Conheça 28 teatros com capacidade para até 120 pessoas em São Paulo

Celebre o Dia Mundial do Teatro, na terça (27), com roteiro para assistir a peças em clima intimista

Amanda Ribeiro
São Paulo

Para além dos halls suntuosos, das salas gigantes e das grandes produções, uma parte considerável das peças teatrais paulistanas —principalmente as de caráter experimental— fica escondida atrás de portas de ferro, dentro de galpões ou em contêineres.

Para lembrar o Dia Mundial do Teatro, celebrado na terça-feira (27), o Guia reuniu 28 destes pequenos palcos, com capacidade para até 120 espectadores, nas cinco regiões da cidade. 

Alguns grupos, como os Satyros e os Parlapatões, que têm espaços na praça Roosevelt, resistem há anos onde escolheram se fixar. Outros, como o Grupo Estelar, na rua 13 de Maio, só conquistaram a própria sede recentemente.

Esses três espaços ficam na região central e refletem uma tendência: a maior parte dos pequenos teatros de São Paulo está no centro. 

Diferentemente dos teatros maiores, que costumam ter grandes empresas como patrocinadoras, os miniespaços são tocados pelas próprias companhias, que cuidam de tudo. “Nós fazemos a faxina, consertamos o que quebra, pagamos as contas. Os atores são também pedreiros, faxineiros e cuidam da bilheteria”, diz a atriz e dramaturga Viviane Dias, do Grupo Estelar.

A falta de incentivo, aliás, é um dos motivos que levam os grupos a buscarem uma sede própria. Pagar aluguel para se apresentar em espaços alheios, justificam, acaba sendo mais oneroso. A maior parte das casas também abre suas portas a outros grupos.

Além disso, o tamanho reduzido das casas tende a aproximar o público do artista. No Teatro Garagem, por exemplo, a plateia é convidada a beber com os atores depois da peça. “Nas salas pequenas os encontros artísticos e afetivos tendem a ser maiores”, explica Marcos Felipe, ator e produtor da Cia. Mungunzá.

Colaboraram: Leonardo Sanchez, Nathalia Durval e Victoria Azevedo

REGIÃO CENTRAL

Club Noir 
A sede da cia. de teatro Club Noir foi fundada por Roberto Alvim e Juliana Galdino em 2008 para resolver um dos principais problemas dos grupos de teatro: ensaiar em espaços alugados e ter de chegar (e se adaptar) ao local oficial da apresentação pouco tempo antes da estreia. Além da sala que recebe peças e shows, o local abriga um café.
R. Augusta, 331, Consolação, s/ tel. 42 lugares. Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo.

Galpão do Folias
Projetado pelo arquiteto e cenógrafo J. C. Serroni e inaugurado em 2000, o espaço do Grupo Folias d’Arte atende às demandas da companhia e sedia trabalhos de outros grupos. Recentemente, foi palco da performance “A Gente se Vê por Aqui”, de Nuno Ramos, na programação da MITsp 2018.
R. Ana Cintra, 213, Campos Elíseos, tel. 3361-2223. 74 lugares. Sex. e sáb.: 21h às 22h30. Dom.: 19h às 20h30.  

Instituto Cultural Capobianco - Teatro da Memória 
O teatro ocupa um casarão de 1928, antiga residência da família Remo Capobianco que funcionava também como oficina de esculturas e fábrica de ladrilhos. O nome da família permaneceu quando o local foi restaurado, em 2005, e se transformou em espaço cultural com duas salas de teatro. 
R. Álvaro de Carvalho, 97, Centro, tel. 3237-1187. 60 lugares. Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo.  

Sede Luz do Faroeste
Criada há 20 anos e há 17 pesquisando o bairro da Luz, a Cia. Pessoal do Faroeste está fixada na região conhecida como Boca do Lixo desde 2012. Com produção teatral que dialoga com o cinema, o grupo trabalha a relação dos habitantes do bairro com as drogas, a prostituição, a cultura negra e o samba. Está em cartaz, até 21/5, a peça “O Assassinato do Presidente”.
R. do Triunfo, 305, Santa Efigênia, tel. 3362-8883. 80 lugares. Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo.  

