Jean-Luc Godard ganha maior retrospectiva já feita sobre sua obra

São Paulo será dos cinéfilos a partir da semana que vem. Além da abertura da Mostra Internacional de Cinema —sobre a qual o "Guia" lançará uma edição especial—, começa na quarta (21) a mostra "Jean-Luc Cinéma Godard", a maior retrospectiva da história sobre o cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard.

A programação, que dura até 2/12, contempla as mais de cem obras do diretor, incluindo curtas e longas-metragens, além de filmes publicitários, vídeo-cartas e outros experimentalismos.

Para o curador Eugenio Puppo, o evento traz um debate importante. "O cinema de Godard tem viés político e profundidade", diz. "É uma narrativa diferente, ausente no nosso cinema."

Para ajudar a imergir na filmografia, o "Guia" selecionou obras do diretor com base nas fases que marcaram seus mais de 60 anos de carreira: os primeiros filmes, a nouvelle vague —movimento francês que contrapôs ideias do cinema comercial no fim da década de 1950—, as produções no coletivo Dzego Vertov, nos anos 1980 e pós-anos 1990.

Além dos filmes, atente-se para as indicações de debates, cursos e palestras.

O evento ocorre em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

Quando:

21/10 a 2/12

Onde:

Centro Cultural Banco do Brasil - r. Álvares Penteado, 112, Centro, tel. 3113-3651. Ingr.: R$ 4.

CineSesc - r. Augusta, 2.075, Cerqueira César, tel. 3087-0500. Ingr.: R$ 12.



LINHA DO TEMPO

  • Godard nasce em Paris, no dia 3/12/1930, filho de médico, e, por parte de mãe, neto de banqueiro; passa a infância na Suíça; estuda etnologia na Sorbonne, na capital francesa, e aos 21 anos, passa a colaborar com as revistas especializadas "La Gazette du Cinéma" e "Cahiers du Cinéma".
  • Em 1954, Godard, com 23 anos de idade, perde a mãe e, na Suíça, trabalha como pedreiro. O fato serve de argumento para que ele realize a sua primeira obra, o curta-metragem "Operação Concreto". Mais quatro curtas feitos até 1959 marcam a fase inicial do diretor.
  • Em 1959, lança seu primeiro longa, "Acossado". O filme é o seu inaugural para o movimento cinematográfico nouvelle vague que, com outros nomes como Chabrol, Rohmer, Rivette e Truffaut, defendeu ideais contrários à estética vigente na época e valorizou a direção —o filme de autor, a câmera na mão.
  • Os anos 1960 consagraram Godard e a nouvelle vague. "Uma Mulher É uma Mulher", "Viver a Vida", "O Demônio das Onze Horas" e "A Chinesa", são exemplos do período, também conhecido como "anos de Karina", referência à atriz Anna Karina, sua primeira mulher.
  • Após o movimento estudantil de 1968, lança com Jean-Pierre Godin o coletivo Dziga Vertov, adota o maoísmo e abdica da autoria de suas obras. Seus filmes são cada vez mais políticos, como "Pravda", sobre a invasão soviética.
  • Na segunda metade dos anos 1970, dedica-se à televisão ao lado da segunda mulher, Anne-Marie Miévelle; nos anos 1980, também para a TV, lança "História(s) do Cinema", e retorna às telonas numa segunda fase da nouvelle vague.
  • Os anos 1980, de obras polêmicas como "Eu Vos Saúdo, Maria", é também período da produção publicitária. Pós-1990, segue vanguardista. Seu mais recente longa, "Adeus à Linguagem", que dirigiu aos 83 anos, é o seu primeiro em 3D.

PRIMEIRAS OBRAS
Antes de produzir o seu primeiro longa, em 1959, Godard fez cinco curtas

Operação Concreto (1954)
Godard e o engenheiro Jean-Pierre Laubcher escreveram juntos a narrativa que exalta a grandeza da barragem Grande-Dixence, nos Alpes Suíços. As filmagens mostram o período de construção da obra, que, uma vez finalizada, seria capaz de controlar o clima e o relevo da área.

CCBB. Dia 1º/11, às 19h. CineSesc. Dia 1º/12, às 17h. 20 min. Livre. 35 mm. PB.

