Descrição de chapéu Crítica
Cinema

Terror 'A Maldição da Casa Winchester' tem boas sacadas e faz crítica à indústria bélica

Baseado em fatos históricos e estrelado por Helen Mirren, longa de terror assusta com trama inteligente


Thales de Menezes
São Paulo

A Maldição da Casa Winchester (Winchester)

  • Quando estreia nesta quinta (1º)
  • Classificação 14 anos.
  • Elenco Helen Mirren, Sarah Snook e Finn Scicluna-O’Prey
  • Produção EUA/Austrália, 2018.
  • Direção Michael e Peter Spierig

Veja salas e horários de exibição.

“A Maldição da Casa Winchester” tem uma coisa bem comum em filmes de terror, que é a frase “baseado em fatos reais” no pôster.

E tem algo muito incomum no gênero, que é a presença da atriz Helen Mirren. A dama inglesa, ganhadora do Oscar, pode indicar que não se trata de mais um filmeco para dar sustos.

E, realmente, a produção é ambiciosa, inteligente e bem realizada. Um dos melhores filmes que entraram em cartaz neste ano. Não que os sustos sejam desprezados pelos diretores, os irmãos Michael e Peter Spierig. Com outros quatro filmes aterrorizantes no currículo, a dupla tem aqui o cenário ideal para provocar gritos na plateia: uma mansão com mais de 700 portas, prontas para serem abertas e revelarem coisas sinistras.

Os fatos históricos: no início do século passado, a viúva Sarah Winchester herda do marido o controle da maior fábrica de armas dos Estados Unidos. De repente, ela passa a gastar milhões em reformas constantes em sua mansão, na Califórnia, ampliando o casarão. Às vezes, manda derrubar um quarto terminado há poucos dias para construir outro no lugar, seguindo plantas diferentes que passa pessoalmente aos empreiteiros.

Considerando Sarah uma louca, os diretores da empresa pedem a um psicólogo que faça uma avaliação da milionária. A intenção, muito clara, é afastá-la do comando dos negócios por causa da saúde mental debilitada.

Interpretado pelo cada vez melhor ator Jason Clarke, vindo de pouco destaque em franquias como “Exterminador do Futuro” e “Planeta dos Macacos”, o dr. Eric Price se hospeda na mansão Winchester e não demora a perceber que há muito mistério no local. Sarah afirma conversar com espíritos de pessoas que morreram assassinadas por armas fabricadas pela Winchester.

Cada cômodo construído é uma planta supostamente psicografada por Sarah, para reproduzir o lugar onde a pessoa foi assassinada. Segundo ela, os fantasmas passam um tempo ali antes de ter sua pós-vida em tranquilidade. Mas o problema, para azar dela e de Price, é que alguns seres espectrais não aceitam esse processo e estão atrás de vingança. O filme tem ação contínua em sua parte final.

“A Maldição da Casa Winchester” diverte muito, assusta mais ainda, tem sacadas inteligentes no roteiro e faz crítica à indústria bélica. Numa época em que Donald Trump acha oportuno dar armas a professores nas salas de aula, o filme chega em boa hora.

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