Teatro de Contêiner Mungunzá
Quando a cia. Mungunzá de Teatro decidiu se instalar na região da Luz, não quis sujar o ambiente com cimento. Por isso, construiu seu espaço usando dez contêineres. Com a proposta de se integrar à cidade, o grupo dá desconto em ingressos para quem mora no Bom Retiro, em Santa Ifigênia ou na Luz. A sede, que comemorou um ano neste mês, foi indicada ao Prêmio Shell de inovação pelos recursos arquitetônicos usados para construir o teatro.  Na quarta (28), o coletivo Vulva da Vovó estreia no espaço o espetáculo “Sobre Baleias”, que acompanha a saga de uma mulher negra da periferia para encontrar o filho desaparecido.
R. dos Gusmões, 43, Santa Efigênia, tel. 97632-7852. 99 lugares. Seg. a qui. e dom.: 14h às 23h. Sex. e sáb.: 14h às 24h. GRÁTIS  

Espaço Parlapatões
A sede do grupo, conhecido por encenar peças que mesclam circo e teatro de rua, chegou à Roosevelt em 2006. Além de peças próprias, a companhia abriga espetáculos de outros grupos. Entre as peças em cartaz está “Nefelibato”, monólogo com Luiz Machado.
Pça. Franklin Roosevelt, 158, tel. 3258-4449. 96 lugares. Ter. a dom.: 16h à 1h. 

Espaço dos Satyros Um e Estação Satyros
A companhia foi a primeira a se instalar na praça Roosevelt, em 2000. Hoje com duas sedes, a poucos metros de distância uma da outra, o grupo encena peças como “O Incrível Mundo dos Baldios”, em cartaz no Espaço dos Satyros Um.
Espaço dos Satyros Um - Pça. Franklin Roosevelt, 214, tel. 3258-6345. 60 lugares.   Estação Satyros - Pça. Franklin Roosevelt, 134, tel. 3258-6345. 80 lugares. Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo.

SP Escola de Teatro
Último a se instalar na Roosevelt, em 2012, o espaço apresenta cursos e peças de companhias diversas, como “Ador-Ador”, do Coletivo Solto de Teatro.
Pça. Franklin Roosevelt, 210, Consolação,  tel. 3775-8600. 80 lugares. Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo. 

Pequeno Ato
O espaço do diretor Pedro Granato tem dois pisos e arquibancadas que mudam de posição conforme o espetáculo. O local recebe ensaios, oficinas e peças do grupo e de outras companhias. 
R. Dr. Teodoro Baima, 78, tel. 99642-8350. 40 lugares. Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo.

Cia. do Feijão
Criada em 1998, a Cia. do Feijão estreou sede própria em 2004. A exemplo dos colegas, recebe também peças de outros grupos. 
R. Dr. Teodoro Baima, 68. 90 lugares. Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo. 

Teatro de Arena - Eugênio Kusnet 
Mais antigo da rua, foi fundado na década de 1950 e passou a ser gerido pela Funarte nos anos 1970. Vários grupos encenam peças no espaço em formato de arena. 
R. Dr. Teodoro Baima, 94, tel. 3256-9463. 99 lugares. Seg. a dom.: 9h às 23h. 

Espaço Elevador
Uma portinha esconde o espaço da cia. Elevador de Teatro Panorâmico, que tem dois mezaninos que servem como extensão do espaço cênico. 
R. Treze de Maio, 222, Bela Vista, tel. 3477-7732. 52 lugares. Bilheteria abre uma hora antes de cada espetáculo. 

Teatro do Incêndio
A Cia. Teatro do Incêndio encenou sua primeira peça em 1996 em uma antiga fundição. Passou então por vários lugares até chegar ao espaço que ocupa desde o ano passado. O grupo encena atualmente “Rebelião - O Coro de Todos os Santos”.
R. Treze de Maio, 48, tel. 2609-3730. 65 lugares. Bilheteria abre duas horas antes do espetáculo.

Teatro Estelar
Fundado há 12 anos, o Grupo Estelar de Teatro só inaugurou a própria sede em fevereiro deste ano. Para ajudar grupos que não tiveram a mesma sorte, vão abrir as portas para outras companhias.
R. Treze de Maio, 120, Bela Vista, tel. 99851-9094. 65 lugares. Bilheteria abre uma hora antes do espetáculo.

REGIÃO OESTE

Casa Teatro de Utopias
Inaugurado em dezembro, o teatro da Lapa tem capacidade para 60 pessoas e um modesto palco de 7,7 m por 6,2 m. O espaço recebe montagens de diversas companhias, incluindo aquelas voltadas às crianças, além de apresentações de dança. Na semana de abertura, passaram por lá grupos como a Cia. do Tijolo, com “Ledores no Breu”. Até 1°/4, abriga o espetáculo “Roda das Vozes em Estado de Sítio”, do grupo Ausgang de Teatro, que busca refletir sobre a mecanização da língua na sociedade contemporânea. 
R. Duílio, 46, Lapa, tel. 94109-3191. 60 lugares. Bilheteria abre duas horas antes de cada espetáculo.   

