professor Franklin Leopoldo e Silva e o pesquisador Marcos Camolezi, ambos da USP.
R. Barra Funda, 444, Barra Funda, tel. 3663-6899. Qua. a sex.: 15h às 18h. Sáb.: 11h às 15h. Livre. GRÁTIS

Galpão Fortes D’Aloia & Gabriel
O local é uma das unidades da galeria que um dia se chamou Fortes Vilaça e que hoje é tocada por Márcia Fortes, Alessandra d’Aloia e Alexandre Gabriel. Há ainda seções na Vila Madalena e no Rio. O vasto espaço do galpão da Barra Funda permite mostras com obras em grandes formatos. Até sábado (28), a dupla formada pelo britânico Simon Evans e pela americana Sarah Lannan, que já esteve na 27ª Bienal de São Paulo e expôs no Palais de Tokyo, em Paris, exibe 15 trabalhos inéditos, criados a partir de colagens de objetos cotidianos encontrados nas ruas. A instalação que dá nome à mostra, “Shopping Chão”, é inspirada no comércio informal do Rio de Janeiro, onde a dupla morou por três meses.
R. James Holland, 71, Barra Funda, tel. 3392-3942. Ter. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 10h às 18h. Até 28/7. Livre. fdag.com.br. GRÁTIS

Galpão Tripé de Circo e Teatro
Este galpão que antes servia de depósito de material de construção em meio a casas e prédios baixos ganhou vida nova em 2015. Hoje, ele abriga três companhias de teatro e circo: a Cia. do Funil, a Rué La Companhia e o Circo di Sóladies. Sem atividades agendadas na sede, a Cia. do Funil está se apresentando em festival na Espanha, o grupo de palhaças mulheres Sóladies mostra em seu canal de YouTube um diário de bordo da criação do novo espetáculo, “Choque-Rosa”, e os atores e palhaços da Rué La Companhia promovem apresentações que misturam circo e literatura em bibliotecas municipais. A próxima acontece na quinta (2), na biblioteca Raul Bopp, na Aclimação, às 14h.
R. Lopes Chaves, 72, Barra Funda, tel. 3661-5205. 50 lugares. Seg. a sex.: 14h às 22h. Livre. Não aceita cartões.

Kasulo - Espaço de Cultura e Arte
A antiga Cia. Borelli, do coreógrafo Sandro Borelli, agora se chama Cia. Carne Agonizante e ocupa, desde 2009, esta sobreloja junto da Cia Fragmento de Dança, de Vanessa Macedo. O local é palco de apresentações de dança, workshops e cursos. Em agosto, oferece aulas para bailarinos. O projeto mensal Terça Aberta no Kasulo, em que artistas mostram seus trabalhos de dança, teatro ou performance, acontece no dia 7/8, às 17h. Após a apresentação, o público conversa com Macedo e a atriz Janaína Leite, curadoras do projeto.
R. Sousa Lima, 300, sobreloja, Barra Funda, tel. 3666-7238. Seg. a dom.: 17h30 às 22h. 18 anos. Não aceita cartões.

Teatro do Núcleo Experimental
O espaço é da companhia Núcleo Experimental, e de seu braço infantil, o Teatro do Bardo, dos diretores Zé Henrique de Paula e Fernanda Maia. A companhia, que nasceu em 2005 com o intuito de investigar novos autores e readaptar clássicos, esteve recentemente no Sesc Consolação com “1984”, espetáculo pelo qual concorre ao prêmio Shell de melhor cenário e que volta ao cartaz em outubro, no Teatro Porto Seguro. Por enquanto a casa não tem programação para os próximos dias, mas dá para tomar um chá ou um expresso no Café do Núcleo, que fica no hall.
R. Barra Funda, 637, Barra Funda, tel. 3259-0898. 65 lugares. Seg. a sex.: 9h às 18h.