Uma Mulher Faceira (1955)
Agnès, jovem da burguesia de Genebra, na Suíça, fica fascinada pelas atitudes adotadas por uma prostituta em busca de clientes. Decidida a imitar a profissional, ela resolve seduzir o primeiro homem que vê, no banco de um jardim, e trai seu marido. Tudo está contado numa carta que Agnès escreve para uma amiga.

CCBB. Dia 5/11, às 17h. 10 min. 14 anos. DVD. PB.

Todos os Rapazes se Chamam Patrick (1957)
As jovens Charlotte (Anne Collette) e Véronique (Nicole Berger), universitárias que dividem apartamento em Paris, conversam sobre os rapazes que cada uma conheceu depois de se desencontrarem em um parque. Elas não sabem que se trata do mesmo homem, Patrick (Jean-Claude Brialy).

CCBB. Dia 1º/11, às 19h. CineSesc. Dia 1º/12, às 17h. 21 min. 12 anos. Blu-ray. PB.

Uma História de Água (1958)
Uma jovem da cidade francesa de Villenueve-Saint-Georges quer viajar de ônibus até Paris, mas a cidade está inundada. Ela precisa, então, continuar a jornada em um barco para chegar até uma área protegida das enchentes. De lá, a moça segue para a capital do país de carona com um rapaz, com quem flerta até o destino final.

CCBB. Dia 1º/11, às 19h. CineSesc. Dia 1º/12, às 17h. 18 min. 10 anos. Beta Digital. PB.

Charlotte e seu Namorado (1959)
Em Paris, a ex-namorada de Jules, Charlotte, vai visitá-lo em um quarto de hotel. Usando argumentos e falando sobre os motivos do fim da relação, ele espera que o casal reate. As atitudes de Charlotte, no entanto, o surpreendem.

CCBB. Dia 1º/11, às 19h. CineSesc. Dia 1º/12, às 17h. 20 min. Livre. Beta Digital. PB.


NOUVELLE NOVAGUE
Godard é um dos expoentes do movimento que valorizou o filme de autor

Acossado (1959)
É o primeiro longa do diretor e um dos mais famosos da nouvelle vague. Narra a trajetória de Michel, que rouba um carro em Marselha e, rumo a Paris, mata um policial. Na capital, ele se relaciona com Patricia, norte-americana estudante e vendedora de jornais, e tenta convencê-la de irem juntos para a Itália. Quando as fotos de Michel estampam as páginas policiais, inicia-se a sua derrocada.

CCBB. Dia 2/11, às 19h30. CineSesc. Dia 29/11, às 21h. 87 min. 14 anos. 35 mm. PB.

Uma Mulher É uma Mulher (1961)
Uma reflexão sobre o endeusamento das atrizes, repleta de incomunicabilidade e experimentações técnicas, em que Godard apresenta sua antiglamourosa Angelica (Anna Karina, leia na pág. 14). Ela quer, a todo custo, ter um filho, mas o namorado dela não quer o mesmo. Eis que um amigo do casal pode ser a solução.

CCBB. Dia 4/11, às 17h. CineSesc. Dia 2/12, às 21h. 84 min. 16 anos. 35 mm. Cor.

Viver a Vida (1962)
São 12 capítulos desconexos, que mostram a parisiense Nana. Ela deixa marido e filho para tentar a carreira de atriz, vai trabalhar numa loja de discos, mas acaba despejada. Vaga pela rua e se prostitui, primeiro ocasionalmente, depois como profissional conduzida pelo cafetão Raoul. Ela, então, se apaixona outra vez.

CCBB. Dia 5/11, às 17h, e dia 8/11, às 19h30. CineSesc. Dia 1º/12, às 21h. 85 min. 16 anos. Blu-ray. PB.

O Desprezo (1963)
O roteirista Paul é contratado pelo produtor Jeremy para participar de uma versão de "Odisseia" dirigida por Fritz Lang (no filme, Lang é interpretado por ele próprio). A mulher de Paul, Camille (Brigitte Bardot), vai com ele até as locações onde o filme está sendo rodado. Lá, uma série de mal-entendidos e ocasiões fazem Camille pensar que seu marido a vendeu ao produtor para conseguir o trabalho, e ela passa a desprezá-lo. Baseado no livro homônimo de Alberto Moravia.

