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Cinema

Cinebiografia mostra revolta da juventude sul-africana contra o apartheid

Vida de Solomon Mahlangu descreve o arco de radicalização de jovens daquela época

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São Paulo

Fogo Contra Fogo

  • Classificação 16 anos
  • Elenco Thabo Rametsi, Thabo Malema e Pearl Thusi
  • Produção África do Sul, 2016. 107 min.
  • Direção Mandla Dube

Nos anos 1970, a juventude sul-africana explodiu em revolta contra o apartheid, decepcionada com o conformismo da geração de seus pais.

A curta vida de Solomon Mahlangu, enforcado aos 22 anos, descreve o arco de radicalização de milhares de pós-adolescentes naqueles anos. 

É essa história real o mote de “Fogo Contra Fogo”, filme sul-africano que estreou no Brasil na última quarta (20), Dia da Consciência Negra.

Vendedor ambulante numa township, como são chamadas as imensas favelas do país, Mahlungu cai na militância cansado das humilhações da polícia.

 

A segregação havia se tornado uma prática natural, simbolizada na cena em que sua mãe pede casualmente que ele não esqueça de levar seu passe ao sair, como se estivesse recomendando que levasse um casaquinho.

Trata-se de um documento que os negros carregavam autorizando-os a circular por certos locais, como se fossem terra estrangeira.

Mahlangu rompe com a família e foge para o exílio, onde recebe treinamento de guerrilha. Ao voltar com armas, é preso, torturado e condenado à morte. 

O filme segue a tradição de outras cinebiografias sobre o apartheid, como “Um Grito de Liberdade”, de 1987, que retrata a vida do ativista Stephen Biko.

Mas, talvez pelo distanciamento histórico maior, consegue ter nuances em uma situação em que retratá-las é difícil. 

Mahlungu e seus colegas são mostrados com toda a crueza da luta armada, inclusive em ações contra civis que provocam desconforto no espectador.

Isso não significa uma tentativa de estabelecer equivalências, conceito que tristemente entrou em voga ultimamente.

A farsa de um julgamento comandado por brancos e o uso do termo ofensivo “kaffir” em referência aos negros estão bem representados no longa.

A tensão entre Mahlungu, a mãe e o irmão mais velho, que trabalha no serviço prisional, mostra como o apartheid dividiu famílias. 

Seu impacto não era sentido apenas em distantes campos de treinamento de guerrilha, mas também da porta de casa para dentro.

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