VEM AÍ

Ateliê Dragão
Os artistas plásticos Frederico Heer, Guilherme Boso e Tobias Barletta abrem, na segunda quinzena de agosto, este espaço que promete reunir ateliês para uso coletivo com orientação técnica, oficinas e workshops. No segundo andar do edifício, eles estão montando uma gráfica artesanal com prensas para serigrafia, xilogravura e gravura em metal.
R. Dr. Sérgio Meira, 41, Barra Funda. ateliedragao@gmail.com

 

COMES E BEBES

A Baianeira
No começo, a casa da chef Manuelle Ferraz servia apenas saborosos pães de queijo feitos com queijo de leite cru que ela busca em sua terra, o Vale do Jequitinhonha, e que ainda dão as caras por ali. Desde o início deste ano, contudo, Ferraz passou a se dedicar mais às receitas do dia a dia, com sabores da roça e que, por ali, buscam combinar temperos do norte de Minas e da Bahia. Entre as receitas, podem aparecer o nhoque de batata-doce com creme de requeijão de corte ou o picadinho.
R. Da. Elisa, 117, Barra Funda, tel. 2538-0844. 17 lugares. Ter. a sáb.: 9h às 17h. $ 

A Dama e os Vagabundos
O rock sai da vitrola do bar e é tema de cartazes, quadros e tudo o mais desta casa com ar vintage. Aconchegado num sofá ou numa das mesas na calçada, dá para pedir o Porco de Tira, costelinha de porco cortada em tira com mandioca na manteiga de garrafa e queijo de coalho tostado com mel ou o pão com linguiça, com chimichurri e cebolete. Para beber, há drinques clássicos como o boulevardier e o Tom Collins, e criações da casa, como o CFC, com Cynar, Fernet e Campari, além de cervejas e doses.
R. Sousa Lima, 43, Barra Funda, s/ tel. 30 lugares. Qua. a sex.: 18h às 22h30. Sáb.: 15h às 22h30. Não aceita tíquetes.

Alquimia Rotisseria e Restaurante
Numa simpática casinha amarela de esquina fica este restaurante com cara de interior, ornado com utensílios de cozinha em cobre e pratos decorativos pendurados nas paredes. Além de comida para levar, como massas e carne de porco (destaque para o joelho), há também mesas nas partes interna e externa, com guarda-sóis, onde dá para provar risotos ou ostras gratinadas.
R. Sousa Lima, 174, Barra Funda, tel. 3667-2600. Seg. e ter.: 8h às 19h. Qua. a sex.: 8h às 21h. Sáb. e dom.: 8h às 18h. $

Armazém Garnizé
Inaugurado em outubro, o barzinho de estilo hipster e trilha sonora roqueira fica numa área bem tranquila do bairro, atrás da paróquia São Geraldo das Perdizes. Da cozinha saem tábuas de frios e embutidos, montadas com ingredientes à escolha do cliente (há opções como queijos serra da Canastra ou meia cura, pancetta e chorizo espanhol), além de hambúrgueres. Para beber, oferece chopes e cervejas especiais.
Lgo. Pe. Péricles, 110, Barra Funda, tel. 3662-0073. 44 lugares. Ter. a sex.: 17h às 23h. Sáb.: 16h às 23h30. Dom.: 16h às 22h30.

Bar do Zóio
Vizinho a uma praça e pertinho do Minhocão, o boteco reúne público animado com apresentações de música ao vivo e rodadas de cerveja em garrafa de 600 ml. O menu de comes reúne clássicos de bar: frango a passarinho, fritas, salgados —faz sucesso a coxinha— e sanduíches na chapa.
R. Conselheiro Brotero, 590, Barra Funda, tel. 3661-9175. 60 lugares. Seg. a sáb.: 6h às 24h. Dom.: 8h às 22h.

Bendito Café
O simpático café de clima familiar abriu as portas em janeiro. As bebidas quentes seguem a linha tradicional —há expresso, macchiato e cappuccino. O café coado é no estilo drip coffee, servido em sachê individual e preparado na mesa. Para adoçar, aposte na sericaia, doce português feito com gemas, açúcar e leite condensado. Atenção ao sorvete de tapioca, preparado ali mesmo.
R. Lavradio, 503, Barra Funda, tel. 4117-6024. 48 lugares. Seg. a qui.: 7h30 às 19h30. Sex.: 7h30 às 23h.

Brioche Brasil
O francês Christophe Guillard prepara delícias folhadas e pães saborosos numa portinha embaixo do Minhocão. São expostos em uma mesa logo na entrada os produtos do dia, como brioches, pains au chocolat, croissants, folhados de amêndoas e quiches. Há uma mesinha com assentos para quem não puder aguentar chegar em casa.
R. das Perdizes, 25, Barra Funda, tel. 98115-0834. 8 lugares. Seg. a sex.: 9h às 16h. Sáb.: 8h às 14h.