CCBB. Dia 5/11, às 21h, e dia 8/11, às 15h. CineSesc. Dia 27/11, às 19h. 100 min. 16 anos. 35 mm. Cor.

Banda à Parte (1964)
A professora de inglês Odile é seduzida pelos bandoleiros Franz e Arthur. Quando a dupla descobre que a tia da moça possui uma fortuna em casa, eles tentam convencê-la a auxiliá-los no roubo. A voz do narrador é do próprio Godard.

CCBB. Dia 15/11, às 16h30. 95 min. Livre. 35 mm. PB.

Alphaville (1965)
O diretor usou elementos de livros como "Admirável Mundo Novo" (1932), de Aldous Huxley, e "1984" (1949), de George Orwell, para criar Alphaville. Trata-se de uma cidade futurista controlada tiranicamente pelo computador Alpha 60. O agente secreto Lemmy Caution, então, é enviado até lá para destruir a máquina e encontrar a desaparecida Natacha von Braun.

CCBB. Dia 4/11, às 19h. CineSesc. Dia 30/11, às 21h. 99 min. 12 anos. 35 mm. PB.

O Demônio das Onze Horas (1965)
O descontentamento do diretor com o modo de a sociedade agir é transpassado ao protagonista Pierrot, que, cansado da vida que leva com a mulher e com os filhos, foge com a babá.

CCBB. Dia 6/11, às 19h, e dia 9/11, às 19h. CineSesc. Dia 28/11, às 21h. 110 min. 12 anos. 35 mm. Cor.

Duas ou Três Coisas que Eu Sei Dela (1966)
O filme mostra alguns dos dilemas que circundam a Paris dos anos 1960, como o consumo e a Guerra do Vietnã. Eles são expostos de forma descontínua a partir de fragmentos da vida cotidiana de Juliette, uma dona de casa e prostituta que reside no subúrbio.

CCBB. Dia 2/11, às 17h30, e dia 8/11, às 17h30. 90 min. 12 anos. DVD. PB.

A Chinesa (1967)
Durante as férias de verão, cinco jovens se reúnem num apartamento para criar uma célula maoísta -maoismo diz respeito ao movimento comunista chinês liderado por Mao Tsé-Tung (1893-1976). O grupo estuda e debate temas políticos e sociais, mas decide tomar medidas mais extremas: assassinar um ministro soviético.

CCBB. Dia 12/11, às 19h, e dia 16/11, às 19h. CineSesc. Dia 2/12, às 19h. 95 min. 16 anos. 35 mm. Cor.

Week-end à Francesa (1967)
Num fim de semana, um casal burguês viaja para o interior da França a fim de conseguir uma herança familiar. Durante o trajeto, eles se deparam com situações violentas e apocalípticas: engarrafamento, acidentes de trânsito, estupro, assassinato e canibalismo.

CCBB. Dia 13/11, às 17h, e dia 16/11, às 17h. 95 min. 16 anos. 35mm. Cor.


DZIGA VERTOV
O coletivo no qual o cineasta evidenciou o viés político de sua obra pós-1968

Pravda (1969)
Este foi o primeiro filme produzido pelo coletivo Dziga Vertov -batizado assim em homenagem ao cineasta russo-, fundado por Godard e pelo intelectual Jean-Pierre Gorin. O documentário foi encomendado pela West German Television e propõe uma análise da situação da Tchecoslováquia no final dos anos 1960, meses após a invasão soviética.

CCBB. Dia 11/11, às 19h30. 58 min. Livre. Beta Digital. Cor.

Vento do Leste (1969)
O filme ensaístico discute o que é fazer cinema e os caminhos do cinema revolucionário. O cineasta brasileiro Glauber Rocha (1939-1981) participa de uma cena, na qual aparece numa encruzilhada.

CCBB. Dia 15/11, às 19h.100 min. Livre. 16mm. Cor.

Aqui e Acolá (1974)
Neste documentário, também conhecido como "Aqui e em Qualquer Lugar", os cineastas Godard e Jean-Pierre Gorin, na companhia de Anne-Marie Miéville, investigam a ocupação palestina na Jordânia. Para isso, eles comparam os cotidianos de duas famílias, uma palestina e uma francesa.

