Sem sustos fáceis, nova versão de 'João e Maria' é sombria e violenta

Filme ganha força com Sophia Lillis, que atuou nos dois longas de "It", baseado em Stephen King

São Paulo

Maria e João: O Conto das Bruxas

  • Classificação 14 anos
  • Elenco Sophia Lillis, Samuel Leakey, Charles Babalola e Alice Krige
  • Produção Canadá/Irlanda/EUA/África do Sul, 2020. 88 min
  • Direção Rob Hayes

As desventuras de Maria e João, ou Gretel e Hansel, seus nomes no original alemão, vieram do folclore germânico e foram adaptadas em conto pelos irmãos Grimm, no século 19. Recontadas exaustivamente desde então, dificilmente tiveram um versão tão sombria e violenta como a mostrada no filme de terror "Maria e João - O Conto das Bruxas".

Dirigido pelo ator americano Oz Perkins, de carreira sem brilho diante ou atrás da câmera, o filme acerta em roteiro, fotografia e ótimos atores mirins. O roteirista Rob Hayes procurou as abordagens mais violentas possíveis para a jornada do casal de irmãos. E não amenizou nada. Com menos de cinco minutos de sessão, a atormentada mãe dos meninos já pega um machado para fazer picadinho de sua prole.

Fugindo apenas com a roupa imunda no corpo, Maria e João vagam sem rumo. No meio do caminho está a tenebrosa casa da bruxa. E põe tenebrosa nisso. Seduzidos pela mesa farta de carnes, tortas e doces, eles aceitam a hospitalidade da velha que é dona da casa.

Ainda pequeno, João come à vontade e ganha da bruxa um machado, saindo pela mata tentando aprender seu ofício dos sonhos, o de lenhador. Maria, já adolescente, desconfia de sua anfitriã. Principalmente da absurda oferta de comida que se repete a cada refeição, em mesas enormes. Novos assados e doces aparecem a cada dia, mas Maria nunca vê a mulher cozinhar nem comprar mantimentos.

Em certo momento, Maria passa a ter sonhos assustadores, que cada vez mais indicam a ela a presença do mal. Logo desconfia que está presa ali e precisará enfrentar a bruxa para fugir com o irmão.

O filme não apela para sustos fáceis. O horror vai atingindo o espectador em cenas bárbaras, chocantes. Há uma sequência no porão da casa que pode ser encarada pela plateia como um teste de resistência.

Mas essa violência gráfica não deve afugentar o público. Pelo contrário. É a construção da atmosfera que deveria nortear as produções do gênero.

O filme não teria a mesma força sem a atriz Sophia Lillis, que interpretou a versão infantil de Beverly Marsh nos dois longas de "It", baseado em Stephen King. Nasce uma estrela.

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