Caza Braza
Uma portinha ao lado do açougue de mesmo nome abriga o restaurante, com inauguração prevista para esta sexta (27). A especialidade ali, é claro, são as carnes. Assados em porções de 200 g ou 500 g, em cortes como costela, cupim ou frango, recebem acompanhamentos como vinagrete, farofa ou queijo de coalho. Para beber, fique com a cerveja em garrafa de 600 ml ou com os drinques, como o gim-tônica.
R. Barra Funda, 601, Barra Funda, tel. 2537-4587. 35 lugares. Ter. a sex.: 16h às 24h. Sáb. e dom.: 11h às 24h. $

Deep Bar 611
O bar é o representante dos pubs no bairro. Das caixas de som saem hits de rock, além de jazz e blues. O menu traz fish and chips e hambúrgueres. Para beber, oferece 45 rótulos de cerveja especiais mais os chopes da casa, da marca Cirkus, de estilo american IPA ou dry stout.
R. Barra Funda, 611, Barra Funda, tel. 4304-0611. Ter. a sáb.: 18h15 à 1h.  Não aceita tíquetes.

Dali Daqui
A marca do bar, uma imagem do pintor espanhol Salvador Dalí vestindo o adereço de cabeça de Carmem Miranda, indica a irreverência e a mistura de culturas que se encontram por ali. O menu traz receitas de lá, como os bolinhos de paella recheados de presunto cru e rúcula, e de cá, caso dos bolinhos de feijoada. Na ala dos drinques, os destaques são os chupitos —shots de 50 ml ou de 100 ml—, como o Salamanco, que mistura rum, vermute, Campari e suco de limão.
R. Conselheiro Brotero, 71, Barra Funda, tel. 2387-8123. Ter. a sex.: 18h à 1h. Sáb.: 17h às 2h. Não aceita tíquetes. Couv. art.: R$ 10 a R$ 20.

Lá da Vendinha
No bairro desde 2015, a loja de fábrica do restaurante-empório Lá da Venda, de Heloísa Bacellar, oferece almoço de segunda a sexta, além de cafés, bolos e, é claro, seu famoso e premiado pão de queijo. Os pratos, servidos em marmitas de plástico, variam a cada dia.
R. Lopes Chaves, 402A, Barra Funda, tel. 3868-1407. 8 lugares. Seg. a sex.: 11h às 17h.

Pollo Loko
A casa é uma das 11 unidades na capital da rede de frango frito que nasceu em 2015 no Bom Retiro. Criada por coreanos, atende no local e entrega em casa a farta caixa de pedaços de frango. O cardápio é enxuto: há porções só de peito, só de asa e coxa, e a mista, com batata rústica e molhos como mostarda e mel ou alho.
R. Barra Funda, 606, Barra Funda, tel. 99849-0120. Ter. a dom.: 17h às 22h30. Não aceita tíquetes. $

Scar
Pôsteres de bandas de punk rock e de hardcore enfeitam o bar, que ocupa um charmoso imóvel dos anos 1950, de paredes azul-bebê e balcão cor-de-rosa. É dali que saem os coquetéis —o Filomeno, com gim infuso em blueberry, limão, licor de laranja e clara de ovo, é criação de lá. Para comer, fique com porções como a de falafel ou com os sanduíches de mozarela ou pastrami, ingredientes produzidos no local.
R. Margarida, 30, Barra Funda, s/ tel. Qua. a sex.: 18h às 24h. Sáb.: 15h às 24h. Não aceita tíquetes.  

Quinzeiro
Nesta casa de esquina de pé-direito alto e salão amplo, o palco e a decoração com discos de vinil indicam a vocação para receber apresentações de música ao vivo, que rolam todo fim de semana. Os estilos variam entre MPB, samba e rock. Durante o almoço, serve pê-efes e cuscuz nordestino.
R. Conselheiro Brotero, 506, Barra Funda, tel. 3661-0975. 100 lugares. Ter. a dom.: 11h às 23h. Couv. art.: R$ 5 a R$ 15.