CCBB. Dia 20/11, às 19h30. 55 min. Livre. 16mm. Cor.


DÉCADA DE 1980
Marca a retomada do diretor ao cinema após um período de produção para TV

Carmen de Godard (1982)
Integrante de um grupo terrorista, Carmen elabora um roubo a banco com seus amigos. O projeto fica em risco quando a jovem se apaixona pelo segurança do local. Baseado na ópera "Carmen", do francês Georges Bizet.

CCBB. Qua. (21), às 17h. 85 min. 14 anos. 35 mm. Cor.

Eu Vos Saúdo, Maria (1983)
O filme (foto) foi proibido de ser exibido no Brasil depois que o papa João Paulo 2° condenou o conteúdo, que moderniza a história de Maria. Quando uma esportista virgem surge grávida, seu namorado fica inconformado. É necessário que o anjo Gabriel interceda para convencê-lo a aceitar os planos divinos.

CCBB. Qua. (21), às 19h. 72 min. 18 anos. 35 mm. Cor.

Pequenas Notas sobre o Filme Eu Vos Saúdo, Maria (1983)
No curta estão conversas de Godard com Myriem Roussel -a protagonista de "Eu Vos Saúdo, Maria"- e seu processo de trabalho, testes de cena e a elaboração dos diálogos do filme.

CCBB. Qua. (21), às 19h. 25 min. 18 anos. Beta Digital. Cor.

Detetive (1984)
Em um hotel, várias histórias se intercalam: dois detetives que investigam um assassinato, um boxeador que se prepara para uma grande luta, um casal que precisa receber o pagamento de uma dívida e um mafioso que aumentará ainda mais a tensão entre os três grupos anteriores.

CCBB. Qui. (22), às 17h. 95 min. 16 anos. 35 mm. Cor.


PRODUÇÃO PÓS-1990
Além das obras mais recentes, contempla o obrigatório "História(s) do Cinema"

História(s) do Cinema (1988-1998)
Gravada ao longo de dez anos e marco na década de 1990, a série reúne documentários em curta-metragem, nos quais Godard conta a história do cinema usando as linguagens do próprio meio, além de uma narração feita por ele, para abordar a história da arte e dar-lhe a sua interpretação pessoal.

Episódios 1A e 1B. 93 min. CCBB, dia 27/11, às 13h. CineSesc, dia 28/11, às 15h. Episódios 2A, 2B e 3A. 80 min. CCBB, dia 27/11, às 15h. CineSesc, dia 29/11, às 15h. Episódios 3B, 4A e 4B. 91 min. CCBB, dia 27/11, às 17h. CineSesc, dia 30/11, às 15h. Livre. Blu-ray. Cor.

Alemanha Ano 90 (1991)
Godard dá início à sua filmografia moderna, baseando-se na queda do muro de Berlim. Por meio da história de Lemmy Caution, um detetive norte-americano que vive na cidade alemã, o longa retrata a derrubada do muro e revela aspectos da história da Alemanha, sejam eles bons, ruins, bonitos ou feios.

CCBB. Dia 24/10, às 17h. CineSesc. Dia 27/11, às 15h. 62 min. Livre. Blu-ray. Cor.

JLG/JLG: Autorretrato de Dezembro (1994)
Como o título sugere, Jean-Luc Godard reflete sobre sua própria obra. Além de discutir sua filmografia no documentário, o cineasta aborda questões como a sua posição na história do cinema, a relação entre o filme de indústria e o de arte e a atitude de criar arte.

CCBB. Dia 25/10, às 17h. 62 min. Livre. 35 mm. Cor.

Elogio ao Amor (2001)
O longa é dividido em quatro partes (são elas: o encontro, a plenitude física, a separação e a reconciliação) e retrata o relacionamento de três casais. O filme não tem linearidade, começo ou fim, característica marcante na filmografia do francês. A obra também é pontuada por críticas aos Estados Unidos, ao estilo do cinema produzido no país e aos profissionais da indústria cinematográfica, como o diretor Steven Spielberg.

CCBB. Dia 30/10, às 19h30. Dia 1°/11, às 17h. 95 min. 14 anos. 35 mm. PB e cor.

