Filmes em exibição na Mostra tratam da sexualidade e desejos dos idosos

Seis longas que integram a programação do evento demonstram como o amor não acaba depois dos 60

São Paulo

O sexo não é o tema central desses longas, mas está sempre presente. Cada um à sua maneira, os filmes olham para sessentões, setentões e oitentões como pessoas que buscam viver suas aposentadorias com prazer, projetos, dificuldades e também virilidade.

Cena do filme 'Final Feliz' (2019), de Hella Joof
Cena do filme 'Final Feliz' (2019), de Hella Joof - Divulgação

É assim em “Mi Vida”, uma produção holandesa e espanhola na qual uma cabeleireira, Lou, se aposenta na Holanda e resolve viver um sonho antigo, o de ir à Espanha aprender a língua do país. Influenciada por sua professora de espanhol, decide se mudar para a cidade praiana de Cádis, onde logo aparece sua filha grávida para atrapalhar a aventura.

Em “De Quem É o Sutiã?”, da Alemanha, um maquinista faz sua última viagem antes de se aposentar quando seu trem esbarra em um varal e derruba um sutiã azul. Com medo do tédio que virá com sua aposentadoria, ele encarna um príncipe encantado e pede para que várias mulheres experimentem a peça, despertando a ira dos maridos.

A ficção “O Diabo Entre as Pernas”, do mexicano Arturo Ripstein, é o mais explicitamente sexual entre os filmes. O casal Velho e Beatriz, junto há muitos anos, tem seus segredos e suas peculiaridades. 

Os dois são quase inimigos íntimos, mas a harmonia da casa se quebra quando a empregada Dinorah escolhe um dos dois para dar tratamento especial. O destino dá conta do resto.

O dinamarquês “Final Feliz” é uma comédia romântica sobre um casal de septuagenários que se separa quando percebe que cada um tem uma visão bem diferente de como aproveitar a aposentadoria. Os dois passam a viver novos desafios românticos e oportunidades sexuais inesperadas.

Mas o mais peculiar dessa leva é, de longe, o português “Technoboss”, que não é exatamente um filme de estrada, mas o protagonista, o setentão Luís Rovisco, passa muito tempo indo de um cliente a outro de carro. Não é um musical, apesar de ele cantar canções próprias sozinho e em duetos nas situações mais estranhas. E não é uma comédia romântica, apesar de ele reencontrar um antigo amor em um hotel e fazer de tudo para reconquistá-la.

Tem um personagem que não aparece, de quem só se ouve a voz, e cenas em que o cenário se move, quebrando a ilusão do espectador. Tudo para contar a trama de Rovisco, um vendedor de sistemas de segurança que se sente ultrapassado pela tecnologia. Viúvo, vive sozinho com o gato Napoleão e enxota o filho que aparece dizendo que está com dificuldades no casamento. Ele quer continuar a levar sua vida de trabalhador, conquistar a mulher que reencontrou, cantar e dançar sem ser aborrecido. Que mal há nisso?

O sexo e a idade

Histórias de gente vivida na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Aos Olhos de Ernesto
Brasil, 2019. Direção: Ana Luiza Azevedo. Com: Jorge Bolani, Júlio Andrade e Jorge d’Elia. 100 min. Livre.
Um fotógrafo octogenário está perdendo a visão. A limitação também faz com que ele aprenda a aproveitar as delícias trazidas pelo tempo e descubra que nunca é tarde para encontrar amizades e um grande amor.

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De Quem É o Sutiã?
The Bra. Alemanha, 2018. Direção: Veit Helmer. Com: Miki Manojlovic, Paz Vega e Chulpan Khamatova. 90 min. 12 anos.
Um maquinista prestes a se aposentar faz com que o trem esbarre em um varal, derrubando um sutiã azul. Ele, então, sai em uma jornada para encontrar a dona da peça. Do mesmo diretor de “Absurdistan”, exibido na 32ª Mostra.

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O Diabo Entre as Pernas
El Diablo entre las Piernas. México/Espanha, 2019. Direção: Arturo Ripstein. Com: Sylvia Pasquel, Alejandro Suarez e Greta Cervantes. 145 min. 16 anos.
Em preto e branco, aborda as nuances e a sexualidade de um casal de septuagenários, cuja violenta relação tem um delicado equilíbrio. Do mesmo diretor de “Ninguém Escreve ao Coronel”, exibido na 23ª Mostra.

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Final Feliz
Happy Ending. Dinamarca, 2019. Direção: Hella Joof. Com: Birthe Neumann, Kurt Ravn e Charlotte Sieling. 100 min. 16 anos.
Comédia romântica sobre um casal de septuagenários que se separa ao perceber que tinha visões bem diferentes de como aproveitar a aposentadoria. Agora, os dois terão de enfrentar novos desafios e oportunidades.

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Mi Vida
Idem. Espanha/Holanda, 2019. Direção: Norbert ter Hall. Com: Loes Luca, Elvira Mínguez e Fermi Reixach. 90 min. 12 anos.
Uma cabeleireira holandesa sonhou a vida toda em morar na Espanha. Com a aposentadoria, ela finalmente reúne a coragem de correr atrás do que realmente quer.

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Technoboss
Idem. Portugal/França, 2019. Direção: João Nicolau. Com: Miguel Lobo Antunes, Luísa Cruz e Américo Silva. 102 min. 12 anos.
Um musical sobre um vendedor itinerante sexagenário às vésperas da aposentadoria, as pessoas que passam por seu carro e a possibilidade de um novo amor.

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