Restaurante Casa do Norte
O espaço oferece comida nordestina, farta e saborosa, no almoço e no jantar. Para acompanhar o baião de dois com carne de sol ou o escondidinho, peça a cerveja de garrafa ou a caipirinha (e escolha entre mais de 50 rótulos de cachaças). 
R. Barra Funda, 341, Barra Funda, tel. 3662-1434. 100 lugares. Seg. a sáb.: 7h às 23h30. Dom.: 9h às 18h. $

 

PARA BADALAR

4e20
Aberto em março, o bar fica escondido num canto do bairro dominado por prédios comerciais. Tem um salão amplo, de iluminação esverdeada, com balcões, sofás e toca-discos, e promove festas gratuitas de jazz, soul, eletrônica e cúmbia —neste sábado (28), rola a festa 4:20 e 4, a partir das 17h. Para beber, serve coquetéis clássicos, como o Aperol spritz, e criações autorais, como a Caipigina (caipirinha feita de gim). 
R. Margarida, 420, Barra Funda, tel. 3663-5444. 50 lugares. Qui. a sáb.: 16h20 às 2h. Não aceita tíquetes.

Clube V.U.
Desde novembro, a capa do álbum “VU” (1985), da banda Velvet Underground, estampa a fachada da balada (obviamente) roqueira. A programação começa junto com a semana: às segundas, recebe um barman convidado, com entrada gratuita e som animado por DJs. Nos outros dias, tem  festas de vertentes variadas do rock —os sábados são da Monstra, com hits alternativos do gênero. A deste fim de semana comemora os 40 anos dos ingleses do The Cure.
R. Lavradio, 559, Barra Funda, tel. 3661-2095. 96 pessoas. Seg.: 20h às 3h. Qua. e qui.: 17h às 24h. Sex. e sáb.: 22h às 5h. 18 anos. Ingr. ou cons. mín. (sex. e sáb.): R$ 10 a R$ 50.

Fabrique
Como o nome sugere, o ambiente lembra o de uma fábrica e remete ao passado do bairro. A pista é ampla, assim como a agenda: o local recebe festas como a Revolução Neon (neste sábado, 28), de hip-hop, funk e trap e a eletrônica ODD (11/8), além de shows. Os australianos da banda de eletrônica Cut Copy tocam por lá no dia 28/8. 
R. Barra Funda, 1.071, Barra Funda, tel. 95080-0033. 680 pessoas. Confira a programação em fb.com/fabriquesp. 18 anos.

Olga 17
​O local de trilha roqueira é uma espécie de centro cultural e tem programação de exposições, shows e festas, além de uma hamburgueria, a Soul Pax, que funciona durante o dia. Um destaque é a decoração, cheia de detalhes, como uma coleção de patos de borracha, brinquedos antigos e outras curiosidades. A clássica On The Rocks, festa que antes rolava às segundas no clube vizinho D-Edge, adotou o espaço e agita as noites de sexta por ali desde 2016.
Al. Olga, 217, Barra Funda, tel. 3663-5444. Programação em fb.com/Olga17sp. 18 anos. Cons. Min.: R$ 30.

DO OUTRO LADO DO TREM

Em 1914, no largo da Banana, um dos berços do samba paulista, foi fundado o primeiro cordão carnavalesco da cidade, o Barra Funda. O largo sumiu do mapa nos anos 1950, dando espaço ao viaduto do Pacaembu, que une os dois lados do bairro, cortado pela linha do trem. Na área entre o rio Tietê e a ferrovia, conhecida como Várzea da Barra Funda, a deterioração após a fuga das indústrias foi ainda maior. Mas, nos últimos anos, assim como prédios comerciais e residenciais, instalaram-se ali casas dispostas a mudar a cara das paragens. Além dos pioneiros da alta gastronomia Komah (r. Côn. Vicente Miguel Marino, 378, tel. 3569-7956) e Capivara (r. Dr. Ribeiro de Almeida, 157, s/tel.), há o boteco chique Cruzeiro’s Bar (r. Cruzeiro, 952, tel. 3392-6181), já quase no rio, e o novato Coa Café (av. Mq. de São Vicente, 405, lj. 13, s/ tel.), que serve sanduíches no brioche e café em diferentes métodos de extração.

