Marco Bellocchio é homenageado com retrospectiva de filmes na Mostra 

"Diabo no Corpo", o ousado filme de 1986, bem poderia ser o título da retrospectiva do diretor italiano Marco Bellocchio: essa é a marca da maior parte de seus personagens, a começar pela bela Giulia, filha de um homem morto por terroristas e noiva de um ex-terrorista arrependido. É por ela que um jovem se apaixonará ao ver a garota prestes a se jogar de um prédio.

Um filme maldito por uma cena de sexo explícito, em que Bellocchio transforma o romance da mulher que trai o marido, que está no front, na Primeira Guerra, escrito por Raymond Radiguet, para aproximá-lo da Itália contemporânea.

Do mesmo modo é aí que estamos em "Bom Dia, Noite" (2003), que tem por centro o sequestro e assassinato de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas. Desarranjos pessoais, desarranjos sociais: uns e outros parecem se igualar em Bellocchio, desde "De Punhos Cerrados" (1966), em que o incesto é, quase se pode dizer, norma de uma família italiana.

Sexo e política já aparecem ligados em "A China Está Próxima" (1967), nessa talvez comédia em que, entre outras, uma família tem um irmão socialista e um irmão maoísta...

Com o tempo, muda a tocada, não as ideias: a demência pessoal e a demência social estão presentes em "Vencer" (2009), no qual um jovem Mussolini abandona e condena ao hospício a moça a quem ama e seu próprio filho em troca do poder. Uma loucura por outra.

Os atores Filippo Timi (como Benito Mussolini) e Giovanna Mezzogiorno (como Ida Dalser) em "Vencer" (2009) *** ****
Os atores Filippo Timi (como Benito Mussolini) e Giovanna Mezzogiorno (como Ida Dalser) em "Vencer" (2009) - Divulgação

Depois desse, junto com "Bom Dia, Noite" um dos mais belos filmes italianos do século, Bellocchio trataria da eutanásia e de seu uso político em "A Bela que Dorme" (2012).

A ausência de "La Condanna" (1991) na retrospectiva, ainda que lamentável, não a deslustra: ela nos aproxima de um dos mais fortes cineastas italianos, ao lado de Bertolucci, da geração nascida na virada dos anos 1930 para os 1940.

Por fim, não por último: além de fazer filmes, Bellocchio dedica-se a preservá-los, como presidente da Cineteca de Bolonha, um dos mais importantes centros de restauro do mundo.

MASTERCLASS

Homenageado com uma retrospectiva e com o prêmio Leon Cakoff e autor do pôster da 40ª Mostra (inspirado em seu "Bom Dia, Noite"). E isso não é tudo. O diretor italiano Marco Bellocchio também dará uma masterclass no dia 23 de outubro, no Cinesesc, às 17h30, logo após a exibição de seu último filme, "Belos Sonhos".

Confira a programação no site do "Guia" da 40ª Mostra.

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