Nossa Música (2004)
80 min. 12 anos. 35 mm. Cor.

Godard também preferiu dividir este drama, que tem três capítulos. Em "Inferno", há imagens de guerra, com explosões, tanques, tiroteios e execuções. "Purgatório" retrata Sarajevo, capital da Bósnia. No capítulo seguinte, "Paraíso", a mesma personagem procura a paz na água, em uma marinha protegida por americanos.

CCBB. Dia 30/10, às 17h30. Dia 31/10, às 19h30.

No Breu do Tempo (2002)
Encomendado para a Exposição Nacional da Suíça, o curta é, na verdade, um capítulo do filme "Ten Minutes Oldes: The Cello", que contou com a participação de oito diretores. O segmento de Godard aborda a morte por meio da técnica de colagem, pinturas, trechos de filmes, textos em "off" e músicas.

CCBB. Qui. (22), às 19h. 10 min. 14 anos. Digital. Cor.

Eis o Homem (2006)
O curta foi produzido especialmente para ser exibido na exposição "Voyage(s) Enutopie, 1946-2006", realizada no Centro Pompidou, em Paris, em 2006. O vídeo é composto de imagens e sons que revisitam a série "História(s) do Cinema".

CCBB. Qui. (22), às 19h. 2 min. 12 anos. DVD. Cor.

"Trechos escolhidos de História(s) do Cinema" (2004)
Neste longa-metragem, que mistura vídeo e colagem, Godard analisa filmes e oferece sua reflexão histórica e crítica sobre o cinema, além de abordar suas próprias vida e obra.

CCBB. Qui. (22), às 19h. 84 min. Livre. 35 mm. Cor.

Filme Socialismo (2010)
Exibido pela primeira vez na mostra Un Certain Regard, realizada em paralelo com o Festival de Cannes, o longa é dividido em três movimentos, como o próprio diretor os chama. O primeiro mostra o relacionamento entre passageiros de um navio, entre eles um criminoso de guerra e um detetive russo. No segundo, ambientado em uma estação de coleta de gás, duas crianças questionam os pais sobre liberdade, igualdade e fraternidade. No último movimento, o filme vai a seis países, como Egito e Grécia.

CCBB. Dia 31/10, às 15h. 102 min. Livre. 35 mm. Cor.

Adeus à Linguagem (2014)
Este foi o primeiro longa-metragem feito em 3D por Godard. Na trama, um homem e uma mulher dividem uma casa -mas nada se sabe de suas vidas fora dali, a não ser que a personagem feminina é casada. Dentro do imóvel, eles conversam sobre a questão da linguagem sob o ponto de vista filosófico, enquanto um cão os observa. Curiosamente, o cineasta francês nunca havia ganhado nenhum prêmio no Festival de Cannes. "Adeus à Linguagem" lhe trouxe o primeiro, o prêmio do júri, que dividiu com o filme canadense "Mommy", de Xavier Dolan.

CCBB. Dia 31/10, às 17h30. Dia 1°/11, às 15h. CineSesc. Dia 26/11, às 21h (3D). 70 min. 16 anos. Blu-ray. Cor.

A Ponte dos Suspiros (2014)
O capítulo gravado por Godard é parte do longa "Pontes de Sarajevo", formado por pequenas histórias que foram filmadas por 13 cineastas europeus, que mostram suas reflexões sobre os conflitos na Bósnia. O francês encarrega-se do segmento "A Ponte dos Suspiros", no qual faz uma reflexão sobre as fotografias que retratam conflitos na guerra.

CCBB. Dia 30/10, às 17h30. 8 min. 12 anos. Blu-ray. Cor.


DUAS OBRAS SERÃO EXIBIDAS PELA 1ª VEZ NO BRASIL

Salve a Vida (Quem Puder) (1979)
O vídeo de 20 minutos é uma compilação de cinco sequências de "Salve a Vida (Quem Puder)" e extratos de outros filmes: "Velho e Novo" (1929), de Sergei Eisenstein e Grigori Alexandrov, "O Enrascado" (1922), de Edward Kline e Buster Keaton, "A Terra Treme" (1948), de Luchino Visconti, e "O Homem de Mármore" (1977), de Andrzej Wajda. O curta estreou no festival de Roterdã, em 1981, em meio a palestras sobre a história do cinema ministradas por Godard.

