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Histórias engrandecedoras marcam filmes em prévia online do Festival Judaico

'Mais que Especiais' e 'Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa' integram a programação

Mais que Especiais (2019)

  • Quando Sáb. (15): 15h e 20h
  • Onde No site hebraica.org.br
  • Preço Grátis
  • Elenco Vincent Cassel, Reda Kateb e Hélène Vincen
  • Direção Olivier Nakache e Éric Toledano

Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa (2019)

  • Quando Dom. (16): 15h e 20h
  • Onde No site hebraica.org.br
  • Preço Grátis
  • Elenco Riva Krymalowski, Marinus Hohmann e Carla Juri
  • Direção Caroline Link

Histórias verídicas têm seu apelo natural. Se forem também engrandecedoras, tanto melhor –sobretudo em tempos bicudos. "Mais que Especiais" (2019) e "Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa" (2019), que constituem a programação do Pré-festival de Cinema Judaico, correspondem a esses dois aspectos.

Em "Intocáveis" (2011), os diretores e roteiristas franceses Olivier Nakache e Éric Toledano já haviam surfado na praia do "feel-good movie" (filme para se sentir bem) inspirado em personagens reais –um tetraplégico e seu cuidador. "Samba" (2014) e "Assim É a Vida" (2017), os longas seguintes da dupla, voltaram a combinar drama e humor, mas se afastaram do campo da saúde.

Essa ambientação retorna em "Mais que Especiais", baseado nas atividades de duas organizações de Paris que atendem a jovens com transtornos autistas severos. Elas não têm autorização oficial, mas preenchem um vazio deixado pelo sistema público, lembrando o que acontece no também francês "As Invisíveis" (2018) com moradoras em situação de rua.

Os líderes das organizações (Vincent Cassel e Reda Kateb) enfrentam desafios cotidianos capazes de abater os mais fortes, mas são apresentados pelo filme como anônimos e incansáveis catalisadores, movendo uma engrenagem que, sem eles, provavelmente emperraria. Heróis (ou "especiais") do nosso tempo, preocupados com o sofrimento alheio e dando nó em pingo d'água.

O personagem de Cassel traduz bem essa abnegação, quase sempre com um boné dos New York Yankees (time americano de beisebol) sobre a quipá, sorriso de garoto a serviço de uma determinação de guerreiro. Ao final, aparecem as figuras reais que inspiraram a ficção –o filme é dedicado à memória de Johann Bouganim, o jovem autista que deu origem a Joseph (Benjamin Lesieur).

Pelo humor do título, "Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa" pode sugerir algo próximo à fantasia de "Jojo Rabbit" (2019), mas segue em outra direção ao recriar a perseguição nazista a judeus. A inspiração vem do livro homônimo e autobiográfico de Judith Kerr (1923-2019). Em 1933, seu pai, escritor e crítico de teatro, viu na iminente vitória de Hitler nas eleições a senha para sair da Alemanha.

No filme, dirigido pela alemã Caroline Link (Oscar de fime estrangeiro por "Lugar Nenhum na África"), as lembranças da menina (Riva Krymalowski) –que, leitora de biografias ilustres, alimenta fantasias sobre a "infância difícil" de refugiados– pautam a recriação da vida no exílio, primeiro no interior da Suíça e depois em Paris (França). Com o tempo, ela percebe que não foi só o coelho quem ficou para trás.

Os dois longas serão exibidos online gratuitamente, mediante cadastro que já foi feito no site da Hebraica —e debates sobre os filmes acontecem no sábado (15) e domingo (16), no canal do MIS no YouTube. Até o fim deste ano o festival espera fazer sua tradicional edição presencial.

Pré-festival de Cinema Judaico - “Mais que Especiais”: sáb. (15), às 15h e às 20h, com debate às 17h30 no canal do MIS no YouTube. “Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa”: dom. (16), às 15h e às 20h, com debate às 17h30 no canal do MIS no YouTube.

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