Centro Compartilhado de Criação
O espaço cultural do produtor Ricardo Grasson e do 42 Coletivo Teatral abriga shows, festas, exposições e, claro, espetáculos teatrais. Fundado em 2015, na rua James Holland, o espaço foi transferido dois anos mais tarde para a rua Brigadeiro Galvão, também na Barra Funda, por questões como preço 
do aluguel. O espaço abriga peças de companhias diversas. Atualmente, apresenta “Hamlet-Ex-Máquina”, do 42 Coletivo Teatral, espetáculo que fala sobre a capacidade humana de se transformar diante das pequenas tragédias cotidianas. 
R. Brig. Galvão, 1.010, Barra Funda, tel. 3392-7485. 100 lugares. Bilheteria abre uma hora antes de cada espetáculo. 

Teatro Garagem
O teatro da Lapa nasceu por acaso, em 2000, quando a atriz Anette Naiman decidiu reformar 
a garagem de casa e notou um desnível no piso, que poderia ser utilizado como palco. Foi então que decidiu trabalhar no espaço, apresentando um solo inspirado no conto “Apenas Um Saxofone”, de Lygia Fagundes Telles. Hoje, o teatro ocupa duas casas vizinhas, interligadas por um jardim. Depois dos espetáculos, o público é convidado a conversar com o elenco e a equipe de produção em uma sala de estar, onde são servidos petiscos de cortesia e bebidas pagas. Atualmente, recebe a peça “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos.
R. Silveira Rodrigues, 331A, Siciliano, região oeste, 35 lugares. Qua. a dom.: 20h às 2h. 

Teatro do Núcleo Experimental
Sede do Núcleo Experimental, companhia com 13 anos de estrada, o teatro foi inaugurado em 2012 para abrigar não apenas espetáculos do grupo, mas também de outros. Além disso, cerca de 200 alunos passam todos os anos pelos palcos do espaço, que oferece oficinas e aulas de interpretação. Ao longo dos últimos seis anos, o teatro recebeu 28 montagens. 
R. Barra Funda, 637, Barra Funda, tel. 3259-0898. 65 lugares. Bilheteria abre uma hora antes de cada espetáculo. 

Viga Espaço Cênico
Inaugurado em 2003, o espaço cultural de Pinheiros ocupa o lugar de um antigo galpão, reformado pelo arquiteto Roberto Loeb. Além de apresentar peças de companhias diversas, o local tem um espaço para exposições. Atualmente, exibe fotos de espetáculos do dramaturgo e diretor João Paulo Lorenzon (“Nijinsky - Minha Loucura é o Amor da Humanidade”), feitas pelo ítalo-suíço Maurizio Mancioli.
R. Capote Valente, 1.323, Pinheiros, região oeste, tel. 3801-1843. 73 lugares. Bilheteria abre uma hora antes de cada espetáculo. 

OUTRAS REGIÕES

LESTE

Sede do Grupo XIX de Teatro
O premiado Grupo XIX, que se dedica à pesquisa histórica e à ocupação de espaços não convencionais, recebeu na última terça (20) o Prêmio Shell de inovação pela manutenção de sua sede, um armazém construído na década de 1910 na Vila Maria Zélia. Apesar de hoje se apresentar em outros espaços, mantém o local na ativa. Lá são ministradas oficinas e encenados espetáculos de outras companhias. 
R. Mário Costa, 13, Vila Maria Zélia, região leste, tel. 2081-4647. 100 lugares. Bilheteria abre uma hora antes de cada espetáculo. 

Espaço Sobrevento
O grupo Sobrevento se dedica, desde 1986, ao teatro de animação —com espetáculos protagonizados por bonecos e objetos— e já levou peças a uma série de festivais na Europa e na América Latina. Foi só em 2009, no entanto, que conseguiu se fixar na zona leste. Além das salas que recebem tanto trabalhos do grupo quanto de outras companhias, o espaço, próximo ao metrô Bresser-Mooca, tem também biblioteca e videoteca.
R. Cel. Albino Bairão, 42, Belenzinho, tel. 3399-3589. 90 lugares. Bilheteria abre uma hora antes de cada espetáculo. 

