Filme norueguês 'Terremoto' pouco oferece além dos efeitos especiais do cinema-catástrofe

Longa não merece mais do que uma nota de rodapé na história do cinema

São Paulo

Terremoto

  • Classificação 14 anos
  • Elenco Kristoffer Joner, Ane Dahl Torp e Edith Haagenrud-Sande
  • Produção Noruega, 2018. 108 min
  • Direção John Andreas Andersen

Os efeitos especiais de ponta, uma hora ou outra, promoveriam a volta do filme-catástrofe, semelhantes aos do início dos anos 1970, como “Aeroporto” ou “Inferno na Torre”.

Ainda é cedo para saber se esse nicho disputará o mesmo espaço com as tramas apocalípticas, ainda preferidas em tempos de distopia. É notável, porém, que numa cinematografia pouco empenhada em seguir os passos de Hollywood apareça um filme como este "Terremoto", que acaba de estrear nos cinemas brasileiros.

A primeira constatação é que a preocupação inicial do diretor John Andreas Andersen é apresentar o drama de um geólogo chamado Kristian Eikjord (Kristoffer Joner), em crise por causa de uma recente separação. Ele não consegue nem aceitar a visita da pequena filha Julia, pois não vê mais sentido no núcleo familiar e, numa escala mais ampla, em sua própria vida.

Apesar de sua infelicidade, ele se tornou um herói quando salvou a população de uma pequena cidade norueguesa de um terremoto inesperado. Agora, sua nova missão é mais complexa: salvar a capital, Oslo, de um abalo sísmico de magnitude nunca antes vista, que promete destruir quase toda a cidade.

Como é típico de filmes desse subgênero, ninguém acredita no cientista, apesar dos insistentes avisos. Ele só serve para atravancar a economia e prejudicar os negócios. Sempre a economia determinando os destinos de milhões de pessoas, lá como cá.

Quando vem a tragédia, ficamos tão impressionados com os efeitos visuais que simulam o terremoto e a destruição de prédios que sentimos pavor pelos personagens, principalmente pela filha que, como também é típico nesses filmes, faz questão de desobedecer os adultos e se colocar em perigo.

Quando vem a tragédia, ficamos tão impressionados com os efeitos visuais que simulam o terremoto e a destruição de prédios que sentimos pavor pelos personagens, principalmente pela pequena Julia que, como também é típico nesses filmes, faz questão de desobedecer as ordens dos adultos para se colocar em perigo.

Como em tantos outros produtos do cinema-catástrofe, tudo converge para um local, no caso, um gigantesco prédio comercial que vai ruindo aos poucos, dificultando o resgate das pessoas.

Há dois problemas no filme como um todo. O primeiro é a deficiência de parte do elenco. Joner, por exemplo, parece tão sorumbático no início, que não acreditamos quando ele veste uma capa imaginária de super-herói e vai tentar salvar a ex-esposa, a filha e uma amiga (filha de outro geólogo famoso), que havia se encarregado de cuidar de Julia.

O segundo problema é maior: trata-se de uma série de elipses que, em vez de deixar o espectador com a missão de completar as lacunas, como é desejável acontecer num uso criativo das elipses, acaba afastando-o do drama principal, o de um homem tentando reestabelecer a união de sua família com o que restou dela.

Por isso, este longa até que se insere bem na linhagem do filme-catástrofe, mas não merece mais do que uma nota de rodapé na história do cinema. Além disso, não realiza bem aquele que parecia ser o seu aspecto mais interessante: o melodrama familiar ensaiado no início.​

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