Conheça lugares para curtir música independente em SP, que ganha festival neste fim de semana

Aonde, marcado para este sábado (23), reúne dez palcos pequenos da capital paulista e do ABC

São Paulo

Depois de um período pandêmico que deixou estragos no universo da música independente de São Paulo, fazendo com que locais menores fechassem as portas ou dependessem de apoio de público e patrocinadores, a cena dá sinais de retomada de seu fôlego, com casas se unindo para recuperar o que foi perdido.

Pista da Associação Cultural Cecília, casa de shows na região central de SP Fernando Yokota/Divulgação
Pista da Associação Cultural Cecília, casa de shows na região central de SP - Fernando Yokota/Divulgação

Neste sábado, 23, dez lugares de shows da capital e do ABC fecham suas sedes para transportar uma amostra do que oferecem para o Cine Joia, que sedia a primeira edição do Festival Aonde. Levam não só atrações que tocam em suas noites, mas as pessoas que estão à frente dos espaços.

Estarão representadas na casa a Associação Cultural Cecília, o Estúdio Aurora, o Porta, o FFFront, a Laje, o Secilians Shop, o Centro da Terra e a Tectonica. De fora da capital, aparecem o 74Club, de Santo André, e a Fun House, de Ribeirão Pires.

A ideia de unir forças começou a ganhar forma justamente na pandemia, centralizada nas figuras de Renato Joseph, um dos donos da Associação Cultural Cecília, que atravessou aqueles anos com dificuldade, e de Danilo Leonel, o Mancha, criador da Casa do Mancha —um dos principais redutos da cena alternativa paulistana que funcionou por mais de uma década e teve de fechar.

"A gente se falava para desabafar, porque é difícil manter as estruturas para girar música independente no país. E nós temos essa visão forte de que esses espaços não são concorrentes. O trabalho de um puxa o do outro e constrói um público", diz Mancha, que agora faz parte da gerência do Joia e faz testes com festas e audições de álbuns em sua nova Casinha, em Pinheiros, desde o começo do ano.

A preocupação dos produtores era, em parte, com a extensão do estrago que faria o fechamento de palcos dedicados à música alternativa —como aconteceu com a Casa do Mancha, o Morfeus Club e o Breve. Com menos espaços para tocar, bandas menores ou em início de carreira perderiam seus primeiros palcos, importantes para ganhar público e amadurecer a performance.

"Ninguém quer fazer show no mesmo lugar toda semana. Quanto maior a rede, melhor para o artista", afirma Joseph. "Essa intersecção já existia. Quem toca na Cecília já tocou no Porta, no FFFront. Agora a gente quer transformar isso numa associação para contar com o apoio público e privado, correr atrás de leis, isenções."

O sócio da Cecília conta que, logo depois da pandemia, a cena viveu cerca de um ano de boom —a mesma demanda represada que entupiu a agenda musical da cidade com turnês e festivais em 2022. Foi nessa época que São Paulo ganhou novos palcos menores que recebem artistas independentes, como o Porta, em maio, o Cineclube Cortina, em julho, e o Bar Alto, em dezembro.

Noite no FFFront, espaço no Sumarezinho que será representado no Festival Aonde
Noite no FFFront, espaço no Sumarezinho que será representado no Festival Aonde - Gus Palma/Divulgação

Mas o público parece já ter se acostumado com a retomada desses ambientes, que ficaram a um passo de deixar de existir, diz Joseph. O festival também vem nesse embalo, embora eles avaliem
que há uma nova disposição de querer fazer a cena acontecer por parte dos produtores.

"Eu vejo uma evolução no sentido de haver uma geração mais disposta a meter as caras. Quem quer criar um festival, uma casa de shows ou uma festa entrou num modo de fazer para não se arrepender, porque qualquer coisa pode acontecer e fazer a gente ficar trancado de novo", diz Mancha.

Mas, afirma, isso não significa que a cena esteja voltando aos eixos. "É como se fosse um motor e a gente desse umas apertadas nas porcas para, dependendo do preço da gasolina, botá-lo para funcionar. Ainda precisamos de anos de construção para chegar a um lugar mais satisfatório."

ONDE CONHECER A CENA DA MÚSICA INDEPENDENTE DE SP

Festival Aonde - Cine Joia - pça. Carlos Gomes, 82, Liberdade. Sáb. (23), das 19h às 5h. A partir de R$ 70 em Sympla

Associação Cultural Cecília - r. Vitorino Carmilo, 49, Santa Cecília, Instagram @ceciliacultural

Bar Alto - r. Aspicuelta, 194, Vila Madalena, Instagram @baralto.sp

Bona - r. Dr. Paulo Vieira, 101, Sumaré, Instagram @bona_casa_de_musica

Casinha - r. Jorge Rizzo, 63, Pinheiros, Instagram @casinha.cc

Centro da Terra - r. Piracuama, 19, Perdizes, Instagram @centro.da.terra

Cineclube Cortina - r. Araújo, 62, República, Instagram @cineclubecortina

Estúdio Aurora - r. João Moura, 503, Pinheiros, Instagram @estudioaurora

FFFront - r. Purpurina, 199, Sumarezinho, Instagram @seufffront

Fun House - av. Humberto de Campos, 29, Ribeirão Pires, Instagram @fun.houseestudiobar

Picles - r. Cardeal Arcoverde, 1.838, Pinheiros, Instagram @piclescardeal

Porta - r. Fidalga, 642, Vila Madalena, Instagram @_____porta_____

Secilians Shop - pça. Olavo Bilac, 87, Santa Cecília, Instagram @secilianshop

Tranquilo - Às segundas, Instagram @tranquilosaopaulo

74Club - r. Itobi, 325, Vila Alpina, Santo André, Instagram @74club

Laje - r. João Ramalho, 1.494, Perdizes, Instagram @lajesp

Tectonica - r. Min. Ferreira Alves, 686, Pompeia, Instagram @tectonica.sp

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