SUL

Teatro Ventoforte
Criada pelo diretor argentino radicado no Brasil Ilo Krugli, a companhia Ventoforte se inspira na cultura, nos mitos e no folclore popular para criar espetáculos voltados ao público infantojuvenil. Fundado no Rio, em 1972, o grupo se mudou para o parque do Povo na década de 1980. 
R. Brig. Haroldo Veloso, 150, Chácara Itaim, região sul, tel. 3071-3890. 120 lugares. Bilheteria abre uma hora antes de cada espetáculo. 

NORTE

Teatro do Sol
Depois de atuar em três espaços culturais da cidade, o grupo Gattu se fixou em 2013, na zona norte, onde fundou o Teatro do Sol. Lá, apresenta espetáculos próprios e faz intercâmbio com outras companhias, convidadas a ensaiar e apresentar peças no espaço. Dirigido por Eloísa Vitz, o grupo começou há 18 anos de forma amadora. Hoje, pesquisa elementos técnicos do teatro, como a luz, o som, o cenário e o próprio palco.
R. Damiana da Cunha, 413, Santa Teresinha, região norte, tel. 3791-2023. 60 lugares. Seg. a sex.: 11h às 21h. Sáb.: 9h30 às 13h. GRÁTIS  

 

QUER PAGAR QUANTO? 
Ingressos em pequenos teatros costumam ser mais econômicos do que os de grandes produções

“O Incrível Mundo dos Baldios”, no Espaço dos Satyros Um R$ 20

“Brincadeira de Roda”, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet R$ 20

“Hamlet-Ex-Máquina”, no Centro Compartilhado de Criação  R$ 20

“Roda das Vozes em Estado de Sítio”, na Casa Teatro de Utopias R$ 30

“Nefelibato”, no Espaço Parlapatões R$ 40

“Navalha na Carne”, no Teatro Garagem  R$ 60

= R$ 190 - Valor médio de um ingresso para a estreia de “A Noviça Rebelde”, no Teatro Renault

 

SHOWS SÃO BEM-VINDOS 
Pequenos teatros também cedem espaço para apresentações musicais; confira seleção do Guia

Centro da Terra
O espaço cultural de Perdizes, que abriga shows, exposições, atividades infantis e peças de teatro em seu palco italiano, foi inaugurado em 2001, mas começou a ser escavado dez anos antes —a sede da Kompanhia Centro da Terra fica 12 metros abaixo do nível do solo. Destaque para as temporadas de shows, como as do projeto Segundamente, às segundas, com curadoria do jornalista Alexandre Matias. O rapper Rico Dalasam fará temporada em abril.
R. Piracuama, 19, Perdizes, região oeste, tel. 3675-1595. 100 lugares. Seg. e ter.: 19h às 21h. Qua. a sex.: 9h às 18h. Sáb. e dom.: 18h às 21h.  centrodaterra.com.br.

Espaço Cia. da Revista
Inaugurada em 2014, a sede da companhia de teatro recebe o projeto Música de Sexta, com shows semanais. Nesta sexta (23), é a vez da big band paulistana Semiorquestra, que transita por guitarrada, afrobeat, frevo, reggae e cúmbia, entre outros gêneros. O espaço também recebe exposições.
Espaço Cia da Revista - Al. Nothmann, 1.135, Campos Elíseos, tel. 3791-5200. 99 lugares. Sex. (23): 21h. 90 min. Livre. Estac. a partir de R$ 10 (av. São João, 1.915). Ingresso: R$ 30. Ingr. p/ 2122-4070 ou compreingressos.com. 

Teatro da Rotina
Autogerido por um coletivo de artistas, o espaço possui programação musical fixa de quarta a sábado. Ainda neste mês, apresentam-se nomes como Socorro Lira (dia 23), Nô Stopa (dia 24) e Yzalú (dia 29).
Rua Augusta, 912, Consolação, região central, tel. 3582-4479. 50 lugares. Qui. a sáb. e seg. a qua.: 21h. 14 anos. Ingresso: R$ 20 a R$ 40. Ingr. p/ teatrodarotina.org. 

Teatro de Bolso do Quarto Mundo
“O quarto mundo é um ambiente de possibilidades”, diz Malu Maria, idealizadora do teatro que ocupa a sua garagem. Além da programação voltada ao teatro, o espaço recebe shows —quase sempre de música autoral. A partir de abril, devem acontecer apresentações musicais às sextas, sábados e domingos. 
Pça. Jesuíno Bandeira, s/ nº, casa 124, Vila Romana, região oeste. 30 lugares. Sex. a dom.: 21h. Livre. Ingresso: R$ 20. É recomendável consultar a programação.


 

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