 

OS CLÁSSICOS

Bacalhau, Vinho e Cia.
Desde 1973, o restaurante português serve, em um ambiente familiar, pratos típicos da culinária do país, como bolinhos de bacalhau, bacalhoada e sardinhas. No espaçoso salão, garçons ainda levam às mesas o tradicional pastel de nata, que chega quentinho.
R. Barra Funda, 1.067, Barra Funda, região central, tel. 3666-0381. 200 lugares. Seg.: 11h30 às 16h. Ter. a sáb.: 11h30 às 23h. Dom.: 11h30 às 17h. $$$$$

Bar do Val
Praticamente uma instituição do bairro, o bar é comandado por Antonio Varteresian, o Val, há cerca de 20 anos —ele mesmo não sabe dizer ao certo. Desde que assumiu a casa, que já funcionava como bar, Val fez questão de manter o ambiente, com os mesmos azulejos e o balcão da década de 1950, e o som, que ele descreve como “100% rock and roll”. O balcão de zinco abriga galões coloridos com cachaças e vodcas saborizadas, de sabores como pequi, cambuci e chiclete com banana. Mas por trás da fachada de boteco, escondem-se as geladeiras abastecidas com mais de 200 rótulos de cervejas especiais. Para os abstêmios, há refrigerantes (em garrafas KS).  
R. Brig. Galvão, 612, Barra Funda, tel. 3664-7853. 25 pessoas. Seg. a qua. e sáb.: 10h às 24h. Qui. e sex.: 10h à 1h.

Blue Space
O casarão azul de esquina é ocupado pela balada LGBT desde quando a sigla para esse público era GLS. Há 22 anos no bairro, é referência em shows de drag queens. Com duas pistas, uma dedicada ao pop, com muita Beyoncé e Britney, e outra ao techno, o espaçoso lugar é perfeito para dançar à vontade, com muita pose e pouco carão. 
R. Brig. Galvão, 723, Barra Funda, tel. 3666-1616. 1.500 pessoas. a partir das 23h. 18 anos. Ingr. ou cons. mín.: R$ 25 a R$ 80. Há desc. c/ nome na lista p/ facebook.com/bluespacesp.

D-Edge
A balada, que já foi eleita entre as melhores do mundo pela revista inglesa “DJ Mag”, chegou à maioridade neste ano. Com duas pistas repletas de LEDs e um lounge futurista, é reconhecida pela qualidade da seleção de DJs internacionais e locais que tocam ali.
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 141, Barra Funda, tel. 3665-9500. 800 pessoas. a partir das 23h. 18 anos. Ingr. ou cons. mín.: R$ 40 a R$ 160. Há desc. c/ nome na lista p/ d-edge.com.br

Dulca
A loja de fábrica da tradicional doceria, fundada em 1951, é um simpático café. Ali, dá para comer ou levar para casa os deliciosos sonhos recheados na hora. O local oferece, também, opções de minidoces, como tortinhas de morango, bombons, torrones e itens de padaria, além de ter panetone o ano todo.
R. Lopes Chaves, 134, Barra Funda, região central, tel. 3666-4766. 20 lugares. Seg. a sex.: 8h30 às 17h30. Sáb.: 8h às 12h.

Memorial da América Latina
O complexo, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1989, foi pensado para promover a integração dos povos de origem portuguesa e hispano-americana. O espaço recebe exposições, como a de Durval Pereira, atualmente em cartaz, e mostras de cinema, como o Festival de Cinema Latino-Americano até 1º/8. Nos últimos anos, tem recebido também feiras gastronômicas temáticas.
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, tel. 3823-4600. Ter. a dom.: 9h às 18h. Livre. GRÁTIS

Theatro São Pedro
Aberto em 1917 como teatro de ópera, o local chegou a virar cinema. Foi reaberto em 1998, após restauração, e, em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, voltou à sua vocação inicial. Hoje, apresenta temporada lírica com obras pouco executadas. A partir do dia 17/8, entra em cartaz a ópera “Kátia Kabanová”, de 1921, do compositor tcheco Leos Janácek.
R. Dr. Albuquerque Lins, 207, Barra Funda, tel. 3661-6600. 636 lugares. Bilheteria: qua. a sex.: 12h às 17h. Sáb.: 10h às 14h.

Ponto Chic
A filial da casa, fundada no largo do Paissandu e responsável pela criação do bauru, ocupa um sobrado no bairro desde 1978. No almoço, há comida a quilo. Na janta, o chope acompanha o sanduíche clássico.
Lgo. Padre Péricles, 139, Barra Funda, tel. 3826-0500. 180 lugares. Seg. a sex.: 7h às 2h. Sáb. e dom.: 8h às 2h.

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