CCBB. Dia 28/11, às 18h.

Seis Vezes Dois (1976)
É o 13º episódio "abandonado" da série de TV que foi veiculada em seis partes com dois programas cada. Nos vídeos, Godard e sua então mulher, Anne-Marie Miéville, discutem
a comunicação em ensaios
e em entrevistas com personalidades diversas.

CCBB. Partes 1A e 1B: dia 27/11, às 19h.

CCBB. Partes 2A e 2B: dia 28/11, às 13h30.

CCBB. Partes 3A e 3B: dia 29/11, às 14h30, às 17h e às 19h.

CCBB. Partes 4A e 4B: dia 29/11, às 17h.

CCBB. Partes 5A e 5B: dia 29/11, às 19h.

CCBB. Partes 6A e 6B + episódio cortado: dia 30/11, às 13h.


TRABALHOS EXPERIMENTAIS
Filmes publicitários, vídeo-cartas e uma série de TV

Publicitários (1971-1992)
A sessão reúne cinco filmes feitos por Godard sob encomenda, dos quais três foram pedidos pelos estilistas franceses Marithé
e François Girbaud.

CCBB. Dia 24/10, às 19h. 25 min. Livre. DVD. Cor.

France Tour Détour Deux Enfants (1977-1978)
Godard e Anne-Marie Miéville gravaram a série para o canal de TV Antenne2. Nos episódios, eles desconstroem a estrutura televisiva da época e inventam seu próprio método, usando reportagens, entrevistas e clipes.

CCBB. Episódios 1 a 4, dia 26/11, às 14h30. Episódios 5 a 8, dia 26/11, às 17h. Episódios 9 a 12, dia 26/11, às 19h. 12 ep. de 26 min. Livre. Vídeo. Cor.

Por Thomas Wainggai (1991)
Godard e Miéville gravaram essa vídeo-carta, endereçada ao presidente da Indonésia, para pedir a libertação do ativista Thomas Wainggai.

CCBB. Dia 21/11, às 19h30. 3 min. Livre. Beta Cam SP. Cor.

Prece por Refusniks (2004)
Godard gravou esta mensagem a dois jovens soldados israelenses que se negavam a atuar na Palestina.

CCBB. 29/10 às 17h30. 7 min. 12 anos. Digital. Cor.

Khan Khanne (2014)
Às vésperas da estreia de "Adeus à Linguagem", Godard gravou esta carta para os diretores do Festival de Cannes, na qual retoma imagens dos seus filmes e reflete sobre o cinema.

CCBB. 29/10 às 19h30. 8 min. Livre. Digital. Cor.


OUTRAS ATRAÇÕES
Palestras e cursos gratuitos com brasileiros e estrangeiros, e lançamento de livro

Debate
Ismail Xavier, professor da ECA-USP desde 1971, e Luiz Carlos Oliveira Jr., autor do livro "A Mise en Scène no Cinema: Do Clássico ao Cinema de Fluxo" discutem a obra do cineasta.

CCBB. Dia 14/11, às 16h.

Curso
Em "Autorretrato e Autocrítica no Cinema de Godard", o objetivo é apontar e discutir as diferentes figuras do autor e da autocrítica na obra de Godard desde os anos 1950. O curso é ministrado por Mateus Araújo, professor da ECA-USP e doutor pela Universidade de Paris.

CCBB. Dia 5 e 6/11, das 10h às 12h.

Palestra
A conversa é comandada por Céline Scemama, professora de estética do cinema na Universidade de Paris e autora de "Histoire(s) du Cinema de Jean-Luc Godard: la Force Faible d'Un Art" (em tradução livre, "História(s)
do Cinema de Jean-Luc Godard: A Frágil Força de uma Arte").

CineSesc. Dia 16/11, às 19h.

Catálogo Godard
Será lançado um catálogo (foto)com textos inéditos e crítica das mais de cem obras de Jean-Luc Godard. Contribuíram para o livro pesquisadores brasileiros e especialistas estrangeiros. Para adquirir a obra, é necessário comprar